Passar apenas uma hora usando o celular ou outro dispositivo depois de deitar pode, sim, comprometer a qualidade do sono e aumentar sintomas de insônia. Pesquisas recentes indicam que cada hora adicional de tela na cama está associada a menos tempo dormindo e maior dificuldade para adormecer, independentemente do tipo de conteúdo consumido. Entender por que esse hábito tão comum atrapalha o descanso é o primeiro passo para recuperar noites verdadeiramente reparadoras.
Por que o uso de tela na cama prejudica o sono?
O uso de dispositivos eletrônicos depois de deitar prolonga o tempo em que a pessoa permanece acordada, adiando o início natural do sono. A exposição à luz emitida pelas telas pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável por sinalizar ao corpo que é hora de descansar.
Além disso, o estímulo mental gerado pelo conteúdo, seja ele emocionalmente envolvente ou apenas informativo, mantém o cérebro em estado de alerta. Esse efeito reduz a sonolência e dificulta a transição para as fases mais profundas do sono, essenciais para a recuperação física e mental. Para entender melhor sobre o descanso adequado, vale conhecer o que é uma boa higiene do sono.
O problema é apenas as redes sociais?
Não. Embora as redes sociais sejam frequentemente apontadas como as principais vilãs, o problema vai além delas. Assistir a vídeos, acompanhar notícias, jogar ou usar aplicativos de leitura na cama também prolonga o tempo acordado e prejudica o descanso.
O que parece pesar mais é o próprio ato de manter a mente ativa e os olhos expostos à luz da tela, não o tipo específico de aplicativo. Ou seja, qualquer atividade digital praticada após deitar pode contribuir para noites mais curtas e menos reparadoras.

Como um estudo científico confirma essa relação?
Uma pesquisa observacional publicada recentemente investigou o impacto do uso de telas no período que antecede o sono em jovens adultos. Segundo o estudo How and when screens are used comparing different screen activities and sleep in Norwegian university students, publicado na revista Frontiers in Psychiatry, cada hora adicional de tela após deitar foi associada a um aumento de 59% no risco de sintomas de insônia e a uma redução média de 24 minutos no tempo total de sono.
Vale destacar que, por se tratar de um estudo observacional, os resultados mostram uma associação, mas não permitem afirmar que o uso de telas explique sozinho todos os casos de insônia. Outros fatores, como estresse, ansiedade e rotina irregular, também podem contribuir para o problema.
Quais hábitos ajudam a dormir melhor?
Pequenas mudanças na rotina antes de deitar podem melhorar significativamente a qualidade do descanso. A seguir, veja práticas recomendadas para favorecer noites mais reparadoras:
- Desligar dispositivos pelo menos 30 a 60 minutos antes de dormir;
- Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
- Evitar cafeína e refeições pesadas nas horas que antecedem o sono;
- Criar uma rotina relaxante, como leitura em papel, banho morno ou meditação;
- Ir para a cama e acordar sempre no mesmo horário, inclusive nos fins de semana.
Adotar esses hábitos ajuda o corpo a reconhecer o momento de descansar e reduz a necessidade de recorrer a estímulos externos. Quem convive com dificuldade persistente para dormir pode se beneficiar de estratégias adicionais, incluindo alguns chás para dormir melhor.

Quando a insônia merece atenção médica?
Nem toda dificuldade para dormir precisa de tratamento, mas alguns sinais indicam que é hora de procurar avaliação profissional. Confira as situações em que a busca por ajuda é recomendada:
- Dificuldade para adormecer ou manter o sono por mais de três noites por semana;
- Sintomas persistentes há mais de um mês;
- Cansaço, irritabilidade ou queda de rendimento durante o dia;
- Despertares muito precoces sem conseguir voltar a dormir;
- Uso frequente de medicamentos por conta própria para tentar dormir.
Nesses casos, é importante investigar as causas com um especialista, já que a insônia pode estar ligada a condições como ansiedade, depressão ou outros distúrbios do sono que exigem tratamento específico.
Se você percebe que o sono não tem sido reparador ou que os sintomas persistem mesmo após ajustes na rotina, procure orientação de um médico para uma avaliação individualizada e adequada ao seu caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









