A presença de bolinha embaixo da língua pode estar associada a irritações locais ou pequenas inflamações, como aftas, papilite lingual transitória ou mucocele, podendo causar desconforto leve ou nenhum sintoma além da alteração visível.
Em situações menos frequentes, a bolinha embaixo da língua pode estar relacionada a condições mais raras, como cistos linfoepitelial oral, papiloma oral associado ao HPV, cálculos salivares ou, em casos mais graves, câncer oral.
Leia também: Bolinhas na língua: o que pode ser (e o que fazer) tuasaude.com/bolinhas-na-linguaDiante do surgimento de bolinha embaixo da língua, é importante procurar avaliação do dentista ou estomatologista, ou ainda do otorrinolaringologista, que podem identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.
Alguma possíveis causas de bolinha embaixo da língua podem ser:
1. Mucocele
A mucocele, ou cisto mucoso, é uma das causas mais comuns de bolinha embaixo da língua e acontece devido ao acúmulo de saliva causado pela obstrução ou trauma de uma glândula salivar, como mordidas acidentais.
Normalmente, a mucocele provoca o surgimento de uma bolha transparente ou azulada, de consistência macia e geralmente sem dor, podendo causar desconforto para falar, mastigar ou engolir quando aumenta de tamanho. Veja os sintomas da mucocele.
O que fazer: essas lesões podem desaparecer espontaneamente. Porém, quando aumentam, retornam com frequência ou causam dificuldade para engolir e falar, é importante consultar o dentista ou cirurgião bucomaxilofacial.
O tratamento pode incluir drenagem da saliva acumulada, abertura cirúrgica da lesão para evitar que volte a surgir ou retirada do cisto e da glândula salivar afetada.
2. Aftas
Machucados causados por mordidas, aparelhos ortodônticos, alimentos duros ou queimaduras também podem provocar pequenas bolinhas doloridas embaixo da língua, chamadas de aftas.
Leia também: Afta na língua: sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/aftaNesses casos, é comum surgir dor ou ardência, além de pequenas feridas esbranquiçadas ou amareladas, que podem causar desconforto ao consumir alimentos quentes, ácidos ou apimentados.
O que fazer: na maioria dos casos, as aftas melhoram espontaneamente. Durante esse período, é recomendado evitar alimentos muito quentes, ácidos ou apimentados, manter uma boa higiene bucal e usar enxaguantes bucais sem álcool,
Em alguns casos, o dentista ou estomatologista pode indicar pomadas cicatrizantes, como aquelas à base de ácido hialurônico, anti-inflamatórios como ibuprofeno, e anestésicos locais, como lidocaína, para aliviar a dor e acelerar a cicatrização. Conheça os remédios para afta.
3. Papilite lingual transitória
A papilite lingual transitória é uma inflamação temporária das papilas da língua que pode surgir após irritações locais, consumo de alimentos ácidos ou apimentados, estresse ou pequenos traumas.
Leia também: Papilite lingual transitória: o que é, sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/papilite-lingual-transitoriaEm alguns casos, pode aparecer embaixo da língua ou nas bordas laterais, provocando pequenas bolinhas doloridas e sensíveis ao toque.
O que fazer: os sintomas costumam desaparecer espontaneamente em alguns dias, não sendo necessário tratamento específico.
Porém, em casos de dor mais intensa, o clínico geral ou o dentista podem indicar pomadas anestésicas, como lidocaína em gel, ou anti-inflamatórios tópicos, como benzidamina, para alívio dos sintomas.
4. Cisto linfoepitelial oral
O cisto linfoepitelial oral é uma lesão benigna e rara que pode surgir na lateral ou embaixo da língua, geralmente se apresentando como uma pequena bolinha branca ou amarelada, de crescimento lento e, na maioria dos casos, sem dor.
O que fazer: é importante fazer avaliação com o dentista para confirmar o diagnóstico, já que outras lesões podem ter aparência parecida. O tratamento, quando necessário, costuma ser a remoção cirúrgica, principalmente se a lesão crescer ou houver dúvida sobre o diagnóstico.
5. Papiloma oral
O papiloma oral é uma lesão benigna associada ao HPV que pode surgir na boca, inclusive embaixo da língua, geralmente como uma pequena verruga esbranquiçada ou da cor da mucosa, com superfície irregular semelhante a couve-flor.
Leia também: HPV na boca: o que é, sintomas, transmissão e tratamento tuasaude.com/hpv-na-bocaEm geral, apresenta crescimento lento e costuma não causar dor, sendo percebido mais pela aparência ou pela sensação de caroço na região.
O que fazer: deve-se consultar o médico para avaliação das lesões por HPV na boca, pois em muitos casos o organismo elimina o vírus sem necessidade de tratamento.
Quando indicado, podem ser usados métodos como crioterapia, medicamentos tópicos ou injetáveis, e, em casos persistentes, cirurgia para remoção das lesões.
6. Cálculo salivar
O cálculo salivar, também chamado de sialolitíase, é uma pequena pedra formada pela cristalização de sais presentes na saliva, que pode se alojar dentro dos ductos das glândulas salivares, inclusive na região abaixo da língua.
Essa obstrução dificulta a saída da saliva, causando inchaço, dor e, muitas vezes, sensação de aumento de volume que piora durante as refeições, quando há maior produção de saliva.
O que fazer: o tratamento depende do tamanho e da localização do cálculo. Em casos leves, pode-se estimular a produção de saliva com hidratação, massagens locais e uso de alimentos ou substâncias ácidas, como limão.
Quando isso não é suficiente, o cirurgião bucomaxilofacial pode realizar a remoção manual ou cirúrgica da pedra, e em casos mais complexos pode ser necessário tratar a glândula afetada.
7. Câncer oral
O câncer oral pode surgir em diferentes partes da boca, incluindo a região embaixo da língua, e às vezes aparece como bolinhas ou área endurecida que não cicatriza. Diferente de lesões benignas, costuma ter crescimento progressivo e pode estar associado a feridas que não melhoram com o tempo.
O que fazer: é importante procurar o estomatologista ou o otorrinolaringologista para avaliação. Esses profissionais podem realizar o exame clínico, solicitar exames complementares e, se houver suspeita, encaminhar para o oncologista.
Esse médico pode solicitar um exame clínico detalhado e, se necessário, realizar uma biópsia para confirmação do diagnóstico. O tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, dependendo do estágio da doença e da extensão. Veja como é o tratamento do câncer de boca.