A metformina é um dos medicamentos mais utilizados no controle do diabetes tipo 2, mas o uso prolongado pode interferir na absorção intestinal de vitamina B12 e reduzir seus níveis no organismo. Quando essa deficiência se instala, um dos primeiros sinais costuma ser o formigamento nas mãos e nos pés, sintoma que muitas vezes é confundido com neuropatia diabética e passa despercebido em consultas de rotina.
Por que a metformina reduz a vitamina B12?
A metformina age no intestino delgado e pode interferir na absorção da vitamina B12, provavelmente por alterar a ligação entre a cobalamina e o fator intrínseco no íleo terminal. Esse efeito costuma ser silencioso no início e se torna mais evidente com o tempo de uso e com doses mais altas do medicamento.
Como as reservas de B12 no fígado duram meses, os sintomas podem demorar anos para aparecer. Isso explica por que muitas pessoas com diabetes descobrem o problema apenas quando já há sinais neurológicos, tornando importante a avaliação regular dos níveis dessa vitamina B12.
Como o formigamento se relaciona com a deficiência de B12?
A vitamina B12 é essencial para a formação da bainha de mielina, camada que protege os nervos periféricos e garante a transmissão dos impulsos nervosos. Quando falta, essa proteção se desgasta e surgem sensações de formigamento, dormência e queimação, principalmente em pés e mãos.
Esses sintomas costumam ser bilaterais, começam pelas extremidades e podem evoluir para dificuldade de equilíbrio e alterações da sensibilidade. Em pessoas com diabetes, é comum atribuir tudo à neuropatia periférica da própria doença, o que atrasa a investigação da deficiência nutricional.

Como estudo científico confirma o risco em quem usa metformina?
A relação entre metformina e vitamina B12 vem sendo estudada há décadas, com evidências consistentes em longos períodos de acompanhamento. Uma análise a partir de um dos maiores estudos sobre diabetes ajudou a dimensionar esse risco com precisão.
De acordo com o estudo Long-term Metformin Use and Vitamin B12 Deficiency in the Diabetes Prevention Program Outcomes Study, publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, o uso prolongado da metformina aumentou em 13% ao ano o risco de deficiência de vitamina B12. Os pesquisadores observaram maior prevalência de anemia e neuropatia entre usuários com níveis baixos da vitamina, e recomendam avaliação laboratorial de rotina em quem faz tratamento contínuo.
Quais outros sintomas podem indicar B12 baixa?
A deficiência de vitamina B12 costuma afetar sangue, sistema nervoso e disposição ao mesmo tempo, e reconhecer o conjunto de sinais ajuda a diferenciar essa causa de outras. Fique atento às seguintes manifestações.
- Cansaço persistente e fraqueza que não melhoram com repouso.
- Palidez da pele e falta de ar aos esforços leves.
- Formigamento ou dormência nas mãos, pés ou pernas.
- Dificuldade de concentração, memória ou lapsos frequentes.
- Língua dolorida, feridas na boca ou perda de apetite.
- Alterações de humor, irritabilidade ou desânimo sem causa clara.

Quais exames e cuidados são recomendados durante o tratamento?
Quem usa metformina há mais de quatro anos, faz uso de doses acima de 1500 mg por dia ou apresenta sintomas neurológicos deve conversar com o médico sobre a investigação da falta de vitamina B12, para diferenciar da neuropatia diabética e definir se há necessidade de reposição.
- Dosagem sérica de vitamina B12 no sangue.
- Hemograma completo para detectar anemia megaloblástica.
- Homocisteína e ácido metilmalônico em casos limítrofes.
- Avaliação neurológica quando há formigamento ou desequilíbrio.
- Reposição orientada com cápsulas, sublingual ou injeção.
- Monitoramento periódico em usuários de longa data do medicamento.
Não interrompa o uso da metformina por conta própria nem inicie suplementação sem avaliação médica. Diante de sintomas persistentes ou sinais neurológicos, procure um endocrinologista, clínico geral ou nutricionista para investigação individualizada e definição do tratamento adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um profissional de saúde qualificado.









