A orelha de couve-flor é uma deformidade na forma da orelha que surge, geralmente, após pancadas ou traumas repetidos, comuns em esportes de contato, como jiu-jítsu, judô, boxe e luta livre.
Essa alteração acontece quando um hematoma entre a cartilagem e a pele não é tratado. Inicialmente, causa dor, inchaço e vermelhidão, mas, com o tempo, a orelha pode endurecer e ficar deformada, com aspecto semelhante ao de uma couve-flor.
O tratamento é feito pelo otorrinolaringologista nos casos recentes, podendo incluir a drenagem do hematoma e medicamentos. Quando a deformidade já está estabelecida, pode ser necessária cirurgia reconstrutiva, realizada pelo cirurgião plástico.
Sintomas de orelha de couve-flor
Os sintomas da orelha de couve-flor incluem:
- Inchaço na orelha;
- Dor ou sensibilidade local;
- Vermelhidão;
- Acúmulo de sangue, hematoma, na orelha após um trauma;
- Endurecimento da orelha;
- Espessamento da cartilagem;
- Deformidade da orelha, com aspecto irregular semelhante ao de uma couve-flor;
- Diminuição da audição, quando a deformidade obstrui parcialmente o canal auditivo.
Os sintomas costumam surgir após uma pancada ou trauma na orelha e tendem a piorar quando o hematoma não é tratado rapidamente, favorecendo a formação de tecido cicatricial e a deformidade permanente.
O que causa
A orelha de couve-flor é causada por traumas na orelha, principalmente pancadas fortes ou repetidas, que provocam o rompimento de pequenos vasos sanguíneos e o acúmulo de sangue entre a cartilagem e a pele, formando um hematoma auricular. Entenda melhor o que causa um hematoma.
Quando esse hematoma não é drenado e tratado rapidamente, a cartilagem deixa de receber nutrientes adequadamente, podendo ocorrer formação de tecido cicatricial e deformidade permanente da orelha.
Essa condição é mais comum em praticantes de esportes de contato, como jiu-jítsu, judô, boxe, wrestling, rugby e artes marciais mistas (MMA), mas também pode surgir após acidentes, quedas ou qualquer outro trauma direto na orelha.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da orelha de couve-flor é feito pelo otorrinolaringologista por meio da avaliação dos sintomas, do histórico de trauma na orelha e do exame físico, no qual são observados sinais como inchaço, hematoma e endurecimento.
Para uma avaliação da orelha de couve-flor, marque uma consulta com o otorrinolaringologista mais próximo de você:
Quando há suspeita de lesões associadas, como fraturas ou outros danos na região, o médico pode solicitar exames de imagem, como tomografia computadorizada, para complementar a avaliação.
Tratamentos da orelha de couve-flor
O tratamento da orelha de couve-flor depende da fase da lesão, podendo incluir:
1. Drenagem do hematoma
Quando o hematoma é identificado logo após o trauma, o médico pode realizar a drenagem para remover o sangue acumulado entre a pele e a cartilagem da orelha.
O procedimento pode ser feito com uma agulha ou por meio de uma pequena incisão, após a limpeza e anestesia da região para reduzir o desconforto.
A drenagem ajuda a aliviar a pressão, restaurar o contato entre a pele e a cartilagem e reduzir o risco de alterações permanentes na orelha.
O procedimento não deve ser feito em casa, pois uma técnica inadequada pode causar infecção, sangramento, novos acúmulos de sangue e danos à cartilagem.
2. Compressão após a drenagem
Após a drenagem do hematoma, geralmente é feito um curativo compressivo ou colocado um dispositivo específico para manter a pele em contato com a cartilagem e evitar que o sangue volte a se acumular.
A compressão costuma ser mantida por alguns dias e deve ser acompanhada pelo médico para avaliar a cicatrização e identificar sinais de infecção ou novas coleções de sangue.
3. Medicamentos
Em alguns casos, o médico pode indicar analgésicos para aliviar a dor e o desconforto após o trauma ou após a drenagem do hematoma, como paracetamol ou dipirona.
Além disso, antibióticos, como a amoxicilina com clavulanato ou cefalexina, também podem ser prescritos quando houver risco de infecção, como em casos de feridas na pele ou envolvimento da cartilagem.
No entanto, os medicamentos não removem o hematoma auricular. Quando há acúmulo de sangue entre a pele e a cartilagem, geralmente é necessário realizar a drenagem associada à compressão para reduzir a deformidade permanente.
4. Cirurgia reconstrutiva
Quando a orelha de couve-flor já está formada, com alterações permanentes na cartilagem, pode ser necessária uma cirurgia chamada otoplastia reconstrutiva.
Leia também: Otoplastia: o que é, quando é indicada, como é feita e recuperação tuasaude.com/otoplastiaO procedimento consiste em remover o excesso de tecido cicatricial, remodelar a cartilagem deformada e reconstruir a estrutura da orelha para melhorar sua aparência e, em alguns casos, sua função.
A cirurgia é realizada pelo cirurgião plástico, e a técnica escolhida depende do grau da deformidade e das alterações presentes na cartilagem.
Orelha de couve-flor tem cura?
A orelha de couve-flor pode ser tratada, principalmente quando o hematoma é identificado e drenado rapidamente, antes que ocorram alterações permanentes na cartilagem.
Quando a deformidade já está formada, a cirurgia reconstrutiva pode melhorar o formato da orelha, mas nem sempre é possível recuperar totalmente a aparência original.
Como evitar
Algumas formas de evitar a orelha de couve-flor são:
- Usar equipamentos de proteção, como protetores auriculares ou capacetes adequados, durante esportes de contato, como jiu-jítsu, judô, boxe e luta livre;
- Procurar atendimento médico após traumas na orelha, principalmente quando houver inchaço, dor ou formação de hematoma;
- Evitar drenar o hematoma em casa, pois procedimentos inadequados aumentam o risco de infecção e deformidade;
- Evitar novos impactos na orelha durante o período de recuperação para reduzir o risco de recorrência.
Dessa forma, a principal maneira de evitar a orelha de couve-flor é prevenir os traumas na região e tratar rapidamente os hematomas auriculares, reduzindo o risco de alterações permanentes na cartilagem.
Possíveis complicações
Entre as possíveis complicações da orelha de couve-flor estão infecção da pele ou da cartilagem, morte do tecido por falta de circulação adequada, novos acúmulos de sangue e cicatrizes intensas.
Além disso, a deformidade pode causar estreitamento do canal auditivo, levando à perda auditiva condutiva em alguns casos. Também podem ocorrer dor, desconforto ou sensibilidade persistentes na região.
A alteração estética da orelha também pode causar insatisfação com a aparência.