Pés frios, dormentes e feridas que demoram a cicatrizar podem parecer problemas isolados da pele, da circulação ou do diabetes. Mas, quando se repetem, também podem indicar doença arterial periférica, uma condição em que as artérias das pernas ficam estreitas e reduzem a chegada de sangue aos pés.
Por que os pés dão pistas
A doença arterial periférica acontece, na maioria das vezes, por acúmulo de placas de gordura nas artérias. Com menos sangue circulando, os músculos, a pele e os tecidos dos pés recebem menos oxigênio.
Isso pode causar frio em um pé ou perna, dormência, dor ao caminhar e feridas que não fecham bem. O problema é que esses sinais podem ser confundidos com idade, neuropatia, má postura ou calçados apertados.
O que a revisão científica mostrou
Segundo a revisão científica Diabetes and peripheral artery disease: A review, publicada no World Journal of Diabetes, a doença arterial periférica é uma causa importante de úlceras que não cicatrizam, amputações e mortalidade, especialmente em pessoas com diabetes.
A revisão reforça que o reconhecimento precoce é essencial porque muitos pacientes não têm a dor clássica na panturrilha ao caminhar. Em alguns casos, o primeiro alerta pode ser uma ferida no pé que piora ou demora semanas para fechar.

Sinais que merecem atenção
Nem toda sensação de pé frio significa obstrução nas artérias, mas a combinação de sintomas deve motivar avaliação médica. Observe principalmente:
- pé ou perna mais fria de um lado do corpo;
- dormência, fraqueza ou peso nas pernas;
- dor na panturrilha, coxa ou nádega ao caminhar, que melhora com repouso;
- feridas nos dedos, pés ou pernas que cicatrizam lentamente;
- pele pálida, azulada, brilhante ou com perda de pelos;
- unhas dos pés crescendo mais devagar.
Quem tem maior risco
De acordo com a MedlinePlus, do NIH, a doença arterial periférica pode aumentar o risco de infarto, AVC e ataque isquêmico transitório. Alguns fatores tornam o problema mais provável:
- tabagismo atual ou passado;
- diabetes ou pré-diabetes;
- colesterol alto e pressão alta;
- idade avançada;
- histórico de doença cardíaca ou AVC;
- feridas recorrentes nos pés.

Como confirmar e agir cedo
O diagnóstico pode incluir exame físico dos pulsos nos pés, avaliação da pele e um teste simples chamado índice tornozelo-braquial, que compara a pressão medida no braço e no tornozelo. Em alguns casos, o médico solicita ultrassom Doppler ou outros exames de imagem.
O tratamento pode envolver parar de fumar, controlar colesterol, pressão e glicose, caminhar com orientação, usar medicamentos e, em casos mais graves, procedimentos para restaurar o fluxo de sangue. Para entender melhor sintomas e cuidados, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre doença arterial periférica.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, que deve orientar o diagnóstico e o tratamento mais adequado para cada pessoa.









