O cérebro é o órgão que mais consome oxigênio no corpo e, justamente por isso, está entre os mais sensíveis ao chamado estresse oxidativo, processo ligado ao envelhecimento das células nervosas e à perda gradual da memória. Para enfrentar esse desgaste, dois nutrientes aparecem com frequência nas recomendações de neurologistas e nutricionistas: o ômega 3, presente em peixes e sementes, e a vitamina E, antioxidante encontrado em oleaginosas e óleos vegetais. Juntos, eles atuam de forma complementar na proteção dos neurônios.
Qual o papel do ômega 3 no cérebro?
O ômega 3 é uma gordura essencial, que o corpo não produz e precisa obter pela alimentação. Suas formas mais ativas, o EPA e o DHA, fazem parte da estrutura das membranas dos neurônios e participam da comunicação entre as células nervosas.
Ele também tem ação anti-inflamatória e ajuda a manter o fluxo sanguíneo cerebral, fatores associados à preservação da memória, da atenção e do humor ao longo da vida. Por isso, dietas ricas em peixes costumam estar ligadas a um envelhecimento cognitivo mais saudável.
Por que a vitamina E é importante para os neurônios?
A vitamina E é um dos principais antioxidantes lipossolúveis do organismo, ou seja, atua diretamente nas gorduras das membranas celulares, justamente o local onde o ômega 3 está concentrado. Ela impede que essas gorduras sejam oxidadas pelos radicais livres.
Sem vitamina E suficiente, o ômega 3 fica mais vulnerável à oxidação, perdendo parte do efeito protetor. Esse vínculo explica por que muitas fórmulas e recomendações alimentares aparecem com os dois nutrientes em conjunto, especialmente para a saúde do sistema nervoso.
O que mostra o estudo publicado no International Journal for Vitamin and Nutrition Research
O efeito conjunto desses nutrientes foi avaliado em uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados, com avaliação por pares. Segundo o estudo Estudo retrospectivo multicêntrico sobre desbridamento anterior, descompressão, enxerto ósseo e instrumentação para tuberculose cervical, publicado no International Journal for Vitamin and Nutrition Research, a co-suplementação de ômega 3 e vitamina E reduziu significativamente marcadores de inflamação no organismo e aumentou a capacidade antioxidante total, sinalizando uma ação combinada contra o estresse oxidativo associado ao envelhecimento das células, incluindo as do sistema nervoso. A análise reuniu sete estudos com 504 participantes.

Quais alimentos oferecem esses nutrientes
Antes de pensar em suplementos, vale conhecer as principais fontes alimentares dos dois nutrientes. Combinar essas opções ao longo da semana já oferece um bom aporte para a maioria dos adultos saudáveis.
- Fontes de ômega 3: salmão, sardinha, atum, anchova, linhaça, chia, nozes e óleo de canola.
- Fontes de vitamina E: amêndoas, avelãs, sementes de girassol, abacate, espinafre, óleo de gérmen de trigo, azeite de oliva e óleos vegetais.
- Combinações práticas: salada de folhas verdes com salmão e sementes de girassol; iogurte com linhaça e amêndoas; aveia com chia e nozes.
- Consumir peixes pelo menos duas vezes por semana e incluir uma porção diária de oleaginosas é uma estratégia simples para somar os dois nutrientes.
Quando a suplementação pode ser considerada?
A suplementação só deve ser pensada com orientação profissional, geralmente em pessoas com baixa ingestão de peixes, idosos com queixas cognitivas leves, pacientes com doenças inflamatórias crônicas ou em casos específicos avaliados por médico ou nutricionista. O excesso, especialmente de vitamina E em altas doses, pode trazer riscos como aumento da tendência a sangramentos.
Quem usa anticoagulantes, tem distúrbios de coagulação ou está em pré-operatório deve sempre conversar com o médico antes de iniciar qualquer suplemento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado.









