A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, atingindo cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Os sintomas incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual e dificuldade para engravidar. O diagnóstico exige avaliação clínica detalhada, exames de imagem específicos e, em casos selecionados, videolaparoscopia. Em 2026, o tratamento combina hormonioterapia, cirurgia minimamente invasiva e abordagem multidisciplinar adaptada a cada paciente.
O que é endometriose e por que ela acontece?
A endometriose ocorre quando células parecidas com as do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, se implantam em outros órgãos da pelve, como ovários, trompas, bexiga e intestinos. Esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual, sangrando mensalmente e provocando inflamação crônica.
A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas envolve fatores genéticos, hormonais e imunológicos. A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada, em que parte do sangue menstrual reflui pelas trompas e se aloja em outras regiões. Outras formas de endometriose profunda envolvem mecanismos mais complexos de invasão tecidual.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas variam bastante de uma mulher para outra, e a intensidade nem sempre corresponde à extensão da doença. Algumas pacientes apresentam apenas cólicas leves, enquanto outras enfrentam dor incapacitante mesmo com lesões pequenas.
Entre os sinais mais frequentes da endometriose estão:

Como é feito o diagnóstico atualmente?
O diagnóstico começa com uma anamnese detalhada, em que o ginecologista investiga o histórico menstrual, dor e impacto na rotina. Em seguida, são solicitados exames de imagem, sendo a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal o exame de escolha inicial.
A ressonância magnética com protocolo específico para endometriose ajuda a mapear lesões profundas em intestinos, bexiga e ureteres. A videolaparoscopia permanece como padrão para confirmação em casos duvidosos e permite tratar a doença no mesmo procedimento. Quando há suspeita de comprometimento ovariano, a investigação por exames para endometriose deve ser ainda mais detalhada.

O que diz a ciência sobre o tratamento da endometriose?
As recomendações atuais reúnem evidências consolidadas sobre as melhores condutas terapêuticas. Segundo a revisão Endometriosis: A Review, publicada na revista JAMA em 2025, o atraso médio do diagnóstico ainda varia entre 5 e 12 anos, e a maioria das pacientes consulta três ou mais médicos antes da confirmação. A revisão destaca que terapias hormonais, como contraceptivos orais combinados e progestágenos isolados, são consideradas tratamento de primeira linha.
O estudo também aponta que a remoção cirúrgica das lesões deve ser indicada quando a hormonioterapia falha ou é contraindicada. A histerectomia fica reservada para casos refratários em mulheres sem desejo de gestação.
Quais são os tratamentos disponíveis em 2026?
O tratamento é individualizado e leva em conta idade, gravidade dos sintomas, extensão das lesões e desejo reprodutivo. A abordagem multidisciplinar envolve ginecologista, fisioterapeuta pélvica, nutricionista e psicólogo, com resultados superiores aos do tratamento isolado.
As principais opções terapêuticas incluem:
- Anti-inflamatórios e analgésicos, como ibuprofeno e naproxeno, para alívio da dor
- Contraceptivos hormonais combinados, em uso contínuo para suspender a menstruação
- Progestágenos isolados, como dienogeste e desogestrel
- DIU hormonal com levonorgestrel, recém-incorporado ao SUS
- Análogos do GnRH, indicados em casos de dor refratária
- Videolaparoscopia, considerada cirurgia minimamente invasiva padrão
- Cirurgia robótica, opção para casos complexos com lesões profundas
Mulheres com sintomas suspeitos de endometriose devem buscar avaliação com ginecologista o quanto antes. O acompanhamento médico contínuo é essencial para ajustar o tratamento, monitorar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida e a fertilidade quando desejada.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde qualificado.









