A infecção urinária recorrente é definida, em geral, quando a pessoa tem 2 ou mais episódios em 6 meses, ou 3 ou mais em 1 ano. Para quem vive esse ciclo, a promessa de passar meses sem nova crise chama atenção, especialmente quando envolve uma estratégia não antibiótica, como a vacina bacteriana sublingual estudada em ensaio clínico.
O que é a vacina sublingual
A vacina sublingual MV140, também conhecida como Uromune, contém bactérias inativadas relacionadas às infecções urinárias, como Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterococcus faecalis e Proteus vulgaris. Ela é aplicada embaixo da língua, com o objetivo de estimular a resposta imune das mucosas.
A ideia não é tratar uma crise ativa de infecção urinária, mas reduzir novas recorrências em pessoas selecionadas. Seu uso depende de disponibilidade, aprovação local e avaliação médica.

O que o ensaio clínico mostrou
Segundo o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo Sublingual MV140 for Prevention of Recurrent Urinary Tract Infections, publicado no NEJM Evidence, 240 mulheres com infecção urinária recorrente foram divididas para receber MV140 por 3 meses, MV140 por 6 meses ou placebo.
No período de 9 meses avaliado após o início da intervenção, a mediana de infecções urinárias foi 0 nos grupos que receberam MV140, contra 3 no grupo placebo. A proporção de mulheres sem nova infecção também foi maior com a vacina: 55,7% no grupo de 3 meses e 58,0% no grupo de 6 meses, contra 25,0% no placebo.
Por que isso pode ser importante
Quem tem infecção urinária recorrente muitas vezes usa antibióticos repetidas vezes, o que pode aumentar efeitos colaterais, alterar a flora vaginal e intestinal e contribuir para resistência bacteriana. Por isso, estratégias preventivas não antibióticas despertam interesse.
- Menos crises: o estudo mostrou redução no número de episódios em mulheres com recorrência.
- Mais tempo sem infecção: o intervalo até uma nova crise foi maior nos grupos que receberam MV140.
- Menor uso de antibiótico: reduzir episódios pode diminuir a necessidade de tratamentos repetidos.
- Prevenção personalizada: o benefício deve ser avaliado conforme histórico, cultura de urina e fatores de risco.
Sinais que merecem avaliação
Nem toda ardência ao urinar é infecção urinária, e nem toda infecção recorrente tem a mesma causa. Confirmar o diagnóstico com exame de urina e, em alguns casos, urocultura é importante antes de definir prevenção.
- Ardência ao urinar ou urgência para ir ao banheiro;
- Vontade frequente de urinar, mesmo com pouca urina;
- Dor no baixo ventre;
- Sangue na urina ou urina com cheiro forte;
- Febre, calafrios ou dor nas costas, que podem indicar infecção mais alta.

Como prevenir novas crises
O tratamento preventivo pode incluir hidratação, não segurar urina por muito tempo, urinar após relações sexuais, revisar métodos contraceptivos e tratar ressecamento vaginal na menopausa. Em algumas pessoas, o médico pode indicar antibiótico preventivo, estrogênio vaginal, metenamina ou outras medidas.
Para entender melhor causas, sintomas e tratamento, veja também o conteúdo sobre infecção urinária. A vacina sublingual é uma possibilidade em estudo e uso em alguns países, mas não substitui avaliação médica nem tratamento adequado durante uma crise.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









