Perda de líquido na gravidez: consequências e o que fazer

Setembro 2021

A diminuição do líquido amniótico recebe o nome de oligoidrâmnio e pode resultar em complicações para o bebê, pois o líquido amniótico é responsável pela regulação da temperatura, permite o desenvolvimento e movimentação do bebê, evita traumatismos e compressão do cordão umbilical, além de proteger o bebê contra infecções. Assim, com a diminuição da quantidade de líquido amniótico, o bebê se torna mais exposto a diversas situações.

Caso seja verificado que há pouco líquido amniótico nas primeiras 24 semanas de gestação, é recomendado que a mulher adote medidas para tentar minimizar o problema, sendo indicado que fique em repouso e beba bastante água, pois isso além de evitar a perda de líquido amniótico, aumenta a produção desse líquido, evitando complicações.

A redução do volume de líquido amniótico em qualquer fase da gravidez pode levar a problemas pulmonares no bebê ou aborto, mas nesses casos, o obstetra faz avaliações semanais da quantidade de líquido amniótico, com ultrassonografia e ecografia, para decidir se existe necessidade de induzir o parto, especialmente quando isso acontece no último trimestre da gravidez.

Perda de líquido na gravidez: consequências e o que fazer

Principais consequências

A perda de líquido durante a gravidez pode resultar em algumas complicações para o bebê, isso porque o líquido amniótico é essencial para a regulação da temperatura do bebê e seu desenvolvimento. Assim, quando encontra-se diminuído, algumas das principais consequências que podem acontecer são:

  • Bebê menor para a idade gestacional;
  • Atraso no crescimento;
  • Comprometimento do fortalecimento muscular;
  • Menor movimentação do bebê, o que pode causar atrofia muscular;
  • Aumento da chance de compressão do cordão umbilical, o que pode afetar o suprimento de nutrientes e oxigênio para o bebê;
  • Atraso no desenvolvimento, principalmente dos pulmões e rins;
  • Maior chance de infecções graves;
  • Maior risco de traumatismos;
  • Dificuldade respiratória;
  • Aborto, quando a perda de líquido é mais intensa e acontece na primeira metade da gravidez, até a semana 24.

Além disso, a quantidade de líquido amniótico interfere na visualização do bebê através da ultrassonografia. Ou seja, caso haja menor quantidade de líquido, mais difícil é a visualização e a identificação de alterações fetais.

O que fazer

É importante ter atenção à quantidade de líquido perdida e a semana de gestação em que se encontra, isso porque se a perda acontecer após a semana 36 de gestação, é possível que seja indicativo de rompimento das membranas e início de trabalho de parto, sendo fundamental que a mulher seja levada ao hospital.

Nos casos em que a perda de líquido amniótico acontece nos dois primeiros trimestres da gravidez, é fundamental que a mulher consulte o médico imediatamente para que seja avaliada a quantidade de líquido amniótico que está presente de acordo com a idade gestacional, além de ser importante ter consultas regulares com o obstetra para que seja feita a avaliação do volume do líquido ao longo da gravidez.

De acordo com a idade gestacional e quantidade de líquido perdido, pode ser indicada a hidratação materna, em que é administrado soro na mãe para aumentar a quantidade de líquido ou a amnioinfusão, que é um procedimento mais invasivo em que é administrado soro fisiológico diretamente na cavidade amniótica para restabelecer a quantidade normal de líquido amniótico, permitir melhor visualização do bebê na ultrassonografia e prevenir complicações.

Em alguns casos, quando a perda de líquido acontece na segunda metade da gravidez, pode ser necessária a indução do parto, no entanto, dependendo da idade gestacional, pode haver maior risco de complicações. Veja como saber que está perdendo líquido.

Perda de líquido durante o parto

Já nos casos em que a grávida entra em trabalho de parto com pouco líquido amniótico, o obstetra pode inserir um pequeno tubinho até ao útero para inserir uma substância que substitui o líquido amniótico, no caso de parto normal, e que permite evitar complicações como a falta de oxigênio no bebê, que pode acontecer caso o cordão umbilical fique preso entre a mãe e o bebê. Porém, este tratamento não serve para tratar a falta de líquido amniótico durante a gestação porque só funciona enquanto o líquido está sendo injetado durante o parto normal.

Quantidades normais de líquido amniótico por trimestre

A quantidade normal de líquido amniótico na barriga da grávida durante a gestação vai aumentando a cada semana, sendo que no final do:

  • 1º Trimestre (entre 1 e 12 semanas): há cerca de 50 ml de líquido amniótico; 
  • 2º Trimestre (entre 13 e 24 semanas): aproximadamente 600 ml de líquido amniótico; 
  • 3º Trimestre (a partir das 25 semanas até o final da gravidez): há entre 1000 a 1500 ml de líquido amniótico. ​

Normalmente, o líquido amniótico aumenta cerca de 25 ml até à 15ª semana de gestação e depois se produz 50 ml por semana até às 34 semanas e, a partir daí vai diminuindo até à data do parto.

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Bibliografia

  • ZIMMERMMANN, Juliana B. et al. Oligoidrâmnio isolado em gestação a termo: qual a melhor conduta?. FEMINA. Vol 38. 4 ed; 203-209, 2010
  • INTERNATIONAL NURSING CONGRESS. Alteração do Volume do Líquido Amniótico: Oligoidrâmnio. 2017. Disponível em: <https://eventos.set.edu.br/index.php/cie/article/download/5677/2078>. Acesso em 11 Set 2019
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