A vacina zóster voltou a chamar atenção da ciência após um grande estudo indicar menor risco de novos diagnósticos de demência em idosos vacinados. O achado é promissor porque veio de um experimento natural, mas ainda não significa que a vacina deva ser usada com o objetivo principal de prevenir demência.
Por que o resultado chamou atenção
O herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, acontece pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Como esse vírus pode afetar nervos, pesquisadores investigam há anos se infecções virais e inflamação podem ter relação com o envelhecimento cerebral.
O diferencial desse estudo é que ele não comparou apenas pessoas que escolheram se vacinar com pessoas que não se vacinaram. Os pesquisadores aproveitaram uma regra real de elegibilidade por data de nascimento, o que ajudou a formar grupos muito parecidos entre si.

O que o estudo científico mostrou
Segundo o estudo A natural experiment on the effect of herpes zoster vaccination on dementia, publicado na Nature, receber a vacina viva atenuada contra herpes-zóster reduziu em 3,5 pontos percentuais a chance de um novo diagnóstico de demência em 7 anos, o que correspondeu a uma redução relativa de 20%.
Na análise, feita com dados eletrônicos de saúde do País de Gales, os autores observaram especialmente:
- 282.541 idosos na coorte principal analisada para demência;
- uma regra de vacinação baseada na data exata de nascimento;
- maior chance de vacinação em quem nasceu logo após o corte de elegibilidade;
- menor risco de novo diagnóstico de demência ao longo de 7 anos;
- efeito aparentemente mais forte em mulheres do que em homens.
O que pode explicar a proteção
Os cientistas ainda não sabem exatamente por que a vacina zóster poderia se relacionar a menos diagnósticos de demência. Uma hipótese é que prevenir a reativação do vírus reduza episódios de inflamação e agressão aos nervos, fatores estudados no contexto do risco neurológico.
Outra possibilidade é que a vacina tenha efeitos imunológicos mais amplos, além da proteção contra o herpes-zóster. Mesmo assim, essa explicação ainda precisa ser confirmada por novos estudos, especialmente com vacinas mais recentes e em diferentes populações.
O que o estudo não prova
Apesar da força do desenho de pesquisa, o resultado precisa ser interpretado com cuidado. O estudo sugere um possível efeito protetor ou de atraso no diagnóstico, mas não mostra que a vacina cura, trata ou impede todos os casos de demência.
- O estudo avaliou principalmente uma vacina antiga de vírus vivo atenuado;
- não confirma o mesmo efeito para todas as vacinas atuais contra herpes-zóster;
- a demência foi medida por registros clínicos, não por testes cognitivos padronizados em todos;
- os dados vêm de uma população específica de idosos no Reino Unido;
- a principal indicação da vacina continua sendo prevenir herpes-zóster e suas complicações.

O que fazer com essa informação
O achado reforça a importância de conversar com o médico sobre vacinação na vida adulta, principalmente em pessoas mais velhas ou com maior risco de complicações. Para entender melhor indicação, doses e cuidados, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre vacina contra herpes-zóster.
A decisão de se vacinar deve considerar idade, doenças prévias, imunidade, medicamentos em uso e o tipo de vacina disponível. Por enquanto, a possível redução do risco de demência deve ser vista como um dado científico relevante, mas ainda em investigação.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, que deve orientar a vacinação, o diagnóstico e o tratamento mais adequado para cada pessoa.









