Quando alguém desmaia, agir corretamente nos primeiros minutos ajuda a proteger a pessoa enquanto o fluxo sanguíneo para o cérebro se restabelece. Se ela estiver respirando normalmente, a orientação geral é mantê-la deitada de costas, elevar as pernas e observar sua recuperação. Dar tapas, jogar água no rosto ou tentar oferecer líquidos enquanto a pessoa continua inconsciente não acelera o despertar e ainda pode causar complicações.
Por que uma pessoa desmaia?
O desmaio, chamado de síncope, é uma perda transitória da consciência provocada por redução temporária do fluxo de sangue para o cérebro. Entre as causas estão reação vasovagal, queda da pressão arterial, desidratação, uso de alguns medicamentos e alterações cardíacas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a síncope vasovagal está entre as causas mais frequentes. Calor excessivo, dor intensa, medo e permanecer muito tempo em pé são alguns fatores capazes de desencadear esse tipo de episódio em pessoas suscetíveis.
O que a ciência mostra sobre os episódios de síncope?
Segundo a revisão científica An approach to the evaluation and management of syncope in adults, publicada no BMJ, a síncope é relativamente comum e a forma mediada por reflexos, como a vasovagal, representa uma das causas mais frequentes. A revisão também destaca que características do episódio ajudam a identificar pessoas que precisam de investigação para causas cardíacas ou outras condições relevantes.
Isso significa que um desmaio isolado pode ter uma causa benigna, mas nem todo episódio deve ser tratado como simples queda de pressão. O contexto, os sintomas associados, a idade, doenças anteriores e a forma como ocorreu a perda da consciência ajudam a determinar o risco.

O que fazer nos primeiros minutos?
Se a pessoa desmaiou e está respirando normalmente, algumas medidas simples podem facilitar a recuperação e evitar novas lesões:
- deite a pessoa de costas em uma superfície segura;
- eleve as pernas cerca de 30 a 40 centímetros, se não houver suspeita de trauma;
- afrouxe roupas apertadas ao redor do pescoço e da cintura;
- mantenha o local ventilado e afaste aglomerações;
- observe a respiração e permaneça ao lado da pessoa até ela despertar;
- verifique se houve ferimentos durante a queda.
Se a pessoa não estiver respirando normalmente, é necessário acionar imediatamente o SAMU pelo 192 e iniciar a massagem cardíaca quando indicada, mantendo o atendimento até a chegada do socorro especializado.
Quais atitudes podem atrapalhar a recuperação?
Algumas práticas populares não ajudam a pessoa a recuperar a consciência e podem aumentar o risco de acidentes:
- não dê tapas nem sacuda a pessoa para tentar acordá-la;
- não jogue água no rosto;
- não tente colocar a pessoa sentada ou em pé imediatamente;
- não ofereça água, café, açúcar ou qualquer alimento enquanto ela estiver inconsciente;
- não coloque líquidos ou objetos dentro da boca;
- não deixe a pessoa sozinha logo após despertar.
Oferecer líquidos enquanto alguém está inconsciente é especialmente perigoso porque a capacidade de engolir pode estar comprometida. O líquido pode seguir para as vias respiratórias em vez do esôfago, causando engasgo ou aspiração pulmonar. Após recuperar completamente a consciência, a pessoa deve levantar-se lentamente e permanecer em observação por alguns minutos.

Quando o desmaio precisa de atendimento médico?
É importante buscar avaliação médica quando o desmaio acontece pela primeira vez, se repete, ocorre durante exercício ou surge acompanhado de dor no peito, palpitações, falta de ar, sangramento, dificuldade para falar ou confusão persistente. Desmaios em pessoas com histórico de doença cardíaca também exigem atenção especial.
Se a pessoa permanecer inconsciente, apresentar respiração anormal, sofrer uma queda importante ou não recuperar rapidamente seu estado habitual, o atendimento de emergência deve ser acionado. Mesmo após recuperação completa, episódios recorrentes precisam ser investigados por um médico para identificar a causa e definir se são necessários exames específicos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional. Em caso de desmaio ou episódios recorrentes, procure orientação médica.








