Comer ovo todos os dias não aumenta significativamente o colesterol na maior parte das pessoas saudáveis, ao contrário do que se acreditava por décadas. Revisões científicas recentes mostraram que o impacto do colesterol da dieta sobre o colesterol do sangue é menor do que se pensava, e o ovo, dentro de uma alimentação equilibrada, costuma ser considerado seguro. Ainda assim, alguns grupos, como pessoas com hipercolesterolemia familiar e diabetes mal controlado, precisam de mais cautela.
Por que o ovo foi considerado vilão por tanto tempo?
A gema do ovo tem cerca de 185 miligramas de colesterol, e por muitos anos as diretrizes recomendavam limitar o colesterol da dieta a 300 miligramas por dia. Nesse contexto, o ovo passou a ser visto como um alimento perigoso para quem queria proteger o coração.
Estudos posteriores, no entanto, mostraram que o fígado é o principal responsável pelo colesterol do sangue e que ele reduz sua própria produção quando o colesterol da alimentação aumenta. Por isso, a maior parte das pessoas apresenta pouca variação no LDL ao comer um ovo por dia.
O que a ciência mostra hoje sobre ovo e coração?
Ao longo dos últimos anos, grandes meta-análises reuniram dados de milhões de pessoas e ajudaram a redefinir o papel do ovo na alimentação, servindo de base para orientações da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Segundo a meta-análise Association Between Egg Consumption and Risk of Cardiovascular Outcomes, publicada na revista The American Journal of Medicine em 2021, o consumo de mais de 1 ovo por dia não foi associado a aumento significativo de eventos cardiovasculares em cerca de 1,4 milhão de participantes acompanhados por vários anos. O resultado reforça que, para adultos sem doença cardíaca estabelecida, o ovo pode fazer parte de uma alimentação saudável.

Por que a resposta pode variar de pessoa para pessoa?
Cerca de 20% a 40% do colesterol do sangue vem da dieta, e o restante depende de fatores genéticos e do próprio metabolismo hepático. Isso explica por que algumas pessoas absorvem mais colesterol da alimentação e outras têm pouca alteração ao comer ovos.
Também influenciam o resultado o modo de preparo, o tipo de gordura usada e o restante do cardápio. Um ovo cozido acompanhado de vegetais e integrais tem impacto muito diferente de um ovo frito servido com bacon, embutidos ou queijos gordurosos, mais rico em gordura saturada.
Quem precisa ter mais cuidado com o consumo de ovos?
Nem todos os grupos respondem da mesma forma, e algumas condições clínicas exigem individualização. Situações que pedem mais cautela incluem:
- Hipercolesterolemia familiar: quem tem a hipercolesterolemia familiar apresenta LDL muito elevado desde jovem e responde mais ao colesterol da dieta.
- Diabetes tipo 2 e síndrome metabólica: estudos sugerem maior sensibilidade ao colesterol dietético nesses casos.
- Doença cardiovascular estabelecida: quem já teve infarto, AVC ou angina precisa de metas mais rígidas de LDL.
- LDL persistentemente elevado: mesmo sem diagnóstico genético, exige controle rigoroso da dieta.
- Consumo frequente de embutidos e frituras: soma-se ao ovo e piora o perfil lipídico.
- Sedentarismo e sobrepeso: potencializam o efeito das gorduras saturadas no colesterol.
Nesses grupos, cardiologistas e nutricionistas costumam ajustar a quantidade de ovos e reforçar a redução de gordura saturada, mais determinante para o colesterol do que o colesterol do próprio ovo.

Como incluir o ovo de forma equilibrada na alimentação?
Para a maioria dos adultos saudáveis, de 1 a 2 ovos por dia costumam ser aceitos dentro de uma alimentação variada. O impacto do ovo depende mais do contexto do cardápio do que da quantidade isolada, e escolhas simples melhoram o resultado.
Algumas orientações práticas para aproveitar os benefícios do ovo:
- Preferir cozido, pochê ou mexido em frigideira antiaderente com pouco óleo;
- Evitar frituras em imersão e combinações com bacon, salsicha e embutidos;
- Acompanhar com vegetais, frutas e integrais, que oferecem fibras;
- Reduzir a gordura saturada geral da dieta, que impacta mais o LDL do que o ovo;
- Ajustar a frequência conforme exames, especialmente LDL e não HDL;
- Manter atividade física regular e controle do peso;
- Seguir uma dieta para baixar colesterol quando o médico indicar.
Vale lembrar que o ovo também traz proteína de alta qualidade, colina, vitaminas do complexo B, vitamina D e antioxidantes, como mostram as informações nutricionais do ovo, o que o torna um alimento útil dentro de um padrão saudável.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou outro profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes ou piora, procure atendimento presencial.









