Doença da vaca louca: o que é, sintomas e transmissão

A doença da vaca louca em humanos, conhecida cientificamente como Variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJv), é uma doença rara neurodegenerativa causada por príons, que são proteínas anormais, que se instalam no cérebro e levam ao desenvolvimento gradual de lesões definitivas, provocando sintomas comuns à demência que incluem dificuldade para pensar ou falar, por exemplo.

A doença da vaca louca tem esse nome devido ao fato de que devido à destruição das células nervosas, os bovinos pressionavam a cabeça sobre superfícies duras na tentativa de aliviar os sintomas. Essa doença é rara de acontecer em pessoas, no entanto o consumo de carne infectada de bovinos contaminados por príons pode levar ao desenvolvimento da doença em humanos.

Doença da vaca louca: o que é, sintomas e transmissão

Principais sintomas

Os sintomas da doença da vaca louca nas pessoas surgem à medida que ocorre a destruição das células nervosas pelos príons, podendo haver:

  • Perda de memória;
  • Dificuldade para falar ou pensar;
  • Perda da capacidade para fazer movimentos coordenados;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Tremores constantes;
  • Visão turva;
  • Insônia;
  • Ansiedade e depressão.

Os sintomas da doença da vaca louca são progressivos e normalmente são notados cerca de 10 a 12 anos após a contaminação, sendo muitas vezes confundida com a demência.

Possíveis complicações

O desenvolvimento da doença é rápido, uma vez que desde que os sintomas aparecem, a pessoa morre entre um período de 6 meses a um ano, já que desde o momento da infecção a função neuronal começa a ser prejudicada, o que leva à perda progressiva das capacidades e maior necessidade da pessoa ficar acamada e dependente para comer e para realizar os cuidados de higiene.

Apesar destas complicações não poderem ser evitadas, pois não existe tratamento, é recomendado que o paciente seja acompanhado por um psiquiatra, pois existem remédios que podem ajudar a retardar a evolução da doença.

Como acontece a transmissão

A principal forma de transmissão da doença da vaca louca em humanos é por meio do consumo de carne de bovinos contaminados por príons, especialmente a carne proveniente do sistema nervoso, como cérebro e medula espinhal. Não existem evidências de que a doença da vaca louca possa ser transmitida por meio do consumo de bifes ou outros cortes de carne e nem por meio do consumo de leite ou derivados, mesmo que seja de uma vaca infectada.

Outras possíveis formas de transmissão da doença são:

  • Transplante de córnea ou pele contaminada;
  • Utilização de instrumentos contaminados em procedimentos cirúrgicos;
  • Implante inadequado de eletrodos cerebrais;
  • Injeções de hormônios de crescimento contaminados.

Porém, estas situações são extremamente raras pois as técnicas modernas reduzem muito o risco de utilizar tecidos ou materiais contaminados, não só devido à doença da vaca louca, mas também a outras doenças graves como AIDS ou tétano, por exemplo.

Também há registros de pessoas que ficaram contaminadas com esta doença depois de receber uma transfusão de sangue na década de 80 e é por causa disso que todas as pessoas que já receberam sangue alguma vez na vida não podem doar sangue, porque podem ter sido contaminadas, ainda que nunca tenham manifestado sintomas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da doença da vaca louca é feito com base nos sintomas apresentados, principalmente quando existem mais casos suspeitos na mesma região. Além disso, existem alterações específicas no cérebro que podem ser indicativas dessa doença, como o sinal pulvinar, que é uma alteração presente no tálamo anterior.

Além disso, do diagnóstico pode incluir a realização de um eletroencefalograma e a análise do líquido cefalorraquidiano, ou teste de príons e exames genéticos, assim como ressonância magnética. No entanto, na maioria dos casos, a doença só é confirmada após realização de biópsia do cérebro e, por isso, o diagnóstico é mais difícil.

Para descartar outras doenças neurológicas ou psiquiátricas que apresentam os mesmos sintomas, o médico pode indicar a realização de outros exames.

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Bibliografia

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