A constipação intestinal pode melhorar com mudanças na alimentação, e o kiwi é uma das frutas com melhor respaldo científico para esse objetivo. Por reunir fibras, água e compostos naturais que influenciam a consistência das fezes e a regularidade das evacuações, o consumo diário pode ser útil principalmente na constipação funcional. No entanto, a fruta não trata obstruções, alterações metabólicas ou outras doenças que também podem deixar o intestino preso.
Como o kiwi ajuda o intestino a funcionar?
O kiwi contém fibras solúveis e insolúveis, que ajudam a reter água e aumentar o volume das fezes. Esse efeito deixa o conteúdo intestinal mais macio e facilita sua eliminação, o que pode reduzir o esforço para evacuar e a sensação de esvaziamento incompleto em algumas pessoas.
A fruta também fornece água e actinidina, uma enzima envolvida na digestão de proteínas. Por isso, incluir kiwi em uma alimentação equilibrada pode complementar medidas importantes, como hidratação adequada, atividade física e uma rotina regular para evacuar.
Constipação funcional é diferente de causa orgânica?
Sim. Na constipação funcional, não existe uma doença estrutural ou metabólica específica explicando os sintomas. Baixa ingestão de fibras, pouca água, sedentarismo, hábito de adiar a evacuação e alterações da motilidade intestinal podem contribuir para o quadro.
Já a constipação secundária pode estar relacionada a hipotireoidismo, diabetes, doenças neurológicas, doença celíaca, alterações do assoalho pélvico, estreitamentos, obstruções ou tumores. Nesses casos, aumentar fibras ou consumir kiwi pode não ser suficiente, pois é necessário identificar e tratar a causa da prisão de ventre.

Como consumir kiwi para ajudar na constipação?
O kiwi pode ser incorporado à rotina sem substituir o restante de uma alimentação variada e rica em fibras.
- Consumir a fruta inteira: a forma fresca preserva melhor as fibras presentes no alimento.
- Usar dois kiwis verdes ao dia: essa foi a quantidade testada em importantes ensaios clínicos.
- Beber água adequadamente: as fibras dependem de líquidos para ajudar a deixar as fezes mais macias.
- Variar as fontes de fibras: aveia, feijão, verduras e sementes também podem fazer parte dos alimentos para prisão de ventre.
- Aumentar o consumo gradualmente: uma elevação brusca das fibras pode favorecer gases e distensão abdominal.
Quando o intestino preso precisa de investigação?
Alguns sinais indicam que a dificuldade para evacuar não deve ser tratada apenas com mudanças alimentares:
- constipação que surge recentemente sem explicação clara;
- sangue nas fezes ou sangramento recorrente;
- perda de peso sem intenção;
- anemia ou cansaço persistente sem causa conhecida;
- dor abdominal intensa, vômitos ou distensão importante da barriga;
- mudança persistente no formato ou na frequência das fezes;
- histórico familiar relevante de câncer colorretal;
- ausência de melhora mesmo com ajustes na alimentação e nos hábitos.

O que os estudos mostram sobre dois kiwis por dia?
Segundo o estudo Consumption of 2 Green Kiwifruits Daily Improves Constipation and Abdominal Comfort, publicado no American Journal of Gastroenterology em 2023, 184 participantes saudáveis, com constipação funcional ou síndrome do intestino irritável com constipação foram avaliados em um ensaio clínico multicêntrico. O consumo de dois kiwis verdes por dia durante quatro semanas aumentou de forma clinicamente relevante as evacuações completas e espontâneas e melhorou o conforto gastrointestinal nos grupos com constipação.
Outro ensaio clínico publicado no mesmo periódico em 2021 comparou dois kiwis verdes ao dia com ameixas secas e psyllium em adultos com constipação crônica. As três estratégias aumentaram a frequência das evacuações, enquanto o kiwi também melhorou a consistência das fezes, o esforço para evacuar e a distensão abdominal, além de apresentar menor frequência de efeitos adversos. Os resultados apoiam o kiwi como estratégia alimentar para constipação funcional, mas não como tratamento para causas orgânicas. Quem apresenta constipação persistente ou sinais de alerta deve buscar orientação de um gastroenterologista ou outro profissional de saúde.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico profissional.









