Ficar muitas horas sentado no carro ou no avião pode ter uma consequência séria: o retorno lento do sangue nas pernas favorece a formação de coágulos, especialmente em pessoas com fatores de risco. Quando uma das pernas incha, esquenta e passa a doer horas ou dias depois da viagem, o padrão exige atenção imediata. Esse conjunto de sinais concentrado em um único membro é um dos alertas clássicos para trombose venosa profunda e precisa de avaliação médica rápida para evitar complicações graves como a embolia pulmonar.
Por que a imobilidade prolongada favorece a trombose?
Durante horas sentado, os músculos da panturrilha ficam parados e deixam de bombear o sangue de volta para o coração. Esse fluxo lento aumenta o risco de o sangue se acumular nas veias das pernas e formar coágulos.
A situação é ainda mais preocupante em viagens acima de quatro horas, quando o ambiente do avião ou do carro combina espaço apertado, pouca hidratação e postura fixa. Esses fatores contribuem para o quadro chamado de trombose, especialmente em pessoas predispostas.
Quem tem maior risco de desenvolver o problema?
Nem todos os passageiros de viagens longas desenvolvem trombose, e isso acontece porque o risco depende de fatores individuais somados à imobilidade. Reconhecer esses fatores ajuda a redobrar a atenção antes, durante e depois do deslocamento.
Estão em maior risco pessoas com as seguintes características:
- Histórico pessoal ou familiar de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar.
- Uso de anticoncepcionais orais, terapia de reposição hormonal ou gravidez recente.
- Cirurgia realizada nas últimas semanas, especialmente em pernas, quadril ou abdome.
- Obesidade, tabagismo ativo ou idade superior a 60 anos.
- Câncer em tratamento, doenças autoimunes ou trombofilias hereditárias.
- Presença de varizes importantes, insuficiência venosa crônica ou imobilização recente por lesão.

Como identificar os sinais que exigem atenção rápida?
A trombose venosa profunda costuma se manifestar de forma unilateral, ou seja, atinge apenas uma perna. Isso ajuda a diferenciá-la de outras causas de inchaço, como cansaço ou retenção de líquidos, que geralmente afetam os dois membros.
O padrão típico envolve inchaço progressivo, dor que piora ao caminhar ou tocar a panturrilha, sensação de calor local e mudança na cor da pele, que pode ficar avermelhada ou arroxeada. Quando esses sinais surgem após viagem longa, é importante procurar avaliação para descartar tromboflebite profunda.
Um estudo científico confirma o risco em viagens longas
As evidências sobre a associação entre voos prolongados e formação de coágulos vêm sendo acumuladas por diferentes grupos de pesquisa nas últimas décadas. Um dos trabalhos mais robustos sobre o tema acompanhou milhares de trabalhadores expostos a viagens frequentes.
Segundo o estudo The Absolute Risk of Venous Thrombosis after Air Travel, publicado na revista PLOS Medicine, uma coorte com 8.755 funcionários de organizações internacionais observou que voos com duração superior a quatro horas triplicaram o risco de trombose venosa nas semanas seguintes ao deslocamento, com aumento ainda mais expressivo em pessoas de grupos considerados de alto risco.

Como agir diante da suspeita e reduzir o risco?
Diante de perna inchada, dolorida e quente após viagem longa, a orientação é buscar avaliação médica no mesmo dia, sem esperar melhora espontânea. O diagnóstico geralmente envolve exame clínico, dosagem do dímero D no sangue e ultrassom com Doppler das veias.
Algumas medidas ajudam a prevenir a trombose e a agir corretamente diante da suspeita:
- Levante-se e caminhe pelo corredor a cada duas horas em voos ou paradas em viagens de carro.
- Faça movimentos de flexão e extensão dos pés e tornozelos enquanto estiver sentado.
- Mantenha boa hidratação com água e evite excesso de álcool durante o deslocamento.
- Use meias de compressão graduada se houver histórico de varizes ou trombose prévia.
- Procure atendimento imediato se surgirem falta de ar, dor no peito ou tosse com sangue, sinais que podem indicar necessidade de tratamento para trombose em caráter emergencial.
- Evite automedicação com anti-inflamatórios ou massagens locais, que podem mascarar sintomas ou deslocar o coágulo.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado. Diante de sinais suspeitos de trombose, procure um pronto-socorro ou serviço médico o quanto antes.









