Roncar de vez em quando é comum e costuma parecer inofensivo, mas quando o ronco se torna frequente e intenso, ele pode indicar problemas que vão muito além de uma noite mal dormida. Esse som, provocado pela dificuldade de passagem do ar pelas vias respiratórias durante o sono, pode estar relacionado a condições como a apneia obstrutiva do sono, que eleva o risco de doenças cardiovasculares. Entender quando o ronco deixa de ser apenas um incômodo é o primeiro passo para proteger a saúde.
O que provoca o ronco e por que algumas pessoas roncam mais?
O ronco acontece quando os tecidos da garganta vibram por causa da passagem restrita do ar pela boca ou pelo nariz. Algumas características físicas tornam certas pessoas mais propensas a roncar, como amígdalas aumentadas, desvio de septo nasal, excesso de peso ou uma língua de tamanho maior que o comum. Com o envelhecimento, os músculos da garganta perdem tônus e ficam mais relaxados, o que estreita ainda mais as vias aéreas.
Hábitos do dia a dia também influenciam. O consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos sedativos relaxam a musculatura da garganta e facilitam a obstrução. Dormir de barriga para cima faz com que a língua e a mandíbula se desloquem para trás, bloqueando parcialmente a passagem do ar. Congestão nasal causada por alergias ou resfriados é outro fator que contribui para o problema.
Quando o ronco se torna um risco para a saúde?
Nem todo ronco é motivo de preocupação, mas existem sinais que merecem atenção. Roncos muito altos e persistentes, acompanhados de pausas na respiração, engasgos ou despertares repentinos com sensação de falta de ar, podem indicar a presença de apneia obstrutiva do sono. Nessa condição, as vias respiratórias se fecham repetidamente durante a noite, interrompendo o fluxo de oxigênio e forçando o corpo a despertar brevemente para voltar a respirar.
A apneia do sono não tratada está associada a consequências graves. Além de causar sonolência diurna excessiva, dificuldade de concentração e alterações de humor, ela aumenta significativamente o risco de hipertensão, acidente vascular cerebral, infarto e diabetes. Quem convive com esses sintomas deve procurar avaliação médica o quanto antes.

Meta-análise confirma que roncar eleva o risco de doença coronariana
A relação entre ronco e problemas cardíacos é sustentada por evidências científicas robustas. Segundo a revisão sistemática com meta-análise “O ronco aumenta o desenvolvimento de doença arterial coronariana: uma revisão sistemática com metanálise de estudos observacionais”, publicada na revista Sleep and Breathing (Springer), pessoas que roncam habitualmente apresentam um risco 28% maior de desenvolver doença arterial coronariana em comparação com quem não ronca. O estudo analisou 13 pesquisas observacionais com mais de 151 mil participantes e concluiu que, mesmo em casos onde a apneia não está presente, o ronco por si só já representa um fator de risco relevante para o coração. Acesse o estudo completo aqui.
Principais erros que agravam o ronco e a apneia
Muitas pessoas convivem com o ronco sem perceber que alguns hábitos podem estar piorando o quadro. Reconhecer esses equívocos é fundamental para buscar melhora na qualidade do sono:
| ⚠️ Hábito | Por que evitar |
|---|---|
| 🛌 Dormir de barriga para cima | Facilita o deslocamento da língua e da mandíbula, podendo bloquear parcialmente as vias respiratórias. |
| 💊 Usar remédios para dormir sem orientação | Sedativos relaxam excessivamente os músculos da garganta e podem mascarar sintomas importantes. |
| 🧸 Escolher travesseiros inadequados | Modelos que inclinam demais a cabeça geram tensão cervical sem melhorar o fluxo de ar. |
| ⏳ Adiar a consulta médica | Postergar avaliação profissional dificulta identificar causas estruturais ou funcionais que exigem tratamento. |
Tratamentos disponíveis para quem ronca e tem apneia
O primeiro passo costuma envolver mudanças no estilo de vida, como manter um peso saudável, reduzir o consumo de álcool e praticar exercícios que fortaleçam a musculatura da língua e da garganta. Essas medidas simples já podem reduzir a intensidade dos roncos em muitos casos. Quando essas mudanças não são suficientes, existem opções terapêuticas eficazes:
- CPAP: aparelho que mantém as vias aéreas abertas durante o sono por meio de pressão positiva contínua de ar, sendo o tratamento mais utilizado para apneia.
- Dispositivos orais: peças moldadas que reposicionam a mandíbula ou a língua para facilitar a passagem do ar.
- Cirurgias: em casos mais graves, procedimentos para corrigir o palato, remover amígdalas ou implantar estimuladores do nervo da língua podem ser indicados.
Independentemente da intensidade do ronco, é sempre recomendável buscar a orientação de um médico especialista. Somente um profissional poderá avaliar corretamente as causas, solicitar exames como a polissonografia e indicar o tratamento mais adequado para cada situação.









