Sentir a mandíbula estalar ao abrir a boca, ter dor perto do ouvido ao mastigar ou perceber que a articulação trava por alguns segundos são sinais que costumam apontar para uma disfunção temporomandibular, conhecida pela sigla DTM. O quadro afeta a articulação que une a mandíbula ao crânio e os músculos responsáveis pela mastigação, e costuma piorar em momentos de estresse, com o hábito de apertar os dentes durante o dia ou à noite. Reconhecer os sintomas cedo ajuda a evitar a evolução do problema e a buscar o tratamento correto, geralmente com dentista especializado em DTM e dor orofacial.
O que é a disfunção temporomandibular?
A disfunção temporomandibular é um conjunto de alterações que afetam a articulação temporomandibular, os músculos da mastigação e as estruturas próximas. Ela ocorre quando essa articulação, uma das mais utilizadas do corpo, é sobrecarregada por hábitos como bruxismo, apertamento dentário, mordidas desalinhadas ou traumas locais.
O quadro é mais comum em mulheres entre 20 e 45 anos e costuma se manifestar de forma gradual, com sintomas leves que se intensificam com o tempo. Vale entender melhor o que é a dor na ATM para reconhecer sinais precoces e buscar avaliação especializada.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas da DTM podem ser variados e envolver não apenas a mandíbula, mas também o ouvido, a cabeça e o pescoço. Reconhecer o conjunto de sinais facilita o diagnóstico e o encaminhamento adequado:
- Dor na mandíbula ou próxima ao ouvido, especialmente ao mastigar ou bocejar
- Estalos ou ruídos ao abrir e fechar a boca, com ou sem dor associada
- Travamento temporário da mandíbula em posição aberta ou fechada
- Dificuldade para abrir a boca por completo ou desvio ao movimentar
- Dor de cabeça nas têmporas, muitas vezes ao acordar
- Rigidez nos músculos da face, do pescoço e dos ombros
- Zumbido ou sensação de ouvido tampado sem infecção associada
- Cansaço facial ao falar, mastigar ou rir por muito tempo

O que piora os sintomas?
Alguns hábitos e situações do dia a dia sobrecarregam a articulação e agravam a DTM, mesmo quando a pessoa não percebe. Mastigar chicletes por longos períodos, roer unhas, apoiar o queixo na mão, dormir de bruços com o rosto pressionado no travesseiro e comer alimentos muito duros são exemplos comuns.
O estresse e a ansiedade também têm papel central, já que aumentam a tensão nos músculos da mastigação e favorecem o hábito de apertar os dentes durante o dia e à noite. Vale considerar tratamentos como a placa de bruxismo, dispositivo odontológico que reduz o impacto sobre a articulação durante o sono.
O que dizem os estudos científicos?
Pesquisas recentes em odontologia confirmam a ligação direta entre o hábito de apertar os dentes e o desenvolvimento de DTM, orientando estratégias de prevenção e tratamento. Segundo a revisão sistemática com meta-análise Is bruxism associated with temporomandibular joint disorders, publicada em 2023 na revista Evidence-Based Dentistry, a análise de 20 estudos mostrou que a presença de bruxismo aumenta em 2,25 vezes a chance de desenvolver disfunção temporomandibular.
O estudo aponta ainda que o bruxismo em vigília, hábito de apertar os dentes durante o dia, tem impacto ainda maior sobre a articulação do que o bruxismo do sono, o que reforça a importância de identificar e controlar esse comportamento em situações de tensão.
Como diferenciar de outras causas de dor?
A dor da DTM costuma se concentrar em frente ao ouvido, piorar ao mastigar e bocejar e vir acompanhada de estalos ou travamento, características que ajudam a diferenciá-la de infecções auriculares. Já a otalgia por otite provoca dor pulsátil dentro do ouvido, muitas vezes com febre, secreção e piora ao pressionar a orelha externa, sintomas raros na DTM.
Problemas dentários, como cáries profundas e abscessos, costumam causar dor localizada em um dente específico, com sensibilidade ao frio e ao quente, sem estalos articulares. Já dores no pescoço e sinusite podem produzir desconforto na região facial, mas sem os ruídos e travamentos típicos da articulação temporomandibular.

Como é feito o tratamento?
O tratamento da DTM costuma ser multidisciplinar e visa aliviar a dor, restaurar o movimento normal da mandíbula e reduzir os hábitos que agravam o quadro. As principais opções incluem:
- Placa oclusal noturna para reduzir a pressão sobre a articulação e proteger os dentes
- Fisioterapia orofacial com alongamentos, massagens e exercícios específicos
- Compressas mornas na região da mandíbula para relaxar a musculatura
- Anti-inflamatórios e relaxantes musculares em fases de crise, com prescrição médica
- Terapia cognitivo-comportamental para controle do estresse e da ansiedade
- Aplicação de toxina botulínica em casos selecionados com forte tensão muscular
- Mudança de hábitos, evitando chicletes, alimentos duros e apoio do rosto na mão
- Cirurgia, reservada para casos graves e resistentes ao tratamento conservador
O acompanhamento com dentista especializado em disfunção temporomandibular e dor orofacial é fundamental para definir a estratégia mais adequada em cada caso e evitar que o quadro evolua para dor crônica e limitação permanente dos movimentos da mandíbula.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se você apresenta dor, estalos ou travamento da mandíbula que atrapalham suas atividades diárias, procure um dentista especializado em DTM e dor orofacial para diagnóstico e tratamento adequados.









