A vacina Shingrix, versão recombinante mais recente contra herpes-zóster, foi associada a mais tempo vivido sem diagnóstico de demência quando comparada à vacina antiga de vírus vivo. O achado não prova prevenção definitiva, mas reforça uma linha de pesquisa que investiga a relação entre vírus, imunidade e saúde cerebral no envelhecimento.
Por que a vacina mudou
O herpes-zóster, conhecido como cobreiro, acontece pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. A vacinação é indicada para reduzir o risco da infecção e de complicações, como a dor persistente nos nervos.
Nos últimos anos, muitos países passaram a substituir a vacina antiga, de vírus vivo atenuado, pela vacina recombinante adjuvada. Essa transição criou uma oportunidade rara para comparar os efeitos das duas versões em grandes bases de dados de saúde.

O que o estudo científico mostrou
Segundo o estudo observacional The recombinant shingles vaccine is associated with lower risk of dementia, publicado na Nature Medicine, receber a vacina recombinante contra herpes-zóster foi associado a um aumento de 17% no tempo vivido sem diagnóstico de demência nos 6 anos após a vacinação.
Na prática, isso correspondeu a 164 dias adicionais sem diagnóstico de demência entre as pessoas que posteriormente desenvolveram a doença. A análise comparou 103.837 pessoas vacinadas após a mudança para a vacina recombinante com 103.837 pessoas vacinadas no período anterior, quando predominava a vacina viva.
O que pode explicar o efeito
Os mecanismos ainda não estão claros. Uma hipótese é que a melhor proteção contra o herpes-zóster reduza reativações virais e inflamação, processos investigados por possível relação com alterações neurológicas e risco de demência.
- Menos reativação viral ao longo do tempo;
- Redução de inflamação ligada a infecções recorrentes;
- Possível efeito dos adjuvantes sobre a resposta imune;
- Maior proteção contra zóster em comparação à vacina antiga;
- Efeito observado em homens e mulheres, com resultado maior em mulheres.
O que ainda precisa de cautela
Apesar de forte, o estudo não foi um ensaio clínico randomizado. Por isso, ele mostra associação, não prova que a vacina Shingrix previne demência ou que deve ser usada com esse objetivo principal.
- A demência pode ter várias causas, como Alzheimer e doença vascular;
- Registros de saúde podem não captar todos os diagnósticos;
- Fatores de estilo de vida podem influenciar o risco cerebral;
- O benefício precisa ser confirmado em novos estudos;
- A indicação principal continua sendo prevenir herpes-zóster e complicações.

Como usar essa informação
Quem tem idade indicada para a vacinação deve conversar com um médico sobre benefícios, contraindicações e disponibilidade da vacina. Pessoas imunossuprimidas, com doenças crônicas ou histórico de reações vacinais precisam de orientação individualizada.
Para entender melhor indicação, doses e cuidados, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre vacina contra herpes-zóster. A possível relação com menor risco de demência é promissora, mas ainda deve ser vista como um achado científico em investigação.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, que deve orientar a vacinação, a prevenção de demência e os cuidados mais adequados para cada pessoa.









