Acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira na cama é um sinal claro de que algo na rotina noturna está prejudicando o descanso. A boa notícia é que, na maioria dos casos, a culpa não está em fatores genéticos ou em distúrbios graves, mas em hábitos do dia a dia que sabotam silenciosamente a recuperação do corpo. Jantar tarde, beber álcool, usar telas até a hora de dormir e manter horários irregulares são quatro vilões facilmente identificáveis e que podem ser ajustados com pequenas mudanças.
Por que jantar tarde compromete o descanso?
À noite, o organismo entra em modo de desaceleração, com queda da temperatura corporal e mudanças hormonais que preparam o corpo para o repouso. Uma refeição pesada nesse momento força o sistema digestivo a trabalhar quando deveria descansar.
Estudos mostram que comer próximo ao horário de dormir piora a tolerância à glicose durante a noite e reduz a queima de gordura. O ideal é fazer a última refeição entre duas e três horas antes de deitar, evitando pratos gordurosos ou ricos em açúcar.

Como o álcool atrapalha as fases do sono?
Muita gente acredita que uma taça de vinho ajuda a dormir, mas o álcool engana o cérebro. Ele acelera o adormecer, porém destrói a estrutura natural do sono na segunda metade da noite, deixando o descanso mais superficial e fragmentado.
O consumo de bebidas alcoólicas suprime a fase REM, fundamental para a memória e a regulação emocional. Por isso, é recomendado evitar álcool nas três a quatro horas antes de deitar para preservar a qualidade do sono REM e acordar mais disposto.

O que diz a ciência sobre telas antes de dormir?
Pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital, ligados à Harvard Medical School, investigaram o impacto do uso de dispositivos eletrônicos no fim do dia. De acordo com o estudo Evening use of light-emitting eReaders negatively affects sleep, circadian timing, and next-morning alertness, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o uso de telas à noite atrasou o relógio biológico em cerca de 1,5 hora e reduziu a produção de melatonina.
Os participantes ainda relataram maior sonolência diurna e menor disposição ao acordar, mostrando que o efeito das telas não se limita à hora de dormir e se prolonga para o dia seguinte, com queda de concentração e energia.
Como horários irregulares afetam o relógio biológico?
Dormir e acordar em horários diferentes a cada dia confunde o ritmo circadiano e gera um efeito conhecido como “jet lag social”. O corpo precisa reajustar constantemente seu relógio interno, o que prejudica a profundidade do descanso. Os principais sinais desse desalinhamento incluem:
- Dificuldade para adormecer mesmo quando se está cansado;
- Despertar com sensação de cansaço, como se não tivesse dormido;
- Sonolência excessiva durante o dia, principalmente à tarde;
- Alterações de humor e irritabilidade frequente;
- Maior vontade de comer doces e alimentos calóricos;
- Queda na concentração e na memória de curto prazo.
Manter horários estáveis para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana, é uma das medidas mais eficazes para regular o ritmo do corpo e tratar quadros leves de insônia.
Como se livrar desses hábitos para dormir melhor?
A boa notícia é que esses quatro hábitos podem ser ajustados com pequenas mudanças na rotina noturna. As principais recomendações de especialistas em medicina do sono incluem:
- Fazer a última refeição pelo menos duas horas antes de deitar;
- Evitar álcool nas três a quatro horas que antecedem o sono;
- Desligar telas no mínimo uma hora antes de dormir;
- Estabelecer horário fixo para deitar e acordar todos os dias;
- Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
- Criar um ritual relaxante antes de dormir, como leitura em papel.
Adotar essas práticas com consistência reforça a higiene do sono e costuma trazer resultados perceptíveis em poucas semanas, sem necessidade de medicamentos.
Se mesmo após essas mudanças o sono continuar superficial, acompanhado de ronco, dores de cabeça matinais ou sonolência diurna intensa, é recomendado procurar um médico ou especialista em sono para investigar possíveis distúrbios.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









