O alcaçuz preto pode parecer apenas um doce antigo, mas em excesso pode afetar o equilíbrio de minerais no sangue. O alerta envolve principalmente pessoas acima dos 40 anos, porque o consumo repetido pode derrubar o potássio e favorecer batimentos cardíacos irregulares.
Por que o alcaçuz afeta o coração
A raiz de alcaçuz contém glicirrizina, substância que pode fazer o corpo reter sódio e perder potássio pela urina. Quando o potássio cai demais, os músculos e o coração podem funcionar pior.
Segundo a American Heart Association, a FDA já alertou que comer cerca de 56 g de alcaçuz preto por dia durante duas semanas pode causar ritmo cardíaco irregular em pessoas com mais de 40 anos. É por isso que a relação alcaçuz coração merece atenção.

Sinais de potássio baixo
A queda do potássio, chamada hipocalemia, pode começar de forma discreta. O risco aumenta quando a pessoa consome alcaçuz com frequência e também usa medicamentos que favorecem perda de potássio.
- Fraqueza muscular ou câimbras;
- Palpitações ou sensação de coração “falhando”;
- Tontura, desmaio ou mal-estar súbito;
- Pressão arterial mais alta que o habitual;
- Cansaço intenso, tremores ou sensação de pernas pesadas.
O que um estudo científico mostrou
Esse risco já apareceu em publicações médicas porque o excesso de alcaçuz pode imitar efeitos hormonais que alteram a pressão e os eletrólitos. Quando o potássio cai muito, a alteração pode aparecer no eletrocardiograma e evoluir para arritmias perigosas.
Segundo o relato de caso científico Life-threatening ventricular tachycardia due to liquorice-induced hypokalaemia, publicado no Journal of Internal Medicine, uma mulher de 44 anos apresentou episódios repetidos de taquicardia ventricular grave após consumir alcaçuz diariamente por cerca de 4 meses. O potássio inicial estava em 2,3 mmol/L e os episódios cessaram após reposição e interrupção do consumo.
Quem deve evitar excesso
Algumas pessoas têm maior chance de complicações, mesmo com quantidades que parecem inofensivas no dia a dia. O cuidado vale para doces, chás, extratos e suplementos com alcaçuz.
- Pessoas com pressão alta ou doença cardíaca;
- Quem já teve arritmia, desmaios ou palpitações;
- Pessoas com doença renal;
- Quem usa diuréticos, corticoides ou remédios que mexem no potássio;
- Adultos acima de 40 anos que consomem alcaçuz preto com frequência.

Como consumir com segurança
O consumo ocasional e pequeno tende a ser menos preocupante para a maioria das pessoas, mas o hábito diário em grande quantidade deve ser evitado. Também é importante diferenciar alcaçuz verdadeiro de doces apenas aromatizados, pois nem todos contêm glicirrizina.
Se surgirem palpitações, fraqueza intensa, tontura ou desmaio após consumir alcaçuz, procure atendimento e informe esse detalhe ao profissional de saúde. Entenda também quando a arritmia cardíaca pode precisar de investigação, especialmente quando há uso de remédios ou alterações de potássio.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









