Formigamento nos pés que aparece com frequência, junto de queimação e perda de equilíbrio, pode ser um sinal frequentemente esquecido de deficiência de vitamina B12. A cobalamina é essencial para a formação da bainha de mielina, camada que protege os nervos e garante a condução adequada dos impulsos, e sua carência prolongada compromete essa proteção, gerando um quadro conhecido como neuropatia periférica. Reconhecer esses sinais precocemente evita que o dano nos nervos se torne irreversível e permite iniciar a reposição adequada com base em exames laboratoriais.
Por que a falta de vitamina B12 afeta os nervos dos pés?
A vitamina B12 participa da síntese da mielina, e sua deficiência leva à degeneração progressiva das fibras nervosas, sobretudo nas extremidades. Como os nervos dos pés são os mais longos do corpo, tendem a ser os primeiros a manifestar sintomas como formigamento, queimação, dormência e sensação de choque.
Com o avanço da carência, surge perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar em superfícies irregulares e sensação de andar sobre algodão. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, esses sinais fazem parte do espectro da polineuropatia periférica associada à deficiência de cobalamina.
Quais grupos têm maior risco de deficiência?
A vitamina B12 está presente quase exclusivamente em alimentos de origem animal, o que torna certos perfis mais vulneráveis à carência. A absorção intestinal também diminui com a idade e com o uso prolongado de alguns medicamentos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Hematologia, veganos, vegetarianos estritos, idosos acima de 60 anos e pacientes com anemia perniciosa formam os principais grupos de risco. Complementar a dieta com alimentos ricos em vitamina B12 ou suplementação orientada ajuda a manter níveis adequados.

Quais medicamentos podem reduzir os níveis de B12?
Alguns remédios de uso crônico interferem na absorção da cobalamina no intestino, elevando o risco de deficiência mesmo com dieta variada. A atenção a essas interações é fundamental para prevenir sintomas neurológicos silenciosos. Entre os principais medicamentos associados à queda de B12 estão:
- Omeprazol e outros inibidores de bomba de prótons, que reduzem a acidez estomacal necessária para liberar a B12 dos alimentos
- Metformina, muito usada no tratamento do diabetes tipo 2, que interfere na absorção intestinal da cobalamina
- Ranitidina, cimetidina e outros bloqueadores H2
- Colchicina, empregada no tratamento da gota
- Neomicina e alguns antibióticos de uso prolongado
- Anticonvulsivantes como fenitoína, primidona e fenobarbital
- Óxido nitroso, usado em anestesias repetidas
Pacientes que utilizam esses medicamentos por meses ou anos devem monitorar periodicamente os níveis séricos de B12, mesmo sem sintomas evidentes.
Como um estudo científico confirma a relação entre B12 e neuropatia?
A associação entre carência de cobalamina e sintomas neurológicos periféricos é amplamente documentada na literatura médica. Pesquisas recentes reforçam que a reposição adequada pode reverter parte dos danos quando iniciada precocemente.
De acordo com a revisão sistemática The Neurological Sequelae of Vitamin B12 Deficiency, publicada na revista Cureus em 2025, a deficiência de vitamina B12 é uma causa reconhecida de neuropatia periférica, declínio cognitivo e mielopatia. A análise de dez ensaios clínicos randomizados mostrou que a suplementação melhora os sintomas neurológicos em pacientes com deficiência confirmada, e que a via oral apresenta eficácia semelhante à intramuscular, com melhor tolerabilidade e menor custo.

Como é feito o diagnóstico e a reposição adequada?
O diagnóstico começa pela dosagem sérica de vitamina B12, considerada baixa geralmente abaixo de 200 pg/ml, com zona limítrofe entre 200 e 300 pg/ml. Quando a suspeita clínica é forte e a dosagem é limítrofe, exames complementares como homocisteína e ácido metilmalônico ajudam a confirmar a deficiência precoce, antes que o hemograma mostre alterações.
A reposição é definida pelo médico conforme a gravidade e a causa. Em casos de má absorção grave ou sintomas neurológicos importantes, costuma-se iniciar com injeções intramusculares de cianocobalamina ou hidroxocobalamina, com doses diárias na primeira semana, seguidas de doses semanais e depois mensais de manutenção. Em quadros leves ou por dieta insuficiente, a suplementação oral em altas doses tende a ser eficaz. Diante de formigamento persistente, queimação nos pés ou perda de equilíbrio, a avaliação com clínico geral, neurologista ou hematologista é essencial para investigar a causa e definir o tratamento individualizado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação médica.









