A partir dos 40 anos, muitas mulheres começam a perceber mudanças no sono que não conseguem explicar. Dificuldade para adormecer, despertares frequentes durante a madrugada e a sensação de que o descanso já não é tão reparador são queixas comuns nessa fase da vida. O que poucas sabem é que essas alterações estão diretamente relacionadas à queda gradual dos hormônios estrogênio e progesterona, que desempenham um papel importante na regulação do ritmo circadiano, o relógio biológico que organiza os ciclos de sono e vigília do organismo.
O que acontece com os hormônios femininos após os 40 anos?
A partir dos 35 anos, os ovários começam a reduzir a produção de estrogênio e progesterona de forma gradual. Essa queda pode variar entre 1% e 3% ao ano e se intensifica à medida que a mulher se aproxima da menopausa. Durante essa fase de transição, conhecida como perimenopausa, os níveis hormonais oscilam de forma irregular, o que provoca uma série de sintomas físicos e emocionais.
Além de influenciar o ciclo menstrual e a fertilidade, esses hormônios atuam em áreas do cérebro responsáveis pelo sono. A perimenopausa pode começar anos antes da última menstruação e seus efeitos no sono costumam ser um dos primeiros sinais percebidos pelas mulheres.
Por que a progesterona influencia diretamente a qualidade do sono?
A progesterona possui propriedades sedativas naturais que ajudam a promover um sono mais profundo e restaurador. Esse hormônio estimula receptores cerebrais que favorecem o relaxamento e a redução da ansiedade. Quando seus níveis caem, o organismo perde esse efeito calmante, o que pode resultar em insônia, dificuldade para manter o sono e despertares noturnos frequentes.
O estrogênio, por sua vez, participa da sensibilização dos neurônios à melatonina, o hormônio que regula o ciclo de sono e vigília. Com a diminuição do estrogênio, a produção de melatonina também pode ser afetada, o que contribui para a desregulação do ritmo circadiano e para a sensação de que o corpo não sabe mais a hora certa de dormir.

Revisão científica confirma a relação entre hormônios e distúrbios do sono
A conexão entre as alterações hormonais e os problemas de sono durante a transição para a menopausa é amplamente documentada na literatura médica. Segundo a revisão narrativa “Sleep Disturbance and Perimenopause: A Narrative Review”, publicada no Journal of Clinical Medicine em 2025, as flutuações de estrogênio e progesterona afetam diretamente a qualidade do sono. A revisão destaca que alterações no ritmo circadiano, redução na produção de melatonina e mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento agravam os distúrbios do sono nessa fase da vida. A pesquisa analisou estudos publicados até 2024 e reforça que entre 80% e 90% das mulheres na perimenopausa apresentam algum tipo de sintoma relacionado à queda hormonal.
Sinais de que o ritmo circadiano pode estar desregulado
A desregulação do ritmo circadiano pode se manifestar de diferentes formas e nem sempre é reconhecida imediatamente como um problema hormonal. Os sinais mais comuns incluem:

Hábitos que ajudam a melhorar o sono nessa fase
Embora as alterações hormonais sejam inevitáveis, algumas mudanças no estilo de vida podem minimizar seus efeitos sobre o sono. Adotar práticas de higiene do sono é fundamental para ajudar o organismo a manter um ritmo mais equilibrado. As principais recomendações incluem:
- Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana
- Evitar telas de celular e computador pelo menos uma hora antes de deitar
- Expor-se à luz natural durante a manhã para ajudar a regular a produção de melatonina
- Evitar cafeína e refeições pesadas no período noturno
- Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável
Mulheres que apresentam sintomas persistentes de insônia ou alterações significativas no sono devem procurar um ginecologista ou endocrinologista. A avaliação médica é importante para identificar se há necessidade de tratamento específico, como a terapia de reposição hormonal, que pode ser indicada em alguns casos para aliviar os sintomas da menopausa e melhorar a qualidade do sono.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação profissional.









