A necessidade diária de ferro varia drasticamente entre homens, mulheres em idade fértil e gestantes, devido às perdas menstruais e às demandas nutricionais da gestação. Hematologistas alertam ainda que vegetarianos podem precisar de até 1,8 vezes mais ferro do que onívoros, já que o ferro não-heme, presente em alimentos vegetais, tem absorção significativamente inferior à do ferro de origem animal. Entender essas diferenças é essencial para evitar a deficiência do mineral, principal causa de anemia no mundo.
De quanto ferro homens e mulheres precisam por dia?
Para homens adultos, a recomendação diária é de cerca de 8 mg de ferro, valor que se mantém em mulheres na pós-menopausa, já que cessam as perdas menstruais. Mulheres em idade fértil precisam de 18 mg por dia para repor o ferro perdido a cada ciclo menstrual.
Em gestantes, a demanda sobe para aproximadamente 27 mg diários, devido ao aumento do volume sanguíneo materno e à formação de tecidos do feto e da placenta. Essas faixas servem como referência para uma alimentação rica em alimentos ricos em ferro, ajudando a prevenir quadros de deficiência.
Por que vegetarianos precisam de mais ferro?
O ferro presente nos alimentos se divide em duas formas: o heme, encontrado em carnes vermelhas, aves, peixes e vísceras, com absorção de 15% a 35%, e o não-heme, presente em vegetais, leguminosas e grãos, com absorção de apenas 2% a 20%.
Como vegetarianos e veganos consomem exclusivamente ferro não-heme, recomenda-se aumentar a ingestão diária em até 1,8 vezes para compensar essa diferença de biodisponibilidade. Mulheres vegetarianas em idade fértil são o grupo de maior risco e devem monitorar regularmente seus níveis de ferritina e hemoglobina.

Quais alimentos são as melhores fontes de ferro?
Combinar fontes de ferro de diferentes origens e adicionar potencializadores de absorção é uma estratégia eficaz para garantir o aporte adequado do mineral, especialmente em dietas com restrições.

O consumo conjunto desses alimentos com fontes de vitamina C, como laranja, acerola e limão, melhora significativamente a absorção do ferro não-heme. Conhecer alguns truques para enriquecer os alimentos com ferro pode fazer grande diferença no aproveitamento do mineral pelo organismo.
O que pode atrapalhar a absorção do ferro?
Alguns alimentos contêm substâncias que reduzem a absorção do ferro quando consumidas próximas às refeições principais. Conhecê-los ajuda a planejar melhor o cardápio e otimizar o aproveitamento do mineral.
- Café e chás (preto, verde e mate), pelo alto teor de taninos e polifenóis;
- Leite e derivados, pois o cálcio compete diretamente com o ferro na absorção;
- Chocolate e achocolatados, pela presença de oxalatos inibidores;
- Refrigerantes à base de cola, devido ao ácido fosfórico;
- Cereais integrais e leguminosas sem remolho, ricos em fitatos.
O ideal é consumir essas bebidas e alimentos com intervalo de pelo menos uma a duas horas das refeições principais, sobretudo em pessoas com diagnóstico de anemia ferropriva ou em uso de suplementação de ferro.
O que mostram os estudos científicos sobre o tema?
A relação entre padrão alimentar, sexo e níveis de ferro vem sendo investigada em estudos de larga escala. Segundo o estudo Iron Deficiency in Vegetarian and Omnivorous Individuals: Analysis of 1340 Individuals, publicado na revista Nutrients em 2021 e conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo, a análise de 1340 indivíduos mostrou que homens e mulheres na pós-menopausa apresentam prevalência semelhante de deficiência de ferro entre vegetarianos e onívoros. Já mulheres em idade fértil que seguem dieta vegetariana apresentam maior risco de deficiência, reforçando a importância do monitoramento individualizado dos níveis de ferritina e da combinação adequada de alimentos para garantir uma absorção eficaz do mineral em diferentes fases da vida.
As informações deste artigo têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas ou sintomas persistentes, consulte um médico de confiança.









