Pé de trincheira: o que é, sintomas, tratamento (e como evitar)

O pé de trincheira é uma lesão causada pela exposição prolongada dos pés ao frio e à umidade, provocando sintomas como formigamento, coceira, dormência, inchaço e pele pálida ou com manchas.

Mesmo após o reaquecimento dos pés, os sintomas podem se intensificar, causando vermelhidão, dor intensa e aumento da sensibilidade, devido ao retorno da circulação sanguínea e à resposta inflamatória dos tecidos afetados.

O tratamento envolve retirar os calçados e meias molhados, secar bem os pés e aquecê-los de forma gradual. Quando surgem bolhas, sinais de infecção ou lesão dos tecidos, é importante procurar avaliação médica o quanto antes.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas do pé de trincheira

Os sintomas do pé de trincheira incluem:

  • Formigamento nos pés;
  • Coceira;
  • Dormência ou perda da sensibilidade;
  • Inchaço nos pés;
  • Pele fria e pálida, acinzentada ou com manchas;
  • Sensação de peso nos pés;
  • Dificuldade para caminhar.

No início, a pele costuma ficar pálida, fria e úmida. À medida que a circulação sanguínea é restabelecida, os pés podem ficar vermelhos, inchados, muito doloridos e sensíveis ao toque.

Nos casos mais graves, o pé de trincheira pode causar bolhas, feridas abertas e infecção. Quando a lesão é intensa, a falta de circulação pode levar à morte dos tecidos, provocando o escurecimento da pele e a perda do tecido afetado. 

O que causa

O pé de trincheira é causado pela exposição prolongada dos pés ao frio e à umidade. 

Nessas condições, os vasos sanguíneos se contraem e a umidade acelera a perda de calor, reduzindo a circulação sanguínea e causando lesões na pele, nos nervos e em outros tecidos dos pés.

As situações que aumentam o risco de pé de trincheira incluem permanecer com os pés molhados por várias horas ou dias, usar meias ou calçados úmidos e apertados, exposição prolongada ao frio ou manter os pés imóveis por tempo prolongado.

Pé de trincheira na guerra

O pé de trincheira recebeu esse nome porque era comum entre soldados que passavam dias em trincheiras com os pés frios e encharcados durante a Primeira Guerra Mundial. 

Atualmente, também pode ocorrer em pessoas expostas por longos períodos a ambientes frios e úmidos, como militares, montanhistas, pescadores, trabalhadores rurais, pessoas em situação de rua e vítimas de enchentes.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do pé de trincheira é feito principalmente pelo clínico geral, dermatologista ou cirurgião vascular, por meio da avaliação dos sintomas e do histórico de exposição prolongada ao frio e à umidade. 

Para uma avaliação do pé de trincheira, marque uma consulta com o médico mais próximo da sua região:

Disponível em: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Sergipe e Ceará.

Geralmente, não são necessários exames específicos, mas podem ser solicitados exames de sangue ou de imagem quando há suspeita de complicações, como infecção, lesão mais profunda dos tecidos ou alterações na circulação sanguínea. 

O diagnóstico precoce é importante para evitar danos permanentes nos nervos e nos tecidos dos pés.

Tratamento do pé de trincheira

O tratamento do pé de trincheira pode incluir:

1. Retirar os pés da exposição ao frio e umidade

O primeiro passo é remover os pés do ambiente frio e úmido, retirando meias e calçados molhados. Os pés devem ser secos cuidadosamente e mantidos em um local aquecido para interromper a progressão da lesão.

Também não devem ser esfregados ou massageados, pois isso pode danificar o tecido afetado.

2. Aquecer os pés de forma gradual

O reaquecimento deve ser feito de forma gradual para evitar o aumento da dor e da inflamação. Os pés podem ser aquecidos com cobertores ou mantidos em um ambiente quente. 

No entanto, fontes de calor intenso, como água muito quente, bolsas térmicas ou aquecedores diretamente sobre a pele, devem ser evitadas, pois podem causar queimaduras.

3. Repouso e elevação dos pés

Manter os pés elevados pode ajudar a reduzir o inchaço e o desconforto. Durante a recuperação, pode ser necessário evitar caminhadas longas ou atividades que aumentem a pressão sobre as áreas afetadas até que a dor e o inchaço melhorem.

Além disso, é importante manter os pés protegidos com meias limpas, secas e confortáveis, que não apertem a região. Bolhas e feridas abertas devem ser mantidas limpas, cobertas com curativos adequados e acompanhadas para identificar sinais de infecção.

4. Controle da dor

A dor pode ficar mais intensa durante o reaquecimento dos pés, devido ao retorno da circulação sanguínea e à resposta inflamatória dos tecidos afetados. Para aliviar, medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, podem ser indicados pelo médico.

Nos casos em que a dor é intensa ou persiste por muito tempo, o médico pode indicar medicamentos específicos, como analgésicos mais potentes, como o tramadol.

Quando há dor relacionada à lesão dos nervos, podem ser utilizados medicamentos para dor neuropática, como gabapentina ou pregabalina, conforme avaliação médica.

5. Tratar feridas e infecções

Quando há bolhas, feridas abertas ou sinais de infecção, como vermelhidão intensa, secreção, mau cheiro ou febre, pode ser necessário limpeza adequada da lesão, curativos e, em alguns casos, remoção do tecido danificado e uso de antibióticos.

Como evitar

O pé de trincheira pode ser evitado com medidas como:

  • Manter os pés sempre secos, trocando meias e calçados molhados o mais rápido possível;
  • Usar meias limpas, secas e que ajudem a manter os pés aquecidos;
  • Evitar usar calçados apertados ou com pouca ventilação;
  • Fazer pausas para movimentar os pés e estimular a circulação durante longos períodos de exposição ao frio;
  • Secar bem os pés após contato com água, lama ou neve;
  • Evitar permanecer por muitas horas com os pés imóveis em locais frios ou molhados.

Além disso, é importante utilizar calçados adequados para ambientes frios e úmidos, com proteção contra água, e manter os pés protegidos durante atividades ao ar livre, como caminhadas, acampamentos ou trabalhos em locais com umidade.

Possíveis complicações

Quando não é tratado adequadamente, o pé de trincheira pode causar complicações devido à redução prolongada da circulação e aos danos nos tecidos dos pés. 

Em alguns casos, mesmo após a pele aparentemente cicatrizada, algumas pessoas podem apresentar dor crônica, dormência, formigamento, sudorese excessiva ou maior sensibilidade ao frio.

Já em casos graves, a perda prolongada de fluxo sanguíneo pode levar à necrose do tecido e à possível necessidade de cirurgia. Entenda o que é necrose.

Quando ir ao médico

É recomendada avaliação médica quando sintomas como dormência, inchaço, alterações na cor da pele ou dor continuam mesmo após os pés serem secos e aquecidos de forma gradual. 

O atendimento médico de urgência é especialmente importante quando há:

  • Bolhas ou feridas abertas;

  • Aumento da vermelhidão, calor ou inchaço na região;

  • Presença de pus ou secreção com mau cheiro;

  • Febre;

  • Dor intensa ou que piora com o tempo;

  • Pele escurecida, com coloração preta ou roxa intensa;

  • Perda de sensibilidade que não melhora;

  • Dificuldade para caminhar.

O tratamento precoce pode reduzir o risco de infecções, necrose dos tecidos e complicações relacionadas aos nervos e à circulação sanguínea.