A nova lei do diabetes tipo 1 amplia direitos importantes para quem precisa medir a glicose, aplicar insulina, se alimentar em horários específicos e transportar equipamentos de tratamento no dia a dia. A mudança busca reduzir barreiras em escolas, locais de trabalho e concursos, além de reforçar o acesso a medicamentos e insumos pelo SUS.
O que muda na prática
A regra não substitui o acompanhamento médico, mas fortalece a proteção de pessoas com diabetes tipo 1 em situações comuns da rotina. Isso inclui estudar, trabalhar, fazer provas, circular com insulina e usar dispositivos de monitoramento sem constrangimento.
De acordo com a Lei nº 15.439, de 26 de junho de 2026, ficam assegurados, independentemente de avaliação biopsicossocial, o acesso a medicamentos, insumos para aplicação de insulina e monitoramento da glicemia, além do porte e uso de glicosímetro, sensor, bomba de insulina e demais itens necessários ao tratamento.
Direitos na escola e no trabalho
A lei prevê adaptações razoáveis para que a pessoa com diabetes tipo 1 consiga manter o tratamento sem prejuízo às atividades. Isso é importante porque glicemia baixa ou alta pode exigir ação rápida, como medir a glicose, comer ou aplicar insulina.
- Pausas em aulas, trabalho e provas de concurso para monitorar a glicemia;
- Permissão para aplicar insulina e consumir alimentos quando necessário;
- Uso de glicosímetro, sensor de glicose, bomba de insulina e insumos;
- Adaptação de atividades escolares quando indicada;
- Adaptação no trabalho mediante laudo médico.

Acesso a medicamentos e insumos
O texto reforça o direito ao acesso a medicamentos destinados ao tratamento da doença e aos insumos necessários para administrar insulina e medir a glicose, conforme as normas do SUS. Na prática, isso dá mais base legal para cobrar continuidade do cuidado.
A lei também veda discriminação em razão do diabetes tipo 1, de suas complicações ou do uso de equipamentos de tratamento em ambientes públicos e privados. Isso inclui situações em que a pessoa seja impedida de entrar com insulina, sensor ou alimentos necessários para evitar hipoglicemia.
O que diz um estudo científico
O manejo do diabetes tipo 1 fora de casa depende de organização, apoio e acesso a ferramentas de controle. Essa necessidade é ainda mais evidente em crianças e adolescentes, que passam boa parte do dia na escola e podem precisar de ajuda para medir a glicose ou ajustar a alimentação.
Segundo a revisão de escopo Implementation of School Diabetes Care in the US, publicada no The Journal of School Nursing, a qualidade do cuidado escolar em diabetes envolve capacitação, comunicação entre família e escola, apoio de profissionais e condições para monitoramento e aplicação de insulina com segurança.
Outros pontos que merecem atenção
A lei também garante cardápios escolares adequados, horários flexíveis de alimentação e acesso dos pais ou responsáveis a informações nutricionais das refeições. Além disso, o laudo médico que confirma o diagnóstico de diabetes tipo 1 passa a ter validade indeterminada.
- A condição poderá ser incluída na Carteira de Identidade Nacional em situações úteis para emergência;
- Pais ou responsáveis poderão solicitar adaptação de jornada quando necessário ao acompanhamento do tratamento;
- O enquadramento como pessoa com deficiência não é automático e depende dos critérios do Estatuto da Pessoa com Deficiência;
- As pausas e adaptações devem seguir regulamentação e documentos médicos quando exigidos.

Como organizar documentos e cuidados
Para usar os direitos com segurança, é recomendado manter laudo médico atualizado, plano de tratamento, lista de medicamentos, orientação sobre hipoglicemia e contatos de emergência. Também ajuda informar escola ou trabalho sobre sinais de alerta, como tremor, suor frio, confusão, sonolência e irritabilidade.
Quem vive com a condição deve manter acompanhamento regular para ajustar insulina, alimentação e monitoramento da glicose. Para entender melhor sintomas, tratamento e cuidados diários, veja também este conteúdo sobre diabetes tipo 1.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









