A radiculopatia cervical ocorre quando uma raiz nervosa é comprimida na coluna do pescoço, provocando dor, formigamento e fraqueza que descem pelo ombro, braço e mão. Como esses sintomas se parecem com os da síndrome do túnel do carpo, observar onde o incômodo começa, para onde ele irradia e quais movimentos o pioram é essencial para diferenciar as duas condições e buscar o tratamento certo.
O que é a radiculopatia cervical?
A coluna cervical possui oito pares de raízes nervosas que emergem entre as vértebras e vão inervar ombros, braços e mãos. Quando uma dessas raízes é comprimida por hérnia de disco, artrose ou bico de papagaio, surge uma inflamação que altera a condução dos impulsos nervosos.
O resultado é uma dor que começa no pescoço e desce pelo braço seguindo o trajeto do nervo afetado, chamado dermátomo. As raízes C6 e C7 são as mais comumente atingidas, respondendo pela maior parte dos casos em adultos entre 40 e 60 anos.
Quais sintomas mais comuns aparecem no braço e na mão?
Os sinais variam conforme a raiz comprometida, mas seguem um padrão característico que ajuda a identificar a origem cervical do problema. Fique atento aos seguintes sintomas:
- Dor no pescoço que irradia para o ombro, braço, antebraço ou mão.
- Formigamento e dormência em áreas específicas do braço e dos dedos.
- Fraqueza muscular ao levantar objetos, segurar copos ou girar chaves.
- Piora ao movimentar o pescoço, especialmente ao inclinar a cabeça para trás.
- Alívio ao apoiar a mão sobre a cabeça, posição que reduz a tensão sobre a raiz.
- Redução dos reflexos e sensação de choque ao longo do braço.

Como diferenciar do túnel do carpo?
A localização exata dos sintomas é o principal indício para distinguir as duas condições. A síndrome do túnel do carpo resulta da compressão do nervo mediano no punho, provocando formigamento restrito ao polegar, indicador, médio e metade do anelar, com piora à noite e ao segurar objetos.
Já a radiculopatia cervical começa no pescoço e desce pelo braço, podendo atingir dedos diferentes dependendo da raiz afetada. Movimentos da cabeça pioram a dor, o que não acontece no túnel do carpo. Casos de hérnia de disco cervical costumam estar entre as causas mais frequentes desse tipo de compressão.
O que dizem os estudos sobre a radiculopatia cervical?
A compreensão epidemiológica dessa condição vem sendo aprofundada desde a década de 1990. Segundo o estudo Epidemiology of cervical radiculopathy, publicado na revista Brain e indexado na base PubMed, a raiz C7 é a mais frequentemente afetada, seguida pela C6, com incidência anual de 83 casos por 100 mil habitantes e pico entre 50 e 54 anos.
Os autores mostraram ainda que a maioria dos casos está relacionada a espondilose cervical e hérnia de disco, e que cerca de 90% dos pacientes evoluem bem com tratamento conservador ao longo de cinco anos de acompanhamento, reforçando a importância do diagnóstico correto antes de considerar a cirurgia.
Quando procurar avaliação médica?
É importante buscar um ortopedista, neurologista ou neurocirurgião quando a dor no pescoço irradia para o braço por mais de duas semanas, quando há formigamento persistente nos dedos, perda de força ou piora com movimentos do pescoço. Casos com dor no braço associada a alterações do equilíbrio ou da marcha exigem investigação urgente.
O diagnóstico envolve exame físico, ressonância magnética da coluna cervical e, em alguns casos, eletroneuromiografia. O tratamento costuma começar de forma conservadora, com fisioterapia, correção postural, analgésicos e anti-inflamatórios, reservando a cirurgia aos casos com déficit neurológico progressivo ou dor refratária.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação médica presencial. Consulte sempre um ortopedista, neurologista ou neurocirurgião para diagnóstico e orientações personalizadas.









