A lesão no posterior da coxa, que voltou ao noticiário após o afastamento de Paquetá, tem cura na maioria dos casos, desde que o tratamento seja conduzido de forma correta desde os primeiros dias. Esse tipo de estiramento afeta os músculos isquiotibiais, muito exigidos em corridas rápidas, saltos e mudanças bruscas de direção, o que explica sua alta ocorrência entre jogadores de futebol. Entender o que envolve a recuperação ajuda a compreender por que atletas costumam ficar semanas fora dos gramados e por que o retorno precoce pode transformar uma lesão simples em um problema recorrente.
O que é a lesão no posterior da coxa?
A parte de trás da coxa é formada por três músculos principais, conhecidos como isquiotibiais: bíceps femoral, semitendíneo e semimembranoso. Eles são responsáveis por dobrar o joelho e estender o quadril, movimentos essenciais no futebol.
Quando esse grupo muscular é forçado além da sua capacidade, ocorre ruptura parcial ou total das fibras, causando dor súbita, perda de força e, muitas vezes, hematoma visível. A lesão pode variar de leve a grave e o grau costuma ser definido por exames de imagem, como ultrassom ou ressonância magnética.
Quais são os sintomas mais comuns?
Os sinais aparecem de forma repentina, geralmente durante uma arrancada ou finalização, e obrigam o atleta a interromper a atividade imediatamente. O estiramento na coxa costuma ser confundido com uma câimbra intensa nos primeiros momentos, mas evolui com dor persistente e limitação funcional.
Entre os principais sintomas estão dor aguda na parte de trás da coxa, sensação de “estalo” no momento da lesão, inchaço, mancha roxa que pode descer até o joelho ou panturrilha nos dias seguintes, além de fraqueza ao dobrar o joelho. Casos mais graves podem exigir muletas para evitar carga sobre o membro.

Por que essa lesão é tão comum em jogadores de futebol?
Os isquiotibiais são particularmente vulneráveis porque cruzam duas articulações e são exigidos em movimentos explosivos de aceleração e desaceleração. Fadiga acumulada, aquecimento insuficiente e desequilíbrio de força entre a parte da frente e a parte de trás da coxa aumentam ainda mais o risco.
Histórico de lesões anteriores também é um fator relevante, já que a distensão muscular mal cicatrizada tende a se repetir, especialmente nas primeiras semanas após o retorno ao esporte. Por isso, respeitar cada fase do tratamento é tão importante quanto o próprio diagnóstico inicial.
O que um estudo científico diz sobre a reabilitação?
Para entender por que essa lesão exige tanta paciência, pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de São Paulo revisaram as principais evidências sobre reabilitação nos bancos de dados PubMed, Scielo e Cochrane. Segundo a revisão de literatura Reabilitação nas lesões musculares dos isquiotibiais publicada na Revista Brasileira de Ortopedia, cerca de um terço das lesões nessa região voltam a acontecer, e boa parte das recidivas ocorre nas duas primeiras semanas após o retorno ao esporte.
Os autores destacam que uma reabilitação bem conduzida, com objetivo de restaurar o mesmo nível funcional anterior, é decisiva para reduzir o risco de recaída. O tratamento combina crioterapia, exercícios progressivos, terapia manual e critérios rigorosos para liberar o atleta a treinar novamente.

Como funciona o tratamento e o retorno às atividades?
O tratamento costuma ser conservador, ou seja, sem cirurgia, e envolve várias etapas complementares. As causas de dor na corrida mostram que respeitar o tempo de cicatrização é o principal fator para evitar novas lesões, mesmo quando o atleta se sente bem antes do previsto.
De forma geral, a reabilitação segue estas etapas:
- Repouso inicial nas primeiras 48 a 72 horas, com aplicação de gelo, compressão e elevação do membro para reduzir inchaço
- Controle da dor com uso de medicamentos indicados pelo médico e restrição de carga sobre a perna
- Fisioterapia orientada, com técnicas manuais e recursos como ultrassom terapêutico e laser, conforme a fase da lesão
- Fortalecimento progressivo, incluindo exercícios excêntricos para os isquiotibiais e trabalho de glúteos, core e lombar
- Recondicionamento físico com corrida leve, mudanças de direção controladas e simulações de movimentos do esporte
- Retorno gradual aos treinos completos, respeitando critérios de força, mobilidade e ausência de dor
Cada organismo responde de forma diferente, e o tempo até o retorno depende do grau da lesão, da resposta ao tratamento e da avaliação médica contínua. Pular etapas ou antecipar treinos intensos aumenta bastante a chance de nova ruptura no mesmo local.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de sintomas ou dúvidas, procure orientação médica.









