A lesão no bíceps femoral é uma das mais temidas do futebol e pode assumir formas leves, com desconforto passageiro, ou graves, com ruptura completa das fibras ou descolamento do tendão do osso, quadro conhecido como avulsão. No caso do zagueiro Éder Militão, cortado da Copa, a extensão da lesão foi grande o suficiente para exigir cirurgia, procedimento indicado quando o tratamento conservador não é capaz de restaurar totalmente a função do músculo em atletas de alto rendimento.
O que é o bíceps femoral e qual sua função?
O bíceps femoral é um dos três músculos que formam o grupo dos isquiotibiais, localizado na parte de trás da coxa. Ele participa da flexão do joelho, da extensão do quadril e do controle da desaceleração durante corridas rápidas e mudanças de direção.
Esse músculo é especialmente exigido em jogadores de futebol, atletismo e basquete, porque atua justamente nos movimentos explosivos, como arrancadas, freadas e chutes, situações em que o risco de lesão é maior.
Como acontece a lesão no bíceps femoral?
A maioria das lesões ocorre durante uma contração excêntrica, quando o músculo é alongado ao mesmo tempo em que se contrai para frear o movimento da perna. Esse mecanismo é típico de sprints, chutes fortes e desacelerações bruscas.
Fatores como fadiga, aquecimento inadequado, desequilíbrio muscular entre quadríceps e isquiotibiais e histórico de lesão prévia aumentam o risco. Muitas vezes o atleta sente uma “fisgada” súbita na parte posterior da coxa, quadro clássico de estiramento na coxa.

Qual é a diferença entre estiramento leve e ruptura grave?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as lesões musculares são divididas em três graus, com apresentações e prognósticos bem diferentes:
- Grau I (leve): microlesões nas fibras, com dor discreta, sem perda importante de força e recuperação em cerca de duas a três semanas;
- Grau II (moderado): ruptura parcial das fibras, com dor mais intensa, hematoma, limitação para caminhar e recuperação de quatro a oito semanas;
- Grau III (grave): ruptura completa do músculo ou do tendão, com dor súbita, incapacidade de contrair a musculatura e, muitas vezes, sensação de “estalo” no momento da lesão;
- Avulsão tendínea: o tendão se descola do osso, quadro mais grave, que tende a exigir reparo cirúrgico e reabilitação prolongada.
Nos casos mais graves, o retorno seguro ao esporte pode levar de três a seis meses, dependendo da técnica cirúrgica e da resposta individual à fisioterapia.
Qual o papel da ressonância magnética no diagnóstico?
O exame clínico levanta a suspeita, mas é a imagem que define a gravidade. A ressonância magnética permite visualizar com precisão a extensão da ruptura, o volume do hematoma e a distância de retração do tendão, dados fundamentais para decidir entre tratamento conservador e cirurgia.
Nas avulsões, o exame mostra se o tendão se soltou totalmente do osso e quantos centímetros ele se afastou do ponto original. Retrações maiores costumam ter indicação cirúrgica, pois a cicatrização espontânea deixaria o músculo enfraquecido, com alto risco de nova lesão muscular ao retomar a atividade esportiva.

O que um estudo científico mostra sobre essas lesões?
A conduta cirúrgica em rupturas graves dos isquiotibiais é embasada por revisões da literatura ortopédica. Um artigo de atualização publicado na Revista Brasileira de Ortopedia (SciELO) reuniu evidências sobre diagnóstico, classificação e tratamento dessas lesões em atletas.
Segundo o Lesões dos isquiotibiais artigo de atualização publicado na Revista Brasileira de Ortopedia, a ressonância magnética é o exame de escolha para diagnosticar e classificar essas lesões, e o tratamento cirúrgico é recomendado principalmente em avulsões tendíneas com retração significativa, quadros em que o reparo anatômico oferece as melhores chances de recuperação da força e de retorno ao nível esportivo prévio.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ortopedista ou de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dor súbita, inchaço ou perda de força na coxa, procure orientação médica presencial para diagnóstico e tratamento adequados.









