Sentir coceira, formigamento ou ardor na boca logo após comer maçã crua pode estar relacionado à síndrome de alergia oral, também chamada de síndrome pólen-alimento. O problema acontece principalmente em pessoas alérgicas a certos pólens, porque algumas proteínas das frutas são parecidas com as encontradas nas plantas. Na maioria dos casos, os sintomas ficam restritos à boca e à garganta, mas reações mais intensas precisam de avaliação.
Por que a maçã pode provocar coceira em quem tem alergia ao pólen?
Na síndrome de alergia oral, o sistema imunológico já está sensibilizado a uma proteína presente no pólen e reconhece proteínas semelhantes existentes em determinados alimentos. A maçã é um exemplo clássico de reação cruzada associada ao pólen de bétula, embora essa relação dependa das plantas presentes em cada região e do tipo de sensibilização da pessoa.
A American Academy of Allergy, Asthma & Immunology descreve a síndrome como uma reação que costuma ocorrer após frutas, vegetais e alguns outros alimentos crus. Pessoas com rinite alérgica causada por pólen podem perceber esse padrão com mais facilidade em determinadas épocas do ano.
Quais alimentos podem provocar a síndrome de alergia oral?
As combinações variam conforme o pólen ao qual a pessoa é alérgica. Alguns exemplos reconhecidos incluem:
- pólen de bétula: maçã, pera, pêssego, cereja, ameixa, damasco, amêndoa e avelã;
- pólen de gramíneas: pode apresentar reação cruzada com alguns alimentos, incluindo pêssego e outros vegetais;
- pólen de ambrósia: pode estar associado a melões, pepino e abobrinha;
- pólen de artemísia: pode apresentar reação cruzada com alimentos e temperos como aipo, cebola, alho, coentro e erva-doce.
Ter alergia a um desses pólens não significa que a pessoa necessariamente reagirá a todos os alimentos relacionados. Por isso, não é indicado retirar vários alimentos da dieta preventivamente apenas com base em listas de reação cruzada.

Por que a fruta cozida pode não causar o mesmo sintoma?
Muitas proteínas envolvidas na síndrome pólen-alimento são sensíveis ao calor. Por isso, alguém que sente coceira ao morder uma maçã fresca pode tolerar a fruta bem cozida, assada ou processada. Um consenso internacional publicado em 2024 sobre síndrome pólen-alimento considera que pessoas com sintomas limitados à boca podem, após orientação adequada, tolerar formas bem cozidas do alimento.
No entanto, cozinhar não torna todos os alimentos seguros em todas as alergias. Além disso, apenas retirar a casca não garante prevenção da reação, e alimentos como castanhas merecem atenção especial porque também podem estar envolvidos em alergias alimentares potencialmente mais graves.

Quais sinais indicam uma reação mais preocupante?
A coceira leve e localizada costuma começar poucos minutos após o alimento cru. Alguns sinais, porém, fogem do padrão mais típico da síndrome de alergia oral:
- inchaço importante da língua, lábios ou garganta;
- dificuldade para respirar, falta de ar ou chiado;
- sensação de garganta fechando ou dificuldade para engolir;
- urticária ou coceira espalhada pelo corpo;
- vômitos, tontura, fraqueza intensa ou desmaio;
- sintomas que deixam de ficar restritos à boca e começam a progredir.
Esses sinais podem indicar uma reação alérgica sistêmica, incluindo anafilaxia, que exige atendimento de emergência. Mesmo quando os sintomas são leves, episódios repetidos após maçã ou outras frutas cruas devem ser discutidos com um alergologista, especialmente quando existe histórico de alergia ao pólen ou rinite sazonal.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional.








