Usar anti-inflamatório enquanto toma remédio para pressão pode interferir no tratamento sem provocar um sintoma evidente. Alguns anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno, podem reduzir o efeito de determinados anti-hipertensivos, favorecer a retenção de líquidos e aumentar a sobrecarga sobre os rins, principalmente quando o uso é frequente ou prolongado.
Por que o anti-inflamatório pode atrapalhar o remédio de pressão?
Os anti-inflamatórios não esteroides, chamados de AINEs, diminuem a produção de prostaglandinas. Essas substâncias participam da dor e da inflamação, mas também ajudam a manter o fluxo de sangue pelos rins e a eliminação adequada de sódio e água.
Com menos prostaglandinas, pode ocorrer retenção de sódio e líquido e alteração do fluxo sanguíneo renal. Como consequência, a pressão arterial pode subir e alguns medicamentos usados para controlá-la podem perder parte de seu efeito. Isso não acontece da mesma forma com todas as pessoas ou com todas as classes de anti-hipertensivos.
Quais combinações exigem mais atenção?
O cuidado é especialmente importante quando o anti-inflamatório é usado junto com medicamentos que também modificam a circulação e o funcionamento dos rins. Entre as situações que merecem atenção estão:
- uso de inibidores da ECA, como enalapril e lisinopril;
- uso de bloqueadores dos receptores da angiotensina, como losartana e valsartana;
- tratamento com diuréticos;
- combinação de um desses bloqueadores com diurético e um AINE.
Esta última associação é conhecida na literatura médica como “triple whammy”. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 encontrou maior risco de lesão renal aguda entre pessoas expostas à combinação de diurético, bloqueador do sistema renina-angiotensina e AINE. Os autores classificaram a certeza dessa evidência como baixa, portanto o resultado não significa que a complicação ocorrerá em todas as pessoas.

O risco existe apenas quando o uso é prolongado?
O uso contínuo ou frequente merece atenção especial porque aumenta o período de exposição aos efeitos dos AINEs. Uma revisão de 2023 sobre esses medicamentos e os rins observou que o risco de lesão renal aguda tende a ser maior com tratamentos mais longos e na presença de fatores como idade avançada, diabetes, doença cardiovascular, função renal reduzida e uso de diuréticos.
Mesmo assim, um tratamento curto não é automaticamente livre de risco. Pessoas desidratadas, com doença renal, insuficiência cardíaca ou que utilizam determinadas combinações de medicamentos podem ser mais vulneráveis mesmo durante períodos menores de uso.

O que fazer se precisar de anti-inflamatório?
Quem trata hipertensão não deve parar o remédio da pressão nem modificar doses para compensar o uso do anti-inflamatório. Também não é indicado trocar um medicamento por outro por conta própria. Quando o AINE é necessário de forma repetida, o médico pode avaliar a duração do tratamento, as alternativas disponíveis e a necessidade de acompanhar pressão, creatinina e potássio.
Sinais como redução importante da quantidade de urina, inchaço, falta de ar ou aumento persistente da pressão durante o tratamento merecem avaliação, pois podem indicar retenção de líquidos ou alteração da função renal. A lesão renal aguda também pode surgir inicialmente com poucos sintomas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Quem usa medicamentos para pressão deve informar ao profissional todos os remédios utilizados, inclusive anti-inflamatórios comprados sem receita, antes de fazer qualquer mudança no tratamento.








