Sentir o coração falhar uma batida, dar um “solavanco” no peito ou disparar por um instante é uma queixa muito comum e, na maioria das vezes, benigna. Esse fenômeno tem nome: extrassístoles, batimentos extras que surgem fora do ritmo normal do coração. Aparecem em pessoas saudáveis, muitas vezes ligadas a café, álcool, ansiedade ou sono ruim. Quando são raras e passageiras, não trazem risco. Mas quando se tornam frequentes ou vêm acompanhadas de outros sinais, exigem avaliação cardiológica.
O que são extrassístoles?
Extrassístoles são batimentos cardíacos que ocorrem antes do momento esperado, gerando uma pausa compensatória logo em seguida. É essa pausa que dá a sensação de “falha” ou de um coração que “afundou” por um instante.
Podem se originar nos átrios (extrassístoles supraventriculares) ou nos ventrículos (extrassístoles ventriculares). São extremamente comuns e aparecem tanto em corações saudáveis quanto em pessoas com alguma doença cardíaca de base.
Quais são as causas mais comuns?
Na maior parte dos casos, as extrassístoles surgem por fatores externos e transitórios, sem indicar problema estrutural no coração. Entre os gatilhos mais frequentes estão:
- Consumo excessivo de cafeína, presente em café, chá preto, chá verde e energéticos
- Álcool, especialmente em episódios de consumo intenso
- Ansiedade, estresse e crises de pânico
- Noites mal dormidas e privação de sono
- Uso de tabaco e outras substâncias estimulantes
- Desidratação e desequilíbrio de minerais como potássio e magnésio
- Alterações hormonais, como hipertireoidismo e menopausa
- Uso de descongestionantes nasais e alguns medicamentos

Como um estudo do American Journal of Medicine avalia a frequência delas?
A literatura científica ajuda a colocar as extrassístoles em perspectiva e a diferenciar quadros benignos de situações que merecem investigação. Segundo a revisão narrativa Premature Ventricular Contractions A Narrative Review, publicada no periódico norte-americano The American Journal of Medicine, as extrassístoles ventriculares ocorrem em 3% a 20% da população geral e costumam ser identificadas em avaliações de palpitações ou em eletrocardiogramas de rotina.
Os autores destacam que, na ausência de doença estrutural do coração, essas contrações são consideradas benignas, mas podem sinalizar problemas subjacentes quando se tornam muito frequentes, comprometem a qualidade de vida ou aparecem em pessoas com fatores de risco cardiovascular.
Quais sinais indicam avaliação com cardiologista?
De acordo com orientações da Sociedade Brasileira de Cardiologia, algumas situações não devem ser ignoradas. É importante procurar um cardiologista se você apresenta:
- Palpitações diárias ou várias vezes por semana
- Sensação de “falha” acompanhada de tontura, escurecimento visual ou desmaio
- Dor ou desconforto no peito associado às palpitações
- Falta de ar desproporcional ao esforço
- Palpitações que surgem durante ou logo após atividade física intensa
- Sintomas em pessoas com hipertensão, diabetes ou histórico familiar de arritmia cardíaca ou morte súbita
- Persistência dos sintomas mesmo após reduzir café, álcool e melhorar o sono
- Impacto significativo no bem-estar, na ansiedade ou no sono
Diante desses sinais, o cardiologista pode solicitar exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e, principalmente, o Holter de 24 horas, que registra o ritmo do coração ao longo do dia inteiro. Esse exame é fundamental para contar quantas extrassístoles ocorrem em 24 horas e avaliar se estão relacionadas a esforço, sono ou repouso.

Como reduzir a frequência dos episódios?
Nos casos benignos, mudanças de hábito costumam ser suficientes para diminuir bastante o incômodo. Estratégias simples incluem:
- Reduzir o consumo de cafeína e observar como o corpo responde
- Evitar excessos de álcool e bebidas energéticas
- Melhorar a qualidade e a duração do sono
- Praticar atividade física regular, com liberação médica quando necessário
- Trabalhar o controle da ansiedade com técnicas de respiração, meditação ou psicoterapia
- Manter boa hidratação e alimentação equilibrada
- Parar de fumar
- Revisar com o médico o uso de descongestionantes e outros estimulantes
Quando as extrassístoles persistem apesar dessas medidas ou vêm acompanhadas de sinais de alerta, o acompanhamento cardiológico regular é indispensável para descartar arritmias mais complexas e proteger a saúde do coração.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de palpitações frequentes ou sintomas associados, procure orientação médica.









