Ver muitos fios no travesseiro, no ralo do chuveiro ou na escova costuma preocupar, e a primeira suspeita quase sempre é a herança familiar. Só que boa parte das quedas persistentes não tem origem genética, e sim é reflexo de estresse físico ou emocional, ferritina baixa, disfunções da tireoide e outras alterações metabólicas. Reconhecer essas causas é o que separa uma queda temporária, que costuma reverter com tratamento adequado, de um quadro progressivo que exige abordagem específica.
O que é o eflúvio telógeno e por que ele acontece?
O eflúvio telógeno é um tipo comum de queda difusa, em que uma grande quantidade de fios entra ao mesmo tempo na fase de repouso do ciclo capilar e cai algumas semanas depois. Costuma surgir de dois a três meses após um evento estressor.
Entre os gatilhos mais frequentes estão cirurgias, febres altas, infecções, pós-parto, dietas muito restritivas, perda rápida de peso e estresse emocional intenso. Como o fio já nasce, cresce, entra em repouso e cai em um novo padrão, a queda pode ser expressiva mesmo em pessoas sem histórico familiar de calvície.
Como ferritina baixa e alterações hormonais entram nessa conta?
A ferritina baixa, principal indicador das reservas de ferro no organismo, é uma das causas mais frequentes de queda difusa em mulheres, mesmo quando o hemograma ainda não mostra anemia. Sem ferro suficiente, o folículo perde suporte para manter a fase de crescimento do fio.
As disfunções da tireoide também interferem no ciclo capilar. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo alteram o metabolismo dos folículos, favorecendo a entrada precoce na fase de repouso e uma perda generalizada, muitas vezes acompanhada de outros sintomas endócrinos.

Como um estudo científico explica esse tipo de queda?
A dermatologia tem estudado há décadas os gatilhos e as investigações necessárias para diferenciar o eflúvio telógeno de outros tipos de queda de cabelo, o que ajuda a orientar o tratamento adequado.
Segundo a revisão Telogen Effluvium: A Review, publicada no periódico Journal of Clinical and Diagnostic Research e indexada no PubMed, o eflúvio telógeno é a causa mais comum de queda difusa não cicatricial, com desprendimento significativo de fios cerca de três a quatro meses após o evento desencadeante. A revisão destaca que estabelecer a origem exige história clínica detalhada e exames laboratoriais para excluir alterações endócrinas, nutricionais e autoimunes.
Como diferenciar queda difusa da calvície androgenética?
Os dois quadros costumam ser confundidos, mas apresentam sinais bem distintos que ajudam a orientar o diagnóstico. Confira as principais diferenças:
- Padrão de queda: no eflúvio telógeno os fios caem de forma espalhada por todo o couro cabeludo, sem áreas com falhas definidas;
- Alopecia androgenética: perda progressiva concentrada no topo, entradas e coroa em homens, e afinamento na parte central em mulheres;
- Tempo de evolução: o eflúvio costuma ter início súbito e reverter em meses; a calvície evolui lentamente ao longo de anos;
- Espessura dos fios: na calvície os fios ficam mais finos e curtos com o tempo; no eflúvio a espessura tende a se manter;
- Fator desencadeante: o eflúvio surge após estresse, doença ou outras causas da queda de cabelo identificáveis; a calvície tem base genética e hormonal;
- Reversibilidade: a queda difusa costuma regredir com tratamento da causa; a androgenética exige tratamento contínuo;
- Investigação laboratorial: exames como ferritina, TSH e hemograma ajudam a confirmar o eflúvio; a calvície é avaliada principalmente por exame clínico e tricoscopia.

Quais exames e cuidados podem ajudar na investigação?
Quando a queda persiste por mais de algumas semanas, é essencial procurar orientação profissional para identificar a causa e evitar tratamentos por conta própria. Algumas medidas costumam integrar a avaliação:
- Hemograma completo, para descartar anemia e avaliar o quadro geral;
- Dosagem de ferritina e ferro sérico, essenciais especialmente em mulheres;
- TSH e T4 livre, para investigar alterações da tireoide;
- Vitamina D, vitamina B12 e zinco, quando há suspeita de deficiências nutricionais;
- Avaliação de hormônios sexuais, em casos suspeitos de origem hormonal;
- Tricoscopia, exame com dermatoscópio que auxilia no diagnóstico dos diferentes tipos de alopecia;
- Cuidados com estresse e sono, que ajudam a reduzir gatilhos capazes de agravar a queda de cabelo por estresse.
Diante de uma queda de cabelo constante que dura mais de algumas semanas, o ideal é procurar um dermatologista ou clínico geral para investigação individualizada, definição da causa e escolha do tratamento mais adequado para cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









