Gravidez de risco: o que é, sintomas, causas e cuidados

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
março 2022

Uma gravidez é considerada de risco quando, após exames médicos, o obstetra verifica que existe alguma probabilidade de ocorrer uma doença da mãe ou do bebê durante a gravidez ou na hora do parto.

Geralmente, a gravidez de risco se desenvolve em mulheres que antes de engravidarem já possuem fatores ou situações de risco, como ser diabética ou ter excesso de peso. No entanto, a gravidez pode se estar desenvolvendo naturalmente e os problemas surgirem a qualquer momento da gestação.

Quando é diagnosticada uma gravidez de risco, é importante seguir todas as orientações do médico, que pode recomendar que a grávida fique em casa de repouso e passe maior parte do dia sentada ou deitada. Em alguns casos, pode mesmo ser necessário o internamento no hospital.

Sintomas de gravidez de risco

Durante a gravidez, é frequente surgirem sintomas que provocam desconforto na mulher grávida, como náuseas, enjoo, dificuldade em digerir os alimentos, prisão de ventre, dores nas costas, câimbras ou necessidade de ir muitas vezes ao banheiro, por exemplo. Porém, existem outros sintomas que podem indicar uma gravidez de risco como:

  • Sangramento pela vagina,
  • Contrações uterinas antes do tempo,
  • Liberação de fluído amniótico antes do tempo,
  • Não sentir o bebê se mexendo mais de um dia,
  • Vômitos e náuseas frequentes,
  • Tonturas e desmaios frequentes,
  • Dores ao urinar,
  • Inchaço repentino do corpo,
  • Aceleração repentina dos batimentos cardíacos,
  • Dificuldade para caminhar.

Quando se sente algum desses sintomas é recomendado consultar o médico o mais rapidamente possível para que seja possível identificar a causa e, assim, iniciar o tratamento mais adequado para prevenir complicações para a mulher e para o bebê.

No caso de ser confirmada a gravidez de risco, é importante que a mulher consulte o obstetra com frequência para que seja feita uma avaliação do estado geral de saúde tanto da mulher quanto do bebê, podendo em alguns casos ser recomendado o internamento para que seja possível realizar os cuidados necessários.

Principais causas

A probabilidade de gravidez de risco é maior quando a mulher tem menos de 17 anos ou idade superior a 35 anos, podendo o risco também ser influenciado por doenças e hábitos. Assim, as principais causas de gravidez de risco são:

1. Pressão alta e pré-eclampsia

​A pressão alta na gravidez é um problema comum e ocorre quando esta é superior a 140/90 mmHg após duas medições realizadas com um intervalo mínimo de 6 horas.

A pressão alta na gravidez pode ser causada por alimentação rica em sal, sedentarismo ou mal formação da placenta, aumentando as chances de ter pré-eclampsia, que é o aumento da pressão arterial e perda de proteínas, podendo levar a aborto, convulsões, coma e até mesmo a morte da mãe e do bebê, quando a situação não é devidamente controlada.

2. Diabetes

A mulher que é diabética ou que desenvolve a doença durante a gestação também possui maior chance de ter uma gravidez de risco, pois o açúcar elevado no sangue pode atravessar a placenta e chegar ao bebê, o que pode fazer com que ele cresça muito e pese mais de 4 Kg. Um bebê grande dificulta o parto, sendo necessário fazer cesárea, além de haver maior chances de nascer com problemas como ictericia, pouco açúcar no sangue e problemas respiratórios.

3. Gravidez de gémeos

A gravidez de gémeos é considerada de risco porque o útero tem de se desenvolver mais e todos os sintomas de gravidez estão mais presentes. Além disso, existem maiores chances de ter todas as complicações de uma gravidez, principalmente pressão alta, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e dores nas costas, por exemplo.

4. Consumo de álcool, cigarro e drogas

O consumo de álcool e drogas, como heroína, durante a gravidez atravessam a placenta e afetam o bebê provocando atraso no crescimento, retardo mental e mal formações no coração e na face e, por isso, é preciso fazer vários exames para verificar como o bebê está se desenvolvendo.

A fumaça do cigarro também aumenta as chances de ter aborto, podendo causar efeitos no bebê e na grávida, como fadiga muscular, falta de açúcar no sangue, perda de memória, dificuldade respiratória e síndrome de abstinência.

5. Uso de remédios perigosos durante a gravidez

Alguns medicamentos como incluem fenitoína, triantereno, trimetoprim, lítio, estreptomicina, as tetraciclinas e a varfarina, morfina, anfetaminas, barbitúricos, codeína e fenotiazinas, podem aumentar o risco de gravidez de risco devido aos seus efeitos colaterais, além disso, alguns medicamentos conseguem passar pela placenta e chegar ao bebê, aumentando o risco de complicações no seu desenvolvimento.

6. Sistema imune fraco

O sistema imunológico mais enfraquecido também pode ser considerado um fator de aumenta a chance de gravidez de risco, isso porque há maior probabilidade da mulher adquirir infecções que podem ser passadas para o bebê caso não sejam tratadas.

7. Gravidez na adolescência ou depois dos 35 anos

A gestação em idade inferior a 17 anos pode ser perigosa porque o corpo da jovem não está totalmente preparado para suportar a gravidez. Além disso, depois dos 35 anos, a mulher pode ter mais dificuldade a engravidar e as chances de ter um bebê com alterações cromossômicas são maiores, como Síndrome de Down.

8. Grávida com baixo peso ou obesidade

Gestantes muito magras, com IMC abaixo de 18,5 kg/ m2, podem ter um parto prematuro, aborto e atraso de crescimento do bebê porque a grávida oferece poucos nutrientes ao bebê, limitando seu crescimento, o que o pode levar a ficar doente facilmente e a desenvolver doenças cardíacas. Além disso, mulheres com peso excessivo, principalmente quando IMC maior que 35 kg/ m2, apresentaram mais risco de ter complicações e também podem afetar o bebê que pode desenvolver obesidade e diabetes.

Cuidados durante a gravidez de risco

Durante a gravidez de risco é importante que a mulher tenha alguns cuidados para evitar complicações para a mulher e para o bebê, como por exemplo:

  • Ter uma alimentação saudável e equilibrada, rica em frutas, vegetais, cereais integrais, peixe, carnes brancas, como frango e peru, e sementes, como gergelim ou sementes de girassol;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, já que pode aumentar o risco de malformações no bebê, parto prematuro e aborto espontâneo;
  • Repousar, de acordo com as orientações do obstetra;
  • Controlar o peso, pois o excesso de peso pode aumentar o risco de complicações, como hipertensão, diabetes gestacional e malformações no bebê;
  • Não fumar e evitar ambientes com fumaça, pois pode aumentar o risco de aborto, parto prematuro e malformações no bebê, além de aumentar o risco de complicações, como trombose.

É fundamental também que sejam feitas consultas regulares com o obstetra para que possa ser feito o acompanhamento adequado da gestação e, assim, seja possível identificar precocemente algumas alterações e, assim, iniciar o tratamento adequado o mais cedo possível, de forma a manter a saúde da mãe e do bebê.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em março de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • UK HEALTH CARE. High-risk pregnancy and high-risk obstetrics. Disponível em: <https://ukhealthcare.uky.edu/sites/default/files/healthsmart-high-risk-pregnancy-high-risk-obstetrics.pdf>. Acesso em 10 mar 2022
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Mostrar bibliografia completa
  • NHS. Your baby's movements. Disponível em: <https://www.nhs.uk/pregnancy/keeping-well/your-babys-movements/>. Acesso em 10 mar 2022
  • CENTRO HOSPITALAR DE SÃO JOÃO. Queixas na gravidez que devem levar à Urgência. Disponível em: <https://portal-chsj.min-saude.pt/uploads/writer_file/document/1524/Queixas_na_gravidez_que_devem_levar___Urg_ncia_v3.pdf>. Acesso em 04 dez 2019
  • BEAUMONT HOSPITAL. UNDERSTANDING High-Risk Pregnancies. Disponível em: <https://www.beaumont.org/docs/default-source/default-document-library/understanding-high-risk-pregnancies.pdf?sfvrsn=2>. Acesso em 04 dez 2019
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.