A enxaqueca vestibular é uma condição neurológica que provoca crises de tontura e vertigem, muitas vezes sem qualquer dor de cabeça associada, o que faz com que seja frequentemente confundida com labirintite. Essa troca de diagnóstico é mais comum do que se imagina e pode atrasar meses, ou até anos, o início do tratamento adequado. Entender as diferenças entre as duas condições é o primeiro passo para procurar o especialista certo e recuperar a qualidade de vida.
O que é enxaqueca vestibular?
A enxaqueca vestibular é um tipo de enxaqueca em que o sintoma principal não é a dor de cabeça, mas sim episódios de vertigem, desequilíbrio e sensação de rotação. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, ela é uma das causas mais comuns de tontura recorrente em adultos, especialmente em mulheres entre 30 e 50 anos.
As crises podem durar de poucos minutos a várias horas e costumam vir acompanhadas de sensibilidade à luz, ao som e a movimentos bruscos. Em alguns casos, a pessoa nunca teve enxaqueca clássica antes, o que dificulta ainda mais a identificação do quadro.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas variam entre os pacientes, mas a Sociedade Brasileira de Otologia destaca um padrão característico que ajuda a diferenciar essa condição de outras causas de tontura e vertigem. Os sinais mais frequentes são:
- Vertigem rotatória espontânea, com sensação de que o ambiente gira
- Desequilíbrio ao caminhar ou ficar em pé
- Sensibilidade a luzes fortes, sons altos e cheiros intensos
- Náuseas e vômitos durante as crises
- Zumbido leve ou sensação de ouvido tampado
- Piora dos sintomas com movimentos da cabeça
- Dor de cabeça em apenas parte dos episódios

Por que é tão confundida com labirintite?
A confusão acontece porque a palavra “labirintite” virou um rótulo genérico no Brasil para qualquer tontura, mesmo quando não há inflamação do labirinto. A verdadeira labirintite é uma condição relacionada a inflamações do ouvido interno, enquanto muitas tonturas recorrentes têm origem neurológica.
Esse diagnóstico impreciso leva ao uso prolongado de medicamentos para labirintite que não tratam a enxaqueca vestibular. O resultado é um ciclo de crises recorrentes, exames sem alteração e frustração do paciente, que segue sem resposta adequada.
Como um estudo científico confirma o subdiagnóstico frequente?
A comunidade científica vem investigando com atenção o impacto do diagnóstico incorreto na evolução clínica desses pacientes. Uma revisão por pares intitulada Vestibular Migraine, dos autores Lempert e von Brevern, publicada no periódico Neurologic Clinics, analisou os critérios diagnósticos atuais e o comportamento clínico da doença.
Segundo Vestibular Migraine publicado na Neurologic Clinics, a enxaqueca vestibular está entre as causas mais frequentes de vertigem episódica em adultos, mas segue subdiagnosticada, pois muitos pacientes apresentam apenas os sintomas vestibulares, sem dor de cabeça associada durante as crises.

Como abordar o tratamento adequadamente?
O tratamento da enxaqueca vestibular combina mudanças no estilo de vida, controle de gatilhos e, em alguns casos, medicamentos preventivos indicados por neurologista. Manter uma alimentação adequada para enxaqueca, sono regular e reduzir o estresse são medidas fundamentais para diminuir a frequência das crises. As principais estratégias incluem:
- Identificar e evitar gatilhos alimentares como queijos envelhecidos, chocolate, cafeína em excesso e bebidas alcoólicas
- Manter horários regulares de sono, com sete a nove horas por noite
- Praticar atividade física leve e constante, como caminhadas
- Reduzir o estresse com técnicas de respiração ou meditação
- Fazer reabilitação vestibular com fisioterapeuta especializado
- Usar medicamentos preventivos, como betabloqueadores ou antidepressivos, quando prescritos
- Registrar as crises em um diário para identificar padrões
As informações apresentadas neste conteúdo têm caráter apenas informativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de sintomas persistentes de tontura, vertigem ou dor de cabeça, procure orientação médica especializada.









