A dieta DASH e a redução do sódio conseguem diminuir a pressão arterial, mas atuam de maneiras diferentes. Cortar o excesso de sal pode produzir uma queda importante, especialmente em pessoas hipertensas ou sensíveis ao sódio. Já a DASH melhora o padrão alimentar como um todo. Os melhores resultados clínicos aparecem quando as duas estratégias são combinadas e mantidas com regularidade.
Como cada intervenção age sobre a pressão?
O sódio favorece a retenção de água e pode aumentar o volume de sangue circulante, elevando a pressão dentro dos vasos. Reduzir alimentos muito salgados ajuda os rins a controlar esse volume. Entretanto, a resposta não é igual para todos e pode ser mais intensa em idosos, pessoas com hipertensão, doença renal ou maior sensibilidade ao sal.
A dieta DASH vai além de retirar o sal. Ela prioriza frutas, verduras, leguminosas, cereais integrais, oleaginosas e laticínios com pouca gordura. Esse conjunto fornece potássio, magnésio, cálcio e fibras, nutrientes que participam do equilíbrio dos líquidos, do relaxamento dos vasos e do controle cardiovascular.
Qual estratégia costuma diminuir mais a pressão?
Em uma comparação direta, não existe uma resposta única para todas as pessoas. No ensaio DASH-Sodium, reduzir o sódio do nível mais alto para o mais baixo dentro da alimentação de controle diminuiu a pressão sistólica em cerca de 6,7 mmHg. A DASH, mesmo no nível mais alto de sódio, reduziu a pressão sistólica em aproximadamente 5,9 mmHg em relação à dieta de controle.
Esses números não significam que simplesmente cortar sal seja sempre superior. A resposta depende da pressão inicial, da quantidade de sódio consumida anteriormente e do padrão alimentar. A DASH oferece uma mudança mais ampla, enquanto a restrição isolada atua principalmente sobre o sódio. Quando aplicadas juntas, as intervenções somam mecanismos e tendem a superar mudanças isoladas.

Como montar uma alimentação no padrão DASH?
O padrão pode ser adaptado à rotina brasileira com alimentos simples e porções definidas conforme as necessidades individuais:
- Inclua frutas e hortaliças nas principais refeições e nos lanches.
- Consuma feijão, lentilha ou grão-de-bico com frequência para aumentar fibras e minerais.
- Prefira cereais integrais, como aveia, arroz integral e pão integral.
- Escolha proteínas magras, incluindo peixes, frango, ovos e cortes com menos gordura.
- Use laticínios com pouca gordura quando forem adequados à alimentação individual.
- Reduza doces, frituras e carnes processadas, que podem concentrar açúcar, gordura saturada e sódio.
Como diminuir o sódio sem perder o sabor?
Na dieta para hipertensão, grande parte do sódio pode vir de produtos industrializados, temperos prontos e refeições consumidas fora de casa:
- Leia os rótulos e compare a quantidade de sódio entre produtos semelhantes.
- Reduza embutidos, macarrão instantâneo, salgadinhos, conservas e molhos prontos.
- Tempere com alho, cebola, ervas, limão e especiarias em vez de depender apenas do sal.
- Escorra e lave alimentos enlatados quando não houver uma opção com menos sódio.
- Diminua o sal gradualmente para permitir que o paladar se adapte.
- Evite substituir livremente por sal de potássio sem orientação, sobretudo em caso de doença renal ou uso de determinados medicamentos.
Estudo confirma maior efeito da combinação
Segundo o ensaio clínico randomizado Effects on Blood Pressure of Reduced Dietary Sodium and the Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) Diet, publicado no New England Journal of Medicine, tanto a dieta DASH quanto a redução do sódio diminuíram a pressão. A combinação da DASH com o menor nível de sódio produziu a maior queda, chegando a 7,1 mmHg na pressão sistólica de participantes sem hipertensão e a 11,5 mmHg entre aqueles com hipertensão.
O estudo avaliou 412 adultos em condições alimentares controladas, o que fortalece a comparação, mas não significa que todos terão a mesma resposta em casa. A alimentação deve ser ajustada ao estado de saúde, às medicações e à função renal. Mesmo com melhora nas medições, remédios prescritos não devem ser suspensos sem avaliação médica.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Pessoas com pressão alta, doença renal, alterações cardíacas ou uso de anti-hipertensivos devem buscar orientação profissional antes de fazer restrições importantes de sódio ou modificar o tratamento.









