Notar mais fios no travesseiro, no chuveiro e na escova pode não ser uma questão apenas hereditária. Grande parte dos casos de queda de cabelo persistente está ligada a deficiências nutricionais silenciosas, especialmente de ferro e vitamina D, que comprometem o ciclo natural de crescimento dos fios antes mesmo de causar outros sintomas evidentes. Investigar essas carências com exames simples costuma ser o caminho mais eficaz para conter o afinamento capilar e evitar o gasto com produtos que não atacam a origem do problema.
O que é o eflúvio telógeno e como ele se manifesta?
O eflúvio telógeno é uma forma de queda difusa em que muitos fios entram antecipadamente na fase de repouso e caem semanas depois. Ao contrário da calvície genética, ele afeta o couro cabeludo de forma uniforme, sem áreas de falha visíveis.
Costuma surgir dois a três meses após um gatilho, como estresse intenso, dietas restritivas, pós-parto, cirurgias, infecções ou perdas de peso rápidas. É um dos principais tipos de queda de cabelo reversível quando a causa é identificada e corrigida.
Por que ferritina e vitamina D afetam o crescimento dos fios?
A ferritina é a proteína que armazena o ferro no organismo, mineral essencial para a multiplicação das células do folículo capilar e para o transporte de oxigênio até o couro cabeludo. Quando os estoques caem, o corpo prioriza órgãos vitais e a raiz do cabelo sofre.
Já a vitamina D atua em receptores presentes no próprio folículo e ajuda a regular o ciclo de crescimento capilar. Sua deficiência costuma prolongar a fase de queda e encurtar a fase de crescimento, agravando o afinamento progressivo dos fios ao longo dos meses.

Quais outros sinais podem acompanhar essas deficiências?
As carências de ferro e vitamina D raramente aparecem sozinhas e costumam vir acompanhadas de outros sintomas que ajudam no diagnóstico. Fique atento aos seguintes sinais:
- Cansaço persistente: falta de disposição mesmo após dormir bem é um dos primeiros indícios de deficiência de vitamina D ou ferritina baixa.
- Palidez e falta de ar aos esforços: podem sugerir estoques de ferro reduzidos, mesmo antes de o hemograma acusar anemia.
- Unhas quebradiças e frágeis: comuns em quem apresenta ferritina abaixo de 30 ng/mL.
- Dores musculares difusas: associadas a níveis baixos de 25-hidroxivitamina D.
- Baixa imunidade e resfriados frequentes: reflexo do papel da vitamina D na resposta imune.
- Alterações de humor e sono ruim: vitamina D atua na produção de serotonina e regulação do ciclo sono-vigília.
O que a ciência mostra sobre o tema?
A dermatologia tem documentado com clareza a relação entre queda difusa e carências nutricionais específicas. Segundo o estudo transversal Vitamin and Mineral Deficiencies in Patients With Telogen Effluvium, publicado no Journal of Drugs in Dermatology, uma análise com 413 pacientes com eflúvio telógeno revelou que 45,2% apresentavam deficiência de ferritina e 33,9% apresentavam deficiência de vitamina D no momento da avaliação, o que justificou a inclusão desses exames no rastreamento inicial da queda capilar.
Esse achado apoia as orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que recomenda investigação laboratorial completa antes de iniciar qualquer suplementação ou tratamento cosmético por conta própria.

Quais exames pedir antes de investir em produtos?
Antes de gastar com shampoos, ampolas e suplementos, é fundamental identificar a raiz do problema com exames laboratoriais básicos. Os principais são:
- Ferritina sérica: avalia os estoques reais de ferro; valores abaixo de 30 ng/mL costumam ser insuficientes para o crescimento saudável dos fios.
- Hemograma completo, ferro sérico e saturação de transferrina: complementam a avaliação do metabolismo do ferro e descartam anemia.
- 25-hidroxivitamina D (25-OH): marcador mais confiável dos níveis de vitamina D no organismo.
- TSH e T4 livre: avaliam a função da tireoide, cujas alterações também provocam queda difusa.
- Vitamina B12, zinco e ácido fólico: úteis quando há sintomas associados ou dietas restritivas.
Manter alimentação equilibrada, exposição solar moderada, sono adequado e controle do estresse contribui de forma direta para preservar a saúde capilar e responder melhor a qualquer tratamento indicado pelo especialista.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico. Diante da queda persistente de cabelo, procure orientação com um dermatologista.









