Sentir o mundo girar, perder o equilíbrio de repente e ficar com náuseas costuma ser rapidamente rotulado como labirintite, mas nem toda tontura tem essa origem. A vertigem posicional paroxística benigna é uma condição muito comum, com características, gatilhos e tratamento totalmente diferentes da labirintite, e a confusão entre as duas atrasa o diagnóstico e o alívio dos sintomas. Entender essas diferenças ajuda a procurar o especialista certo e a evitar tratamentos desnecessários.
O que é labirintite e como ela se manifesta?
A labirintite é uma inflamação do labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pela audição e pelo equilíbrio. As crises costumam ser intensas, com vertigem rotatória que dura horas ou dias, acompanhada de náuseas, vômitos, zumbido no ouvido e, em alguns casos, perda auditiva temporária.
As principais causas incluem infecções virais, como gripes e resfriados, além de infecções bacterianas, alergias, estresse e uso de certos medicamentos. Como envolve inflamação, os sintomas não desaparecem com uma manobra simples e exigem repouso e, muitas vezes, medicamentos indicados pelo otorrinolaringologista.
O que é a vertigem posicional paroxística benigna?
A vertigem posicional paroxística benigna, conhecida como VPPB, é a causa mais comum de vertigem em adultos e ocorre quando pequenos cristais de cálcio, chamados otólitos, se soltam de sua posição normal no ouvido interno e migram para os canais semicirculares. Esse deslocamento envia sinais confusos ao cérebro, provocando tontura.
Diferente da labirintite, a VPPB provoca crises muito curtas, geralmente de segundos, desencadeadas por movimentos específicos da cabeça, como deitar, virar na cama ou olhar para cima. Não há perda auditiva nem zumbido, e entre as crises a pessoa costuma se sentir bem.

Quais são as principais diferenças entre labirintite e VPPB?
Reconhecer as características de cada quadro ajuda a diferenciar as duas condições e a agir de forma correta. Confira os principais pontos de diferença:
- Duração da crise: a labirintite provoca vertigem contínua por horas ou dias, enquanto a VPPB dura apenas segundos e volta com o movimento
- Gatilho: a VPPB é desencadeada por movimentos específicos da cabeça, e a labirintite surge de forma súbita, mesmo em repouso
- Perda auditiva: comum na labirintite, ausente na VPPB
- Zumbido no ouvido: frequente na labirintite, raro na VPPB
- Náuseas e vômitos: intensos na labirintite, mais leves e passageiros na VPPB
- Causa: inflamação na labirintite, deslocamento dos otólitos na VPPB
- Sensação entre as crises: mal-estar constante na labirintite, bem-estar completo na VPPB
- Tratamento: medicamentos e repouso na labirintite, manobras de reposicionamento na VPPB
Como o tratamento é bem diferente, o diagnóstico correto é essencial para evitar semanas ou meses de sintomas sem necessidade.
O que uma pesquisa científica revela sobre a VPPB?
A vertigem posicional é amplamente estudada pela otorrinolaringologia, especialmente por seu impacto na rotina e na qualidade de vida. Uma revisão sistemática recente analisou como essa condição afeta o dia a dia dos pacientes e como o tratamento adequado modifica esse cenário.
Segundo o estudo Understanding Benign Paroxysmal Positional Vertigo (BPPV) and Its Impact on Quality of Life: A Systematic Review publicado na revista Cureus, a VPPB afeta significativamente a qualidade de vida, com repercussões físicas, emocionais, sociais e ocupacionais, mesmo tendo crises de curta duração. Os autores destacam que o diagnóstico precoce e o tratamento com manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, oferecem resolução rápida dos sintomas na maioria dos casos, o que evita a confusão frequente com outras causas de vertigem.

Como é feito o tratamento de cada uma?
O tratamento depende diretamente do diagnóstico correto e das características de cada condição. Veja as principais abordagens indicadas pelo otorrinolaringologista:
- Labirintite viral: repouso, hidratação, medicamentos para vertigem e náuseas, além de antivirais em casos selecionados
- Labirintite bacteriana: uso de antibióticos, muitas vezes com internação hospitalar
- Labirintite emocional: acompanhamento psicológico e controle do estresse e da ansiedade
- Reabilitação vestibular: exercícios que ajudam o cérebro a se readaptar após a inflamação
- VPPB: manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, que costumam resolver o quadro em uma ou duas sessões
- Medicamentos sintomáticos, como cinarizina, flunarizina, betaistina e dimenidrato, indicados de acordo com o quadro
- Mudanças de hábitos, como reduzir cafeína, dormir bem e evitar movimentos bruscos com a cabeça durante as crises
- Acompanhamento em caso de crises recorrentes, para investigar causas associadas e prevenir novos episódios
Diante de vertigem persistente, tontura frequente ou sintomas como perda auditiva, zumbido, dificuldade para falar, alterações da visão ou fraqueza em um lado do corpo, procurar avaliação médica é essencial para descartar causas mais graves, como problemas neurológicos, e iniciar o tratamento para labirintite ou outra condição de forma adequada.
As informações apresentadas neste conteúdo têm caráter meramente informativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico otorrinolaringologista ou neurologista diante de sintomas persistentes de tontura, vertigem ou perda auditiva.









