Perceber as pernas ou os tornozelos inchados sem ter feito esforço, passado muitas horas em pé ou enfrentado calor intenso pode ser uma pista de retenção de líquidos. Embora o edema tenha várias causas, ele também pode aparecer quando os rins perdem proteínas pela urina ou deixam de eliminar sódio e água adequadamente. Se o sintoma for frequente, atingir os dois lados ou vier acompanhado de mudanças na urina, a investigação médica ajuda a identificar o problema antes que ele avance.
Por que alterações nos rins causam inchaço?
Os rins mantêm o equilíbrio de água e sais no organismo e ajudam a conservar proteínas importantes no sangue. Quando a filtração diminui, sódio e líquido podem se acumular, aumentando o volume nos tecidos. Por causa da gravidade, o edema costuma ficar mais perceptível nos pés, tornozelos e pernas, especialmente ao final do dia.
Outra possibilidade é a proteinúria, condição em que proteínas, principalmente a albumina, atravessam os filtros renais e são eliminadas na urina. Com menos albumina no sangue, o líquido sai dos vasos com maior facilidade e se acumula sob a pele. Também podem surgir urina espumosa, aumento rápido do peso e pálpebras inchadas.
Estudo explica como o edema pode surgir
Segundo a revisão por pares Etiology and Management of Edema: A Review, publicada na revista Advances in Kidney Disease and Health, o edema ocorre quando há um desequilíbrio entre a passagem de líquido pelos vasos sanguíneos e sua retirada dos tecidos. O trabalho descreve a síndrome nefrótica entre as condições relacionadas ao problema.
A revisão científica explica que tanto a perda de proteínas quanto a retenção renal de sódio podem participar da formação do inchaço. A Sociedade Brasileira de Nefrologia também inclui a retenção de líquidos, com edema nas pernas, tornozelos ou pés, entre os possíveis sinais de insuficiência renal.

Quais sinais podem acompanhar o inchaço renal?
Algumas características aumentam a necessidade de avaliar a função dos rins:
- inchaço nos dois pés ou nas duas pernas sem causa evidente;
- marca profunda da meia ou do dedo ao pressionar a pele;
- urina com espuma persistente, sangue ou mudança de cor;
- redução ou aumento incomum da quantidade de urina;
- pálpebras ou rosto inchados, principalmente pela manhã;
- ganho rápido de peso em poucos dias;
- pressão alta, cansaço, náusea ou falta de apetite.
Quais exames ajudam a investigar os rins?
A avaliação costuma combinar exames de sangue, urina e, quando necessário, métodos de imagem:
- creatinina no sangue e cálculo da taxa de filtração glomerular;
- ureia e dosagem de eletrólitos, como sódio e potássio;
- exame de urina tipo 1 para procurar sangue, proteínas e outras alterações;
- relação albumina-creatinina ou proteína-creatinina em amostra de urina;
- proteinúria de 24 horas em situações selecionadas;
- albumina no sangue, principalmente quando o edema é intenso;
- ultrassonografia dos rins e das vias urinárias conforme a suspeita clínica.

Quando o inchaço exige atendimento rápido?
Nem todo inchaço é provocado pelos rins. Má circulação, varizes, insuficiência cardíaca, doenças do fígado, alterações da tireoide e alguns medicamentos também podem causar pés inchados. Quando apenas uma perna aumenta de volume de repente, fica vermelha, quente ou dolorosa, é necessário procurar atendimento para descartar trombose ou infecção.
Falta de ar, dor no peito, diminuição intensa da urina, confusão, fraqueza importante ou inchaço que aumenta rapidamente também exigem avaliação imediata. Não se deve tomar diuréticos nem restringir água por conta própria, pois essas medidas podem agravar a função renal. Nos casos persistentes, é recomendado buscar orientação de um clínico geral ou nefrologista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Inchaço persistente nas pernas, especialmente quando acompanhado de urina espumosa, pressão alta, falta de ar ou redução do volume urinário, deve ser avaliado por um profissional de saúde.









