A queda de cabelo difusa, aquela em que os fios caem de forma espalhada pelo couro cabeludo, nem sempre é causada por genética ou estresse. Em muitas mulheres, ela pode estar ligada à ferritina baixa, marcador que mostra as reservas de ferro do organismo e pode influenciar o ciclo de crescimento dos fios.
Por que a ferritina importa
A ferritina funciona como um estoque de ferro. Quando esse estoque está baixo, o corpo pode priorizar funções vitais e deixar tecidos de alta renovação, como a raiz do cabelo, com menos suporte para crescer de forma saudável.
Isso pode favorecer o eflúvio telógeno, uma forma de queda capilar em que muitos fios entram antes da hora na fase de repouso e caem semanas depois.

Sinais que merecem atenção
A queda relacionada à ferritina baixa costuma aparecer de forma difusa, sem placas bem delimitadas. Em geral, a pessoa percebe mais fios no banho, na escova, no travesseiro ou redução do volume no rabo de cavalo.
- Cansaço ou fraqueza sem explicação;
- Unhas frágeis, pele pálida ou tontura;
- Menstruação intensa ou prolongada;
- Histórico de anemia, dieta restritiva ou cirurgia bariátrica;
- Queda persistente por mais de 6 a 8 semanas.
O estudo científico sobre queda de cabelo
Segundo o estudo comparativo transversal Assessment of Serum Ferritin Levels in Female Patients With Telogen Effluvium, publicado na revista Cureus, foram avaliadas 100 mulheres, sendo 50 com eflúvio telógeno e 50 controles saudáveis.
As mulheres com eflúvio telógeno tiveram ferritina média de 24,30 ng/mL, enquanto o grupo controle apresentou média de 44,78 ng/mL. Além disso, 28% das pacientes com queda tinham ferritina abaixo de 15 ng/mL, resultado que reforça a importância de investigar ferro e ferritina em casos de queda difusa.
O que avaliar nos exames
O hemograma sozinho pode não mostrar todo o quadro, já que algumas mulheres apresentam ferritina baixa mesmo antes de desenvolver anemia. Por isso, a investigação deve considerar sintomas, histórico menstrual, alimentação e outros exames.
- Ferritina sérica, para avaliar as reservas de ferro;
- Hemograma, ferro sérico e saturação de transferrina;
- TSH e outros exames da tireoide, quando indicado;
- Vitamina D, B12 e zinco, conforme avaliação clínica;
- Exame do couro cabeludo para diferenciar eflúvio telógeno de alopecia androgenética.

Como agir sem se automedicar
Quando a ferritina baixa é confirmada, o tratamento depende da causa. Pode envolver ajuste alimentar, correção de perdas menstruais, investigação intestinal ou suplementação de ferro orientada por profissional. Saiba mais sobre sintomas e cuidados no guia do Tua Saúde sobre ferritina baixa.
Tomar ferro por conta própria não é recomendado, porque o excesso pode causar efeitos indesejados e mascarar problemas que precisam de diagnóstico. O melhor caminho é identificar a origem da queda de cabelo e acompanhar a resposta ao tratamento com exames e avaliação clínica.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou dermatologista.









