Células dendríticas: o que são, para que servem e tipos

Revisão clínica: Marcela Lemos
Biomédica
outubro 2021

A células dendríticas, ou DC, é um tipo de leucócito produzido na medula óssea que pode ser encontrado no sangue, pele e tratos digestivo e respiratório, por exemplo, e que fazem parte do sistema imunológico, sendo responsáveis pela identificação da infecção e desenvolvimento da resposta imune.

As células dendríticas são um tipo de célula apresentadora de antígeno, ou seja, são responsáveis por identificar e processar os antígenos, que são proteínas presentes na superfícies dos agentes infecciosos, e, em seguida, apresentar para as células de defesa responsáveis pelo o combate da infecção.

Assim, quando o sistema imune se sente ameaçado, essas células são ativadas com o objetivo de identificar o agente infeccioso e promover a sua eliminação. Desta forma, se as células dendríticas não funcionarem corretamente, o sistema imune tem mais dificuldade para defender o corpo, existindo maior chance de desenvolver uma doença.

Para que servem

As células dendríticas são responsáveis por capturar o microrganismo invasor e apresentar antígenos, que ficam disponíveis em sua superfície, para os linfócitos T, dando início à resposta imune contra o agente infeccioso, combatendo a doença.

Devido ao fato de capturar a apresentar os antígenos em sua superfície, que são partes do agente infeccioso, as células dendríticas recebem o nome de Células Apresentadoras de Antígeno, ou APCs.

Além de promover a primeira resposta imunológica contra determinado agente invasor e garantir a imunidade inata, as células dendríticas são essenciais para o desenvolvimento da imunidade adaptativa, que é aquela em que são geradas as células de memória, evitando que ocorra novamente ou de forma mais branda infecção pelo mesmo organismo. Entenda como funciona o sistema imunológico.

Tipos de células dendríticas

As células dendríticas podem ser classificadas de acordo com suas características de migração, expressão dos marcadores em sua superfície, localização e função que desempenham. Assim, as células dendríticas podem ser classificadas principalmente em dois tipos:

  1. Células dendríticas Plasmocitoides, que estão localizados principalmente no sangue e em órgãos linfoides, como baço, timo, medula óssea e linfonodos, por exemplo. Essas células atuam especialmente contra vírus e, devido à sua capacidade de produzir Interferon alfa e beta, que são proteínas responsáveis pela regulação do sistema imune, também possui propriedades antitumorais em alguns casos, além da capacidade antiviral.
  2. Células dendríticas Mieloides, que estão localizadas na pele, sangue e mucosa. As células localizadas no sangue recebem o nome de DC inflamatórias, que produzem TNF-alfa, que é um tipo de citocina responsável pela morte de células tumorais e pelo processo inflamatório. No tecido, essas células podem receber o nome de DC intersticiais ou da mucosa e, quando presentes na pele, são denominadas células de Langerhans ou migratórias, já que após a sua ativação, migram através da pele até os gânglios linfáticos, onde apresentam os antígenos aos linfócitos T.

Devido ao seu papel fundamental no sistema imunológico e capacidade de regular todos os processos relacionados à imunidade, estudos têm sido realizados com o objetivo de verificar a sua eficácia no tratamento contra o câncer, principalmente em forma de vacina.

Origem das células dendríticas

A origem das células dendríticas ainda é bastante estudada, mas considera-se que pode ter origem tanto de uma linhagem linfoide quanto mieloide. Além disso, há duas teorias que tentam explicar a origem dessas células:

  1. Modelo da Plasticidade Funcional, que considera que os vários tipos de células dendríticas representam os vários estágios de maturação de uma única linhagem celular, sendo as diferentes funções consequência do local em que estão presentes;
  2. Modelo da Linhagem Especializada, que considera que os vários tipos de células dendríticas são derivados de linhagens celulares diferentes, sendo essa a razão das diferentes funções.

Acredita-se que ambas as teorias possuem fundamento e que no organismo é provável que as duas teorias aconteçam de forma simultânea.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em outubro de 2021.

Bibliografia

  • AROSA, Fernando A.; CARDOSO, Elsa M.; PACHECO, Francisco C.. Fundamentos de Imunologia. 2ª edição. LIDEL, 2012. 171-175.
  • CONTI, Bruno José; SANTIAGO, Karina B.; SFORCIN, José Maurício. Células dendríticas: mini-revisão. Biosaúde. Vol 16. 1 ed; 28-33, 2014
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  • BRITISH SOCIETY FOR IMMUNOLOGY. Dendritic Cells. Disponível em: <https://www.immunology.org/public-information/bitesized-immunology/cells/dendritic-cells>. Acesso em 24 abr 2019
  • COLLIN, Matthew; MCGOVERN, Naomi; HANIFFA, Muzlifah. Human dendritic cell subsets. Immunology. Vol 140. 22–30, 2013
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.