Uma pesquisa realizada com ratos revelou que bactérias comuns do sistema respiratório podem chegar ao cérebro em menos de 72 horas quando introduzidas pelo nariz, desencadeando alterações associadas ao Alzheimer. O estudo, conduzido por cientistas australianos, levantou a hipótese de que o hábito de cutucar o nariz poderia facilitar a entrada desses microrganismos ao danificar o revestimento interno da cavidade nasal. Embora os resultados ainda não tenham sido confirmados em humanos, a descoberta abriu uma linha de investigação inédita sobre como infecções nasais podem estar relacionadas ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.
O que o estudo descobriu nos ratos?
Os pesquisadores da Universidade Griffith, na Austrália, introduziram pelo nariz de ratos uma bactéria chamada Chlamydia pneumoniae, que normalmente causa infecções respiratórias em humanos. Em apenas 72 horas, a bactéria conseguiu percorrer o nervo que conecta a cavidade nasal ao cérebro e foi encontrada em diversas regiões cerebrais, incluindo o bulbo olfatório.
O dado mais relevante foi que as células cerebrais dos ratos responderam à presença da bactéria produzindo depósitos de uma proteína que é considerada uma das marcas do Alzheimer. Além disso, quando o revestimento interno do nariz estava lesionado (simulando danos semelhantes aos que poderiam ser causados ao cutucar o nariz), a infecção nos nervos e no cérebro se tornou ainda mais intensa.
O estudo original publicado na Scientific Reports
Essa descoberta foi documentada com rigor científico e ganhou repercussão internacional. Segundo o estudo Chlamydia pneumoniae Can Infect the Central Nervous System via the Olfactory and Trigeminal Nerves and Contributes to Alzheimer’s Disease Risk, publicado na revista Scientific Reports em 2022, a bactéria Chlamydia pneumoniae foi capaz de infectar os nervos olfatório e trigêmeo, o bulbo olfatório e o cérebro dos ratos em até 72 horas após a introdução nasal. Os pesquisadores também identificaram a ativação de mais de 500 genes relacionados ao Alzheimer nos cérebros infectados, reforçando a hipótese de que infecções nasais crônicas podem contribuir para o risco da doença.
Por que o nariz é uma porta de entrada para o cérebro?
A cavidade nasal tem uma conexão anatômica direta com o cérebro por meio do nervo olfatório, responsável pelo sentido do olfato. Diferente de outras regiões do corpo, essa via nervosa não conta com a mesma proteção que a barreira que normalmente impede a entrada de microrganismos no cérebro. Isso significa que bactérias, vírus e fungos que entram pelo nariz podem, em tese, alcançar o sistema nervoso central com mais facilidade.
Quando a mucosa nasal está íntegra, ela funciona como uma barreira eficiente contra a maioria desses invasores. No entanto, lesões nessa região, que podem ser causadas pelo hábito de cutucar o nariz, por infecções frequentes ou por procedimentos que irritam a mucosa, enfraquecem essa proteção e podem facilitar o acesso de patógenos ao cérebro. A ciência já reconhece que a perda de olfato está entre os primeiros sinais do Alzheimer, o que reforça a importância do sistema olfatório na saúde cerebral.

Cuidados simples que ajudam a proteger a saúde nasal e cerebral
Embora os resultados do estudo ainda não tenham sido confirmados em humanos, algumas práticas simples podem ajudar a manter a mucosa nasal saudável e reduzir o risco de infecções. Entre as mais recomendadas estão:

O que a ciência ainda precisa confirmar?
É importante destacar que este estudo foi realizado exclusivamente em ratos, e os resultados não podem ser transferidos automaticamente para humanos. O próprio coordenador da pesquisa, professor James St John, afirmou que estudos em humanos são necessários para confirmar se o mesmo mecanismo acontece no organismo humano. Também ainda não está totalmente estabelecido se os depósitos de proteína encontrados nos ratos são, de fato, uma causa direta do Alzheimer ou apenas uma resposta do corpo à infecção.
Caso existam preocupações com sintomas como perda de olfato, dificuldades de memória ou infecções nasais recorrentes, é fundamental consultar um neurologista ou otorrinolaringologista para avaliação. Somente um profissional de saúde pode realizar os exames adequados e orientar o acompanhamento necessário.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico para orientações adequadas ao seu caso.









