A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma lesão grave no joelho, comum em atletas de futebol, que ocorre quando essa estrutura interna se rompe parcial ou totalmente, causando dor intensa, inchaço e sensação de instabilidade. O caso do jogador Rodrygo, cortado da Copa por essa lesão, chamou atenção para uma condição que exige cirurgia na maioria dos casos e um longo período de reabilitação, geralmente entre seis e nove meses, antes do retorno seguro ao esporte de alto rendimento.
Qual é a função do LCA no joelho?
O ligamento cruzado anterior é uma estrutura fibrosa localizada dentro da articulação do joelho, entre o fêmur e a tíbia. Sua principal função é dar estabilidade, impedindo o deslocamento excessivo da tíbia para frente e controlando os movimentos de rotação.
Sem o LCA íntegro, o joelho perde firmeza em ações que exigem giros rápidos, aceleração e desaceleração, movimentos essenciais no futebol, no basquete e em outros esportes que envolvem mudanças bruscas de direção.
Como acontece a ruptura do ligamento cruzado anterior?
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a maioria das rupturas do LCA ocorre sem contato direto com outro jogador. O mecanismo típico envolve o pé fixo no chão enquanto o joelho gira internamente, com o corpo mudando de direção subitamente.
Esse movimento gera uma torção conhecida como valgo dinâmico, na qual o joelho colapsa para dentro. Nesse instante, muitos atletas relatam ouvir um estalo audível, seguido de dor intensa, inchaço rápido e a sensação de que a articulação falhou, quadro típico de uma entorse no joelho grave.

Quais sintomas indicam a lesão?
Reconhecer os sinais logo após o trauma ajuda no diagnóstico precoce e no encaminhamento correto ao ortopedista. Os principais sintomas são:
- Estalo audível no momento da torção, muitas vezes descrito pelo atleta como um “estouro” dentro do joelho;
- Inchaço rápido nas primeiras horas, causado por sangramento interno na articulação;
- Dor intensa que dificulta apoiar o peso na perna afetada;
- Sensação de instabilidade, como se o joelho fosse “sair do lugar” ao caminhar;
- Limitação de movimento, com dificuldade para dobrar ou esticar a perna completamente.
A confirmação é feita por exame clínico e ressonância magnética, capaz de mostrar a extensão do rompimento e possíveis lesões associadas, como no menisco ou em outros ligamentos, característica comum das lesões nos ligamentos do joelho.
Por que a cirurgia com enxerto é o tratamento padrão?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), o LCA não cicatriza sozinho, pois vive imerso no líquido sinovial, que dificulta a reparação natural. Por isso, o tratamento padrão em atletas e pessoas ativas é a reconstrução cirúrgica com enxerto, geralmente retirado do tendão patelar ou dos tendões flexores do próprio paciente.
A cirurgia é feita por videoartroscopia, com incisões mínimas, e busca restaurar a estabilidade da articulação. O procedimento reduz o risco de novas entorses e previne o desgaste precoce das estruturas do joelho, uma das complicações mais frequentes da lesão do ligamento cruzado anterior quando não tratada adequadamente.

Como um estudo científico explica o tempo de reabilitação?
A demora na volta ao esporte não é apenas cautela dos médicos, mas uma recomendação baseada em evidências. Um estudo transversal com cirurgiões brasileiros de joelho, publicado na Revista Brasileira de Ortopedia (SciELO), avaliou práticas atuais de tratamento e reabilitação do LCA no país e trouxe dados importantes sobre o retorno esportivo.
Segundo o Lesão do ligamento cruzado anterior tratamento e reabilitação publicado na Revista Brasileira de Ortopedia, quase 89% dos cirurgiões consideram ideal um período igual ou superior a seis meses antes do retorno de um atleta às atividades esportivas. Esse tempo é necessário para que o enxerto se integre ao osso, a musculatura da coxa recupere força e o controle neuromuscular seja restabelecido, reduzindo o risco de nova ruptura, complicação frequente quando a volta é precipitada.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ortopedista ou de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dor, inchaço ou instabilidade no joelho, procure orientação médica presencial para diagnóstico e tratamento adequados.









