O café voltou a aparecer em pesquisas sobre saúde do fígado, mas não apenas pela gordura hepática. Um estudo nacional dos Estados Unidos associou maior consumo de café a menor rigidez do fígado medida por elastografia, um marcador usado para estimar risco de fibrose hepática.
O que é rigidez do fígado
A rigidez do fígado é uma medida que ajuda a identificar quando o órgão está ficando mais endurecido, geralmente por acúmulo de cicatrizes, chamadas de fibrose. Isso pode acontecer em doenças crônicas do fígado, como hepatites, esteatose metabólica e consumo excessivo de álcool.
A elastografia transitória é um exame não invasivo que avalia essa rigidez em quilopascals, ou kPa. Quanto maior o valor, maior a suspeita de fibrose relevante, embora o resultado precise ser interpretado junto com exames de sangue, histórico clínico e avaliação médica.
O que o estudo científico encontrou
Segundo o estudo transversal nacional Coffee Consumption Is Associated With Lower Liver Stiffness: A Nationally Representative Study, publicado na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, pesquisadores analisaram 4.510 adultos do NHANES 2017-2018 que fizeram elastografia transitória e dois recordatórios alimentares de 24 horas.
Após ajustes para fatores como dieta, bebidas açucaradas e outras variáveis, quem consumia mais de 3 xícaras de café por dia apresentou rigidez hepática média 0,9 kPa menor. Também houve menor chance de ter medida de rigidez igual ou acima de 9,5 kPa, ponto usado como alerta para fibrose mais significativa.

Por que isso vai além da gordura
Um detalhe importante é que o café foi associado à menor rigidez do fígado, mas não à menor esteatose medida pelo CAP, outro parâmetro da elastografia. Em outras palavras, o achado sugere uma possível relação mais forte com fibrose do que com quantidade de gordura no fígado.
- Rigidez menor: associada a menor risco de fibrose avançada.
- Sem efeito claro na esteatose: o CAP não mudou de forma relevante.
- Cafeína isolada: não explicou totalmente o resultado.
- Chá e descafeinado: não tiveram a mesma associação.
- Dados nacionais: amostra representativa de adultos dos Estados Unidos.
Como o café pode agir no fígado
O café contém compostos bioativos, como polifenóis, melanoidinas e diterpenos, que podem influenciar inflamação, estresse oxidativo e metabolismo hepático. Isso ajuda a explicar por que ele é estudado em relação a café fibrose, cirrose e outras doenças crônicas do fígado.
Mesmo assim, o estudo não prova que beber café cure ou previna fibrose. Ele mostra associação, não causa e efeito. Para quem já tem gordura no fígado, também vale entender medidas de cuidado no conteúdo do Tua Saúde sobre fígado gorduroso.

Como consumir com bom senso
O benefício potencial do café depende do contexto. Café com muito açúcar, chantilly, xaropes ou acompanhado de doces frequentes pode atrapalhar o controle de peso, glicose e triglicerídeos, fatores que também influenciam a saúde do fígado.
- Prefira café sem açúcar ou reduza o açúcar aos poucos.
- Evite usar café para compensar sono ruim ou excesso de cansaço.
- Tenha cautela em caso de gastrite, refluxo, ansiedade ou arritmias.
- Não substitua perda de peso, atividade física e dieta equilibrada por café.
- Procure avaliação se houver enzimas hepáticas alteradas ou suspeita de fibrose.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









