A doença de Crohn é uma inflamação intestinal crônica que pode atingir qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, e causa sintomas como dor abdominal, diarreia recorrente, perda de peso e cansaço persistente. Faz parte do grupo das doenças inflamatórias intestinais e ocorre devido a uma resposta imunológica anormal contra a própria mucosa do intestino. Em 2026, o tratamento combina imunobiológicos modernos, imunossupressores, corticoides em fases agudas e abordagens nutricionais específicas, com plano individualizado para cada paciente.
O que é doença de Crohn e por que ela acontece?
A doença de Crohn é uma condição autoimune em que o sistema imunológico ataca as próprias células do intestino, causando inflamação profunda e segmentar. As regiões mais afetadas costumam ser o íleo terminal, parte final do intestino delgado, e o cólon.
A causa exata ainda é desconhecida, mas a doença envolve fatores genéticos, ambientais, alterações na microbiota intestinal e desequilíbrio imunológico. Tabagismo, dietas ricas em ultraprocessados, uso indiscriminado de antibióticos e estresse podem agravar os quadros, embora não sejam as causas primárias da doença inflamatória intestinal.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas variam conforme a região do intestino acometida e costumam aparecer em surtos, alternando períodos de crise e remissão. A intensidade muda de pessoa para pessoa, o que torna o diagnóstico precoce um desafio.
Entre as manifestações mais comuns da doença de Crohn estão:

Como é feito o diagnóstico atualmente?
O diagnóstico exige avaliação detalhada do gastroenterologista, que combina histórico clínico, exame físico e exames complementares. A colonoscopia com ileoscopia e biópsia continua sendo o exame padrão para confirmar a doença, identificar a extensão e diferenciar de outras causas de inflamação intestinal.
Exames de sangue avaliam marcadores inflamatórios como PCR e VHS, além de detectar anemia e deficiências nutricionais. A calprotectina fecal é um marcador útil de inflamação intestinal, e exames de imagem como ressonância magnética e enterotomografia ajudam a mapear lesões em segmentos do intestino delgado de difícil acesso pela colonoscopia.
O que dizem as diretrizes mais recentes sobre o tratamento?
As condutas terapêuticas evoluíram significativamente nos últimos anos com a chegada de novos imunobiológicos. Segundo a Updated 2025 ACG clinical guideline for the management of Crohn’s disease, diretriz publicada pelo American College of Gastroenterology, a abordagem step-up tradicional, em que se começava com medicamentos mais simples, deixou de ser obrigatória.
O documento recomenda que casos moderados a graves possam iniciar diretamente com terapias avançadas, como anti-TNF, anti-IL-23 e inibidores de JAK, reduzindo o risco de complicações e a necessidade de cirurgia ao longo do tempo.

Quais tratamentos estão disponíveis em 2026?
O tratamento é individualizado, leva em conta a localização e a gravidade da inflamação e tem como objetivo induzir e manter a remissão, prevenir complicações e preservar a qualidade de vida. A abordagem multidisciplinar envolve gastroenterologista, nutricionista e, em alguns casos, cirurgião coloproctologista.
Entre as principais opções terapêuticas estão:
- Aminossalicilatos, como mesalazina e sulfassalazina, em quadros leves e localizados
- Corticoides, como prednisona e budesonida, no controle de crises agudas
- Imunossupressores, como azatioprina e metotrexato, para manutenção da remissão
- Imunobiológicos anti-TNF, como infliximabe e adalimumabe
- Imunobiológicos anti-integrina, como vedolizumabe
- Imunobiológicos anti-IL-23, como ustequinumabe, risanquizumabe e guselcumabe
- Inibidores de JAK, como upadacitinibe, em casos refratários
- Intervenções nutricionais, como nutrição enteral exclusiva e dieta mediterrânea
- Cirurgia, indicada em estenoses, fístulas e abscessos que não respondem a medicação
Pessoas com sintomas persistentes como diarreia, dor abdominal, perda de peso e cansaço inexplicado devem procurar um gastroenterologista o quanto antes. O diagnóstico precoce é determinante para iniciar o tratamento adequado, evitar complicações como obstrução intestinal e desnutrição e manter a qualidade de vida ao longo dos anos. O acompanhamento médico contínuo é essencial mesmo nas fases de remissão.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde qualificado.









