Tomar uma xícara de chá de camomila antes de dormir é um dos hábitos mais tradicionais para relaxar e favorecer o sono, e a ciência tem se debruçado sobre esse efeito nos últimos anos. A planta contém apigenina, um flavonoide que se liga a receptores cerebrais ligados ao relaxamento, ajudando a reduzir a agitação mental e a preparar o corpo para o descanso. Ainda assim, é importante entender o que os estudos já confirmam, o que ainda é considerado promissor e em quais situações a bebida não substitui uma avaliação médica adequada.
Como a camomila age no corpo para favorecer o sono?
A camomila (Matricaria chamomilla) contém apigenina, bisabolol e outros flavonoides que atuam no sistema nervoso central de forma suave. A apigenina se conecta aos mesmos receptores cerebrais que respondem a calmantes leves, sem provocar dependência.
Esse efeito ajuda a desacelerar pensamentos, aliviar a tensão muscular e facilitar o adormecer. Por isso, o chá é usado há séculos como aliado em quadros de ansiedade leve e insônia ocasional, sendo um dos chás mais indicados para acalmar o sistema nervoso.
O que uma revisão científica mostra sobre a camomila e o sono?
As evidências deixaram de ser apenas sabedoria popular e passaram a ser avaliadas em ensaios clínicos bem conduzidos. Segundo a revisão sistemática com meta-análise Effects of chamomile Matricaria chamomilla L on sleep A systematic review and meta-analysis of clinical trials publicada na revista Complementary Therapies in Medicine em 2024 e indexada no PubMed, o uso da camomila melhorou de forma significativa a qualidade do sono em adultos.
O trabalho reuniu dez ensaios clínicos com 772 participantes e mostrou redução importante no escore do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, principalmente pela diminuição dos despertares noturnos. Nenhum efeito adverso grave foi relatado nos estudos analisados.

Quais benefícios já são considerados prováveis?
As pesquisas apontam para efeitos mais consistentes em alguns aspectos do sono e do bem-estar. Entre os benefícios mais observados nos estudos clínicos estão:
- Melhora da qualidade geral do sono avaliada por escalas padronizadas
- Redução do número de despertares durante a noite
- Facilidade um pouco maior para pegar no sono
- Alívio de sintomas leves de ansiedade e agitação mental
- Ação digestiva suave, útil para quem sente desconforto após o jantar
- Baixo risco de efeitos colaterais em adultos saudáveis
O que ainda falta ser comprovado?
Apesar dos resultados favoráveis, os próprios pesquisadores reforçam que ainda existem lacunas importantes. Alguns pontos que precisam de mais evidência são:
- Efeito sobre a duração total do sono, que não mostrou mudança significativa
- Impacto na eficiência do sono e no funcionamento durante o dia
- Uso em longo prazo, por meses ou anos seguidos
- Benefícios em pessoas com insônia crônica grave, e não apenas ocasional
- Comparação direta com medicamentos convencionais para o sono
- Dose ideal, forma de preparo padronizada e concentração de apigenina
Ou seja, a camomila mostra benefícios reais, mas ainda são necessários estudos maiores, com medidas objetivas, para confirmar o quanto ela ajuda em cada situação.

Quais cuidados tomar antes de incluir na rotina?
Apesar de ser considerada segura para a maioria das pessoas, a camomila exige atenção em situações específicas. A planta pode interagir com anticoagulantes, sedativos e antidepressivos, e provocar reações em quem tem alergia a plantas da família das margaridas. Gestantes, lactantes e pessoas com doenças crônicas devem conversar com o médico antes de tornar o consumo diário.
Vale lembrar que dificuldade para dormir mais de três vezes por semana durante mais de três meses pode indicar insônia crônica e merece investigação. Nesses casos, além dos chás, o médico pode avaliar causas como ansiedade, depressão ou apneia do sono e indicar o tratamento mais adequado, incluindo orientações sobre alimentação saudável e hábitos que favorecem o descanso noturno.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança diante de qualquer sintoma persistente.








