A resistência a antibióticos já afeta infecções comuns do dia a dia, incluindo infecção urinária. O novo relatório global da OMS mostrou que parte importante das bactérias que causam esses quadros não responde mais a medicamentos usados com frequência, o que pode atrasar a melhora e aumentar o risco de complicações.
Por que isso preocupa
A infecção urinária costuma parecer simples, mas nem sempre melhora com o primeiro antibiótico. Quando a bactéria é resistente, o remédio pode não funcionar, os sintomas persistem e o risco de a infecção subir para os rins ou cair na corrente sanguínea aumenta.
O problema é maior quando antibióticos são usados sem exame, em dose errada ou interrompidos antes do tempo. Essas práticas favorecem a seleção de bactérias mais resistentes, especialmente a Escherichia coli, uma das principais causas de infecção urinária.

O que o estudo global da OMS mostrou
Segundo o relatório de vigilância Global antibiotic resistance surveillance report 2025, publicado pela Organização Mundial da Saúde, os dados de 2023 reuniram mais de 23 milhões de infecções bacterianas confirmadas em laboratório, incluindo infecções urinárias, gastrointestinais, de corrente sanguínea e gonorreia.
A OMS alertou que, em 2023, uma em cada seis infecções bacterianas comuns no mundo apresentou resistência ao tratamento antibiótico. Em algumas regiões, o cenário foi ainda mais grave, com cerca de uma em cada três infecções relatadas mostrando resistência.
O que muda na infecção urinária
Nas infecções urinárias, a preocupação envolve principalmente antibióticos muito usados contra bactérias gram-negativas, como fluoroquinolonas e cefalosporinas. Quando há resistência, o médico pode precisar ajustar o tratamento com base na urocultura.
- Ardência ao urinar que não melhora após iniciar tratamento;
- Vontade frequente de urinar, mesmo com pouca urina;
- Dor no baixo ventre ou sangue na urina;
- Febre, calafrios ou dor nas costas;
- Infecções urinárias que voltam várias vezes ao ano.
Quando fazer urocultura
A urocultura identifica qual bactéria está causando a infecção e quais antibióticos têm maior chance de funcionar. Ela é especialmente importante quando há repetição de crises, sintomas intensos, gravidez, doença renal, diabetes ou falha do tratamento inicial.
- Não use antibiótico por conta própria;
- Não reaproveite receita antiga;
- Não pare o remédio antes do prazo orientado;
- Avise o médico se já teve bactéria resistente;
- Procure atendimento rápido se houver febre ou dor lombar.

Como se proteger melhor
Prevenir resistência não significa evitar antibiótico quando ele é necessário, mas usá-lo do jeito certo. Em infecção urinária, isso inclui confirmar o diagnóstico, escolher o medicamento adequado e acompanhar a resposta aos sintomas.
Medidas simples também ajudam, como beber água ao longo do dia, não segurar urina por muito tempo e investigar crises recorrentes. Para entender melhor sintomas, exames e tratamento, veja também o conteúdo sobre infecção urinária.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









