Antioxidantes são amplamente associados à proteção das células e à prevenção de doenças. Porém, uma descoberta recente da Universidade de Rochester revelou que um dos antioxidantes mais populares em forma de suplemento pode, em doses elevadas, ser utilizado como combustível por células cancerosas. A boa notícia é que obter antioxidantes por meio da alimentação continua sendo seguro e eficaz, pois o corpo consegue regular naturalmente as quantidades que recebe dos alimentos.
Por que suplementos antioxidantes em excesso podem representar um risco?
O glutatião é produzido naturalmente pelo organismo e desempenha um papel importante na defesa das células saudáveis. No entanto, quando consumido em doses elevadas por meio de suplementos, esse antioxidante pode ser aproveitado por células tumorais como fonte de nutrientes. Em ambientes onde os recursos são escassos, as células cancerosas desenvolvem estratégias para captar substâncias ao redor, e o glutatião em excesso pode ser uma delas.
A diferença entre o antioxidante que vem dos alimentos e o que vem de suplementos está na concentração e na forma como o corpo o processa. Enquanto os alimentos oferecem uma liberação gradual e controlada, os suplementos podem inundar o organismo com quantidades que ele não consegue regular de forma adequada. Essa sobrecarga pode acabar protegendo justamente as células que o corpo deveria eliminar.

Estudo publicado na Nature confirma que tumores usam glutatião como combustível
A relação entre antioxidantes em excesso e o crescimento tumoral foi investigada em detalhe por pesquisadores do Instituto do Câncer Wilmot, da Universidade de Rochester. Segundo o estudo “O catabolismo da glutationa extracelular fornece aminoácidos para sustentar o crescimento tumoral” publicado na revista Nature, células cancerosas de mama acumulam glutatião em seu interior e o utilizam como fonte de energia e de nutrientes essenciais para o crescimento. Os pesquisadores também demonstraram que, ao bloquear a capacidade dos tumores de usar essa substância, foi possível reduzir o crescimento das células cancerosas em modelos experimentais. Os próprios autores reforçaram que o achado não significa abandonar alimentos ricos em antioxidantes, mas sim ter cautela com suplementos em doses elevadas.
Alimentos que fornecem antioxidantes de forma segura
A estratégia mais segura para fortalecer as defesas do organismo é obter antioxidantes por meio de uma alimentação variada e equilibrada. Os alimentos oferecem esses compostos junto com fibras, vitaminas e minerais que trabalham em conjunto, permitindo que o corpo absorva apenas o que precisa. Alguns dos melhores alimentos para isso incluem:

Vitamina C e selênio ajudam o corpo a reciclar seus próprios antioxidantes
Além de consumir alimentos ricos em antioxidantes, é importante incluir nutrientes que ajudam o organismo a aproveitar melhor o que ele mesmo produz. A vitamina C, por exemplo, auxilia na reciclagem dos antioxidantes que o corpo já possui, otimizando seu uso sem necessidade de doses extras. Já o selênio é essencial para o funcionamento de enzimas que protegem as células contra danos. As melhores fontes alimentares desses nutrientes são:
- Vitamina C presente em laranja, kiwi, acerola e pimentão vermelho
- Selênio encontrado na castanha-do-pará, onde bastam duas unidades por dia para atingir a quantidade recomendada
- Vitamina E presente em sementes de girassol, amêndoas e azeite de oliva
A melhor proteção vem do prato e não do frasco
O corpo humano possui um sistema próprio de equilíbrio que funciona melhor quando é alimentado com nutrientes vindos de alimentos reais. Ao tentar acelerar esse processo com suplementos em doses elevadas, existe o risco de gerar um efeito contrário ao desejado. A ciência reforça que uma alimentação rica em frutas, vegetais, sementes e proteínas de qualidade é a forma mais segura de manter as defesas celulares ativas sem alimentar processos que deveriam ser combatidos.
Ainda assim, decisões sobre o uso de suplementos devem ser sempre individualizadas. Pessoas com condições de saúde específicas, histórico de câncer ou que fazem uso de medicamentos precisam de orientação profissional antes de iniciar qualquer suplementação. Somente um médico ou nutricionista pode avaliar as necessidades reais de cada organismo e indicar a melhor estratégia de forma segura.
Aviso: este conteúdo é meramente informativo e não substitui, em nenhuma hipótese, a consulta, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde.









