Uma infecção hospitalar que não melhora como esperado, especialmente em pacientes internados por muito tempo ou usando cateteres, pode exigir investigação mais cuidadosa. Em alguns casos, a causa pode ser Candida auris, um fungo resistente a antifúngicos, difícil de identificar em exames comuns e capaz de se espalhar em serviços de saúde.
Por que a Candida auris preocupa
A Candida auris pode causar infecções invasivas, como infecção na corrente sanguínea, no abdômen ou em feridas. O problema é que os sintomas costumam ser pouco específicos, como febre persistente, piora do estado geral e sinais de infecção que não respondem ao tratamento habitual.
Outro ponto importante é que uma pessoa pode estar colonizada, ou seja, carregar o fungo na pele sem sintomas. Mesmo assim, pode contaminar superfícies, equipamentos e outros pacientes em ambientes hospitalares.
O que diz o estudo científico
A necessidade de rastreamento ganhou força com dados recentes de vigilância. Segundo o estudo Progression from Candida auris Colonization Screening to Clinical Case Status, United States, 2016-2023, publicado na revista Emerging Infectious Diseases, 6,9% dos pacientes com rastreio positivo para colonização por Candida auris depois tiveram detecção do fungo em amostras clínicas.
O dado mostra por que a colonização não deve ser ignorada em hospitais. Ela não significa doença ativa em todos os casos, mas pode indicar maior risco de infecção invasiva e de transmissão para pessoas vulneráveis.

Quem tem maior risco
A Candida auris raramente representa risco para pessoas saudáveis fora do hospital. A preocupação é maior em pacientes fragilizados, com internações prolongadas ou que precisam de cuidados complexos.
- Pessoas internadas em UTI ou hospitais por longos períodos;
- Pacientes com cateter venoso central, sondas, ventilação mecânica ou outros dispositivos invasivos;
- Pessoas com imunidade baixa ou várias doenças crônicas;
- Uso recente ou prolongado de antibióticos e antifúngicos;
- Transferência entre hospitais, casas de repouso ou unidades de longa permanência.
Para entender sintomas, transmissão e tratamento, veja também o conteúdo sobre Candida auris.
O alerta oficial do CDC
O CDC informa que a Candida auris é frequentemente resistente a antifúngicos, pode causar infecções graves e se transmite com facilidade em serviços de saúde. O órgão também destaca que a identificação correta pode exigir testes como sequenciamento ou espectrometria de massa.
Isso é relevante porque o fungo pode ser confundido com outras leveduras em métodos tradicionais de laboratório. Quando há suspeita, a comunicação entre equipe assistencial, laboratório e controle de infecção é essencial.

O que o rastreamento ajuda a evitar
O rastreamento não serve para tratar toda pessoa colonizada, mas para identificar quem pode espalhar o fungo e permitir medidas rápidas de controle dentro do serviço de saúde.
- Coleta de swab de pele, geralmente em axilas e virilha;
- Precauções de contato para pacientes colonizados ou infectados;
- Limpeza rigorosa de superfícies e equipamentos compartilhados;
- Teste de sensibilidade aos antifúngicos quando há infecção clínica;
- Aviso à equipe em transferências entre unidades de saúde.
Quando uma infecção hospitalar não melhora, investigar Candida auris pode evitar atrasos no tratamento e reduzir surtos. O sinal de alerta não é um sintoma isolado, mas o conjunto de febre persistente, internação prolongada, dispositivos invasivos e resposta ruim às terapias habituais.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









