Cansaço persistente, fraqueza e palidez são sinais conhecidos da anemia por deficiência de ferro, mas existe um sintoma bem menos óbvio: a vontade frequente de mastigar gelo, chamada pagofagia. Esse comportamento tem associação descrita com deficiência de ferro e merece investigação principalmente quando aparece junto com falta de disposição, tontura, queda de rendimento ou falta de ar aos esforços.
Por que a falta de ferro causa tanto cansaço?
O ferro é necessário para a produção de hemoglobina, proteína presente nas hemácias responsável pelo transporte de oxigênio. Quando a deficiência é suficiente para causar anemia, os tecidos passam a receber menos oxigênio, o que pode favorecer cansaço fácil, fraqueza, dificuldade de concentração e menor tolerância a atividades físicas.
A anemia ferropriva também pode provocar palidez, tontura, dor de cabeça e alterações nas unhas. A intensidade dos sintomas varia e, nos estágios iniciais, algumas pessoas podem ter deficiência de ferro com manifestações discretas ou até sem anemia estabelecida.
Vontade de mastigar gelo realmente pode ter relação com anemia?
Sim. A vontade persistente ou compulsiva de mastigar gelo é conhecida como pagofagia e é considerada uma forma de pica, comportamento caracterizado pelo desejo de consumir substâncias com pouco ou nenhum valor nutricional. A pagofagia é um sinal descrito há décadas em pessoas com deficiência de ferro, embora o mecanismo exato que explica essa associação ainda não esteja totalmente esclarecido.
Um estudo publicado em 2014 e indexado no PubMed avaliou a pagofagia em pessoas com anemia por deficiência de ferro e encontrou esse comportamento com frequência significativamente maior entre os participantes anêmicos do que entre os controles sem anemia. Os autores também investigaram possíveis efeitos de mastigar gelo sobre atenção e velocidade de resposta, mas esses achados não explicam definitivamente por que o desejo aparece.

Quais outros sinais podem aparecer junto?
A deficiência de ferro pode produzir manifestações diferentes dependendo da intensidade e do tempo de evolução. Entre os sinais e sintomas que podem aparecer estão:
- cansaço ou fraqueza fora do habitual;
- pele e mucosas mais pálidas;
- tontura ou dor de cabeça;
- falta de ar durante esforços;
- palpitações em alguns casos;
- unhas frágeis ou quebradiças;
- dificuldade de concentração;
- vontade persistente de mastigar gelo ou outros comportamentos de pica.
Esses sinais, isoladamente, não confirmam anemia. Cansaço, palidez e tontura também podem ocorrer em diversas outras condições, por isso é importante evitar interpretar os sintomas como diagnóstico.
O hemograma confirma se existe anemia por falta de ferro?
O hemograma é um dos primeiros exames utilizados para investigar anemia, pois permite avaliar a hemoglobina e características das hemácias, como volume e concentração de hemoglobina. Entretanto, o hemograma sozinho nem sempre confirma que a causa é falta de ferro.
Na investigação, o médico pode solicitar também ferritina, ferro sérico, transferrina e saturação de transferrina, dependendo do caso. Esses exames ajudam a avaliar os estoques de ferro e a diferenciar a deficiência de ferro de outros tipos de anemia. Por isso, quem apresenta sintomas persistentes deve procurar avaliação e realizar os exames indicados antes de iniciar qualquer reposição.

Por que não é indicado começar suplemento de ferro por conta própria?
Tomar ferro sem confirmar a deficiência pode atrasar a identificação da verdadeira causa dos sintomas e ainda provocar efeitos adversos, como náusea, dor abdominal, constipação e escurecimento das fezes. Além disso, a deficiência de ferro pode ser consequência de alimentação inadequada, menstruação intensa, perdas de sangue pelo aparelho digestivo ou problemas de absorção, situações que precisam ser investigadas.
Quando há cansaço constante, palidez ou vontade repetida de mastigar gelo, o mais adequado é procurar avaliação médica e realizar pelo menos o hemograma e os demais exames indicados antes de iniciar suplementação. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.








