Fortalecer os músculos que estabilizam o quadril pode ajudar a distribuir melhor as cargas durante a caminhada, ao subir escadas e ao levantar da cadeira, reduzindo a irritação repetida na lateral da articulação. O foco costuma incluir glúteo médio, glúteo máximo e músculos do core, mas os exercícios precisam ser escolhidos após avaliação, pois a dor chamada de bursite também pode envolver tendões, coluna ou outras estruturas. O fortalecimento é uma estratégia de manejo e não uma promessa de cura.
Por que o fortalecimento pode aliviar a sobrecarga?
O glúteo médio mantém a pelve estável quando o peso do corpo fica apoiado em uma perna. Quando esse controle está reduzido, a pelve pode inclinar mais durante os passos, aumentando a compressão sobre tendões e bursas na parte lateral do quadril. Por isso, a fisioterapia costuma trabalhar força, coordenação e tolerância gradual ao esforço.
A bursite no quadril geralmente causa dor lateral, sensibilidade ao toque e piora ao deitar sobre o lado afetado ou subir escadas. Entretanto, quadros recorrentes podem fazer parte da síndrome dolorosa do grande trocânter, que também inclui tendinopatia dos glúteos. Essa diferença reforça a necessidade de investigar outras causas de dor no quadril antes de iniciar uma rotina por conta própria.
O que o estudo mostrou sobre os exercícios?
Um programa bem orientado não consiste apenas em repetir movimentos. Ele combina educação para reduzir compressões desnecessárias, ajuste temporário das atividades que agravam a dor e fortalecimento progressivo dos músculos do quadril.
Segundo o estudo Education plus exercise versus corticosteroid injection use versus a wait and see approach on global outcome and pain from gluteal tendinopathy, publicado na revista científica The BMJ, a combinação de educação e exercícios apresentou melhores taxas de melhora percebida do que apenas aguardar e teve resultado superior à infiltração com corticosteroide no acompanhamento de 52 semanas. O ensaio clínico randomizado e revisado por pares avaliou pessoas com tendinopatia glútea, condição frequentemente relacionada à dor lateral do quadril.

Quais exercícios podem fazer parte do manejo?
Após a avaliação do fisioterapeuta, o plano pode avançar de movimentos de baixa carga para tarefas do cotidiano, com repetições e resistência ajustadas à resposta da dor:
- Isometria de abdução: empurrar suavemente a perna para o lado contra uma faixa, parede ou resistência orientada.
- Ponte pélvica: elevar o quadril ativando glúteos e abdômen, sem arquear excessivamente a região lombar.
- Exercício de concha: manter os pés juntos e abrir o joelho sem girar o tronco ou a pelve.
- Caminhada lateral: dar passos curtos com uma faixa elástica, mantendo os joelhos e a pelve alinhados.
- Equilíbrio em uma perna: progredir para degraus somente quando houver controle e tolerância suficientes.
- Exercícios de core: controlar o abdômen durante movimentos dos braços e pernas sem perder o alinhamento pélvico.
Quais hábitos ajudam a evitar novas irritações?
Além dos exercícios, reduzir posições que comprimem repetidamente a lateral do quadril pode ajudar no controle dos sintomas:
- Evitar dormir diretamente sobre o lado dolorido e colocar um travesseiro entre os joelhos ao deitar sobre o lado oposto.
- Não permanecer com o peso apoiado em uma só perna por períodos prolongados.
- Evitar cruzar as pernas ou deixar o joelho cair muito para dentro ao sentar.
- Diminuir temporariamente corridas, ladeiras e escadas quando essas atividades agravarem claramente o desconforto.
- Retomar caminhadas e treinos gradualmente, observando a resposta nas horas seguintes e no dia seguinte.
- Evitar alongamentos intensos que provoquem compressão ou dor forte na lateral do quadril.

Quando é necessário procurar avaliação profissional?
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia orienta que o tratamento da bursite no quadril é majoritariamente não cirúrgico e pode incluir fisioterapia para reestabilizar a região e melhorar a musculatura. A avaliação presencial permite identificar fraquezas, ajustar a técnica e diferenciar bursite, tendinopatia, artrose, dor originada na coluna e outras condições.
Procure um ortopedista ou fisioterapeuta quando a dor for frequente, limitar a caminhada ou o sono, ou voltar sempre que os exercícios são retomados. Dor após queda, incapacidade de apoiar a perna, febre, vermelhidão, inchaço importante, perda de força ou formigamento exigem avaliação médica mais rápida.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica ou fisioterapêutica. O fortalecimento do glúteo médio e do core pode fazer parte do manejo da bursite frequente, mas deve ser iniciado com orientação profissional para que a carga, a progressão e os movimentos sejam seguros para a causa real da dor.









